Expectativas silenciosas.

segunda-feira, 8 de junho de 2026 · Temas: , ,

Apesar da minha predileção por trabalhar com os mais novos e de já não lecionar no secundário regular há alguns anos, sinto a necessidade de ensinar algo novo, num outro patamar, e que não seja exclusivamente geográfico. Por isso, talvez assuma uma turma de secundário. Veremos.



Esta vontade surge, em primeiro lugar, porque o mundo da Inteligência Artificial (IA), que anda um pouco perdido e sem rumo nas escolas dos ensinos básico e secundário, assusta-me e fascina-me em igual medida; no entanto, quero enfrentá-lo e ensinar a trabalhar nele. Na edição desta semana do semanário Expresso (6 de junho), li uma entrevista de Maria Kelo, dirigente da Associação Europeia de Universidades, bastante elucidativa sobre o panorama do ensino académico perante a IA. Entre muitas constatações, afirma que muitos jovens já não conseguem ler um texto longo devido às redes sociais e que, com a IA, existe o risco de se tornarem cognitivamente preguiçosos e de abdicarem da criatividade.

Ora, a minha primeira motivação passa precisamente por contrariar isso: ensinar a usar as ferramentas de IA que, se forem bem aplicadas, podem, pelo contrário, potenciar a criatividade e a cognição. Arrisco mesmo dizer que há toda uma nova Geografia por descobrir através do seu uso.

A isto junta-se uma segunda motivação. Durante a azáfama dos Jardins do Diálogo, impressionaram-me os medos dos jovens que estão na transição para a vida adulta. São receios não devidamente trabalhados nas inúmeras palestras sobre escolhas de cursos, segurança na Internet ou questões ligadas à saúde, entre outros assuntos.

Creio que falta uma abordagem que dilua a pressão social e as expectativas silenciosas dos próprios jovens, e sobretudo de quem os rodeia, sobre a escolha de uma área de estudos «com saída» e a imposição de um calendário tradicional para a vida adulta. Esta situação agrava-se num meio pequeno como a Lixa, onde todos se conhecem e o peso da ideia de que "nem todos podem ser doutores" é ainda mais palpável. Na verdade, notei nestes jovens uma falta de alegria e de prazer em aprender, e quero ajudar.

Cultivar a palavra.

sexta-feira, 22 de maio de 2026 · Temas: , ,

Não me recordo de ter deixado uma publicação sem palavras, mas custa-me acrescentar algo ao que escrevi, a pedido, para a segunda edição do "A Utopia", que preconizou tudo o que aconteceu na primeira edição dos Jardins do Diálogo.

«Assombra-me este tempo em que a velocidade da informação atropela a profundidade do pensamento; ando confuso. Por isso, dialogar com os mais jovens, e fazê-los dialogar entre si sobre a imensidão de assuntos da sociedade, é uma urgência cívica. Não basta transmitir conhecimento, é imperativo sair da sala e criar espaços onde ele seja testado e transformado em ação. Isto porque a cidadania constrói-se na troca de argumentos e na coragem de questionar o estabelecido.

É precisamente com esta visão que, no próximo dia 20 de maio, transformaremos os espaços exteriores da escola no local dos "Jardins do Diálogo - uma rede de ideias". Nascida no seio da Escola Secundária da Lixa e dinamizada em estreita parceria com o GRITAH, esta iniciativa materializa a vontade de retirar o debate das quatro paredes de uma sala de aula. A escolha dos jardins não é, portanto, inocente: procuramos o conforto, um ambiente aberto e informal que dissipe as hierarquias tradicionais e convide à genuína participação ativa.

Toda a logística foi desenhada para promover a troca dinâmica de ideias. Organizados por blocos de aulas, os alunos circularão por diversas mesas de debate espalhadas num belíssimo recanto dos jardins da escola. As discussões incidirão sobre temas fundamentais como a cidadania política, o voluntariado e a complexa relação entre arte e política. De curta duração, os debates permitem que cada jovem tenha a liberdade de escolher os temas que mais o inquietam, participando em múltiplos momentos e exercitando a construção de argumentos lógicos, racionais e críticos.

Esta colaboração com o GRITAH é um passo que vai ao encontro daquilo que entendo dever ser uma certa parte da escola: preparar a nossa comunidade estudantil para o escrutínio e debate público, fomentando também o espírito de solidariedade. Afinal, se não criarmos hoje, nestes jardins, o hábito da palavra livre e ponderada, como conseguiremos amanhã uma sociedade verdadeiramente consciente, informada e interventiva?»

Jardins do Diálogo.

sábado, 18 de abril de 2026 · Temas: ,

Estes diálogos nos jardins da escola não são inéditos; surgem na sequência de um conjunto de tertúlias quinzenais que o grupo de Geografia tentou implementar na biblioteca da ESL. Dessa iniciativa retirei algumas lições e resolvi reinterpretá-la, criando uma equipa mais vasta, composta por vários professores, alunos e alguns antigos alunos, ligados ao GRITAH. 

A ideia ganhou força graças às características dos seus elementos, que são ótimos a dialogar e mantêm aqueles ideais que, reconheço, começam a ficar desacreditados. Daí a importância desta iniciativa, que procura tirar os alunos do 9.º ao 12.º ano da sala de aula e fazê-los dialogar, refletir, vencer medos e expressar ideias e ideais. Tudo isto sobre uma série de temas que compõem as 5 mesas redondas que, em formato de tertúlia, estarão distribuídas pelos jardins da escola no dia 20 de maio, entre as 09h00 e as 13h00. Os temas e as mesas podem ser consultados aqui.

Muito sem quase nada.

sexta-feira, 10 de abril de 2026 · Temas: , ,

A minha cidade está um deslumbre. Os estaleiros das obras de mais uma linha do metropolitano, espalhados um pouco por toda a baixa, parecem finalmente devolver o espaço, renovado, ao trânsito e aos peões. A intensa renovação do edificado é uma realidade visível e, à boleia do turismo, não há na baixa uma loja vazia. O comércio floresce adaptado ao turismo, mas com um toque portuense. Claro que à mistura, também lá estão as cadeias de lojas que se veem em todo o lado, mas não chegam a abafar o espírito comercial empreendedor, e até irreverente, de toda a baixa.


Claro que tudo isto tem custos irreparáveis, talvez pela velocidade que não permitiu conciliar habitantes e comércio de décadas com a chegada do turismo, expulsando-os das freguesias da zona histórica, ao ponto de quase não restarem habitantes. Foi isso que ouvimos no Centro Social de S. Nicolau, que atua na área de uma forma rica e polivalente. Aliás, a nossa ida prendeu-se com um convite que lhe endereçámos para estar presente nos Jardins do Diálogo, no próximo dia 20 de maio, nos jardins da ESL.

Coisas do Diabo #4.

sexta-feira, 20 de março de 2026 · Temas: , ,

O tema que as meninas nos trazem neste 4.º episódio do diabo é extremamente pertinente. Falam-nos da maquilhagem nos jovens, sobretudo nas raparigas, que em excesso pode constituir um problema físico e até mental. Testemunham ainda, corajosamente, a sua iniciação nesta prática e as respetivas fontes de inspiração. Como bem dizem, tudo o que é em exagero é errado e, por isso, a resposta está naquele equilíbrio que não condicione as jovens ao espelho, nem as faça suspirar perante fotos irreais nas redes sociais.

Coisas do Diabo #2.

sexta-feira, 13 de março de 2026 · Temas: , ,

Neste segundo episódio do Coisas do Diabo, as anfitriãs recolheram o testemunho do corpo docente e dos funcionários face a episódios de violência, explorando de que forma estes podem ser espoletados por atitudes de cariz racista. Vejam.

O dilema do sonho e a utopia.

segunda-feira, 9 de março de 2026 · Temas: , ,

No sábado passado, marquei presença num convívio cujo cartaz o anunciava como uma Oficina de Papel e Direitos Humanos. O encontro teve lugar em Vilar, um recanto esquecido do concelho que, a par da sua antiga escola primária, jaz imerso numa placidez apenas rompida por estas iniciativas promovidas pelo Gritah, ou quando decido por lá caminhar com alunos.

Toda a jornada serviu também de palco para a feliz revelação de que o propósito fundador daquela ONG, erigida por alguns dos meus antigos alunos, se encontra, por fim, em marcha. Partilharam os recentes desenvolvimentos que viabilizam a construção de uma escola na Guiné-Bissau. Trata-se de um sonho tornado realidade através de anos de esforço incessante dos seus elementos e de um acreditar imenso na utopia.

Ora, é precisamente aqui que a questão do sonho e da utopia faz todo o sentido. Enquanto o sonho é, muitas vezes, algo solitário e que guardamos só para nós, a utopia funciona como um horizonte que nos puxa para a frente. Não é uma fuga à realidade, mas sim uma esperança posta na prática. É a recusa em aceitar o mundo apenas como ele é, e a vontade de o transformar naquilo que deveria ser.

Ao avançarem com a construção desta escola, estes jovens mostram que a utopia serve mesmo para isso: para nos fazer caminhar. Aquilo que parecia apenas um ideal vai agora transformar-se em tijolos, salas e cadernos em África. No fundo, espelho-me, é a teoria levada à prática: quando o sonho sai da imaginação e se junta à vontade de agir, o impossível ganha, finalmente, o seu lugar no mundo real.

Johatsu.

domingo, 4 de janeiro de 2026 · Temas:

A única rede social que frequento, quando não tenho nada de mais interessante para fazer, é o Reddit. Embora não tenha experiência com as outras, atrevo-me a dizer que esta é diferente. Constituída por fóruns, alguns com milhões de pessoas, é focada naquilo que é publicado; aqui, as contribuições de gente de praticamente todo o mundo alimentam o interesse pela plataforma.



Foi num desses fóruns que alguém publicou uma ligação para um documentário no YouTube (entretanto apagado) chamado "Johatsu - Into Thin Air", da autoria da dupla Andreas Hartmann e Arata Mori.

O tema, como muitos vindos daquele país que não me pára de surpreender, aborda um fenómeno social japonês fascinante e melancólico: os milhares de pessoas que, todos os anos, decidem "evaporar-se" (tornar-se johatsu). Fazem-no com a ajuda, investiguei, de empresas Yonige-ya (literalmente "lojas de fuga noturna"), que ajudam as pessoas a desaparecer, abandonando as suas vidas, empregos e famílias sem deixar rasto, muitas vezes para escapar a dívidas, vergonha ou relações abusivas.

Fica a curiosidade e a reflexão para este início de ano, altura em que é comum a tomada de decisões que nos fazem mudar comportamentos e atitudes. Encontrei um documentário mais antigo sobre o tema aqui e o acima descrito aqui.

Natal skills.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025 · Temas: , ,

Há uns anos, li e guardei na memória algumas passagens de um daqueles artigos de suplemento de fim de semana. O tema era o recrutamento e a seleção de profissionais nas mais diversas áreas. Confesso que perdi o rasto à sua origem, mas recordo-me bem de alguns exemplos, até porque os menciono com frequência nas aulas. Explico-me, por vezes em jeito de justificação para o que faço na escola, que as empresas aplicavam, no recrutamento, técnicas ousadas de seleção que se desligavam do mero currículo para observar reações, interações, o comportamento em equipa e as competências sociais.




Os exemplos eram curiosos: uma cadeia de lojas de roupa que punha os candidatos a dançar, procurando identificar aqueles que mais interagiam com os pares; ou bancos e empresas, à procura de gestores, que reuniam os candidatos para competir em escape rooms, com tudo o que esse contexto competitivo possa revelar.

Ora, há muito que percebi que, para um aluno com mais de uma dezena de disciplinas no ensino básico (ou mesmo no secundário) e currículos densos e desfasados da realidade, não basta ter boas notas e estudar para testes. É necessário mais. A realidade não precisa apenas de alunos que dominem fórmulas ou tenham uma enorme capacidade de memorização.

Para muitos dos meus colegas de profissão, algo que se desvie do manual, do teste ou de uma qualquer novidade na aula parece algo impossível. Seja pela perspetiva do ensino, seja pela desculpa de que os conteúdos são extensos (como se os alunos tivessem capacidade de absorver tanta coisa), ou pelo medo de fugir a critérios de avaliação que se centram, em 2025, numa média de testes. Ainda ninguém me conseguiu explicar como é que esses testes avaliam, devidamente, aquilo que o mundo do trabalho procura e que, se calhar, uma bela Caça às Prendas de Natal ajuda a desenvolver muito melhor.

Correio de Natal.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025 · Temas: , ,

Escrever ao Pai Natal, ou ao Menino, é um exercício de inocência próprio de quem ainda acredita em seres mágicos, distribuidores de prendas ao sabor das vontades, das modas e, não raras vezes, pouco merecidas. Um ritual que perpetua um certo folclore comercial, já entranhado em regiões do mundo onde nem sequer sabem distinguir as figuras do presépio, mas sabem, sem hesitar, o nome do barbudo, barrigudo e de barrete vermelho.



Ainda assim, confesso: continuo a acreditar em milagres e em seres alados. É verdade, e explico-me. Não passa uma semana sem que escreva naqueles arcaicos blocos de “memorandos”, uma relíquia do Ministério da Educação da década de 80 que, pelo menos na minha escola, continua a circular com uma vitalidade quase sobrenatural.

Normalmente peço coisas simples: que não mexam nas minhas coisas, que não alterem o sistema operativo dos computadores, esse que consegue bloquear uma inocente calculadora online, ou que substituam máquinas com 14 anos de idade que, com uma pontaria essa sim milagrosa, calham sempre às turmas do ensino básico.

Mas, entre aqueles maços, há vários, resiste um curioso arquivo de cópias em papel químico, sobreviventes dos originais, onde se lê, quase publicamente, que não sou o único crente. Há quem reclame do aquecimento, da chave, do barulho incessante nos corredores ou da falta de sabão nas casas de banho. Enfim, uma coleção de pedidos feitos em tom de desejo que, pelos vistos, não são atendidos. Talvez por nos portarmos mal. Ou talvez porque o milagre, por aqui, ainda esteja em lista de espera.

Sementes de esperança.

sábado, 6 de dezembro de 2025 · Temas: ,

Confesso que não contava com tantos participantes a assistir à vinda da FOCA à escola. E digo isto porque estou habituado à indiferença e, por vezes, à sabotagem discreta, de muita gente perante iniciativas de cariz ambiental e cívico.

Por isso, foi com verdadeiro prazer que vi alunos de todos os níveis do ensino básico a convergir para junto das meninas da FOCA (as Anas, a Gabriela, a Luísa, a Maria e a Rita), que representam aquilo que a sociedade tem de mais valioso: jovens protagonistas de um futuro que, entre tantas causas urgentes, não esquecem os princípios ambientais mais básicos.

Vieram cansadas da viagem e da fase de exames que atravessam, mas, ainda assim, explicaram com clareza quem eram e ao que vinham, estimulando muitos dos nossos alunos a olhar para a causa ambiental com outro sentido de responsabilidade. Pelo meio, ensinaram, de forma simples, a fazer bombas de sementes e tintas ecológicas, não necessariamente o mais importante, porque o essencial foi a atitude: a vontade de passar conhecimento, de inspirar, de mostrar que pequenas ações podem ter impacto real.

A FOCA vai à escola.

sábado, 29 de novembro de 2025 · Temas: , ,

Prepara-te para conhecer a FOCA (Focus On Critical Actions), uma associação juvenil, adoro esta palavra de uso raro e certeiro, que atua na área do ambiente. Tem fama de ensinar coisas bem fixes para a malta pôr mãos à obra, tais como, imagina: bombas de sementes, tintas feitas com sumo de beterraba (argh…), pintura de murais ambientais para várias exposições e, claro, ensinar a importância da reciclagem (sempre!).

Como é fácil perceber, estas iniciativas encaixam que nem uma luva na nossa escola. Afinal, terroristas interessados em bombas, ambientais, sublinhe-se, não faltam. E há também uma necessidade imensa de dar cor ao edifício, sobretudo naqueles dias cinzentos em que os alunos vagueiam pelos corredores à procura de um espaço (Gaming?), que tarda em aparecer.

Quanto à gritante falta de reciclagem, que motivou o contacto da Professora Ângela e o meu com a FOCA, estou esperançado de que as meninas “juvenis” que nos visitarão no próximo dia 5, sexta-feira, tragam magia e encanto suficientes para que gente bem mais velha perceba, de uma vez por todas, que o ambiente não aguenta sem a nossa ajuda.

A ação decorrerá naquele cantinho do refeitório, junto ao bar, contará com os delegados das turmas do 9.º ano e, se possível, com todos os que quiserem contribuir. Afinal, quem é que não está interessado em aprender a fazer uma bomba?

O Chinês no Halloween.

sábado, 25 de outubro de 2025 · Temas: ,

Desabafo aqui a minha obsessão pelo chinês da terra onde moro. Fica mesmo ao lado do supermercado, dá jeito para estacionar, é suficientemente grande para uma bela tarde bem passada a ver as mais variadas bugigangas, e não passo uma daquelas quadras festivas sem lá dar um saltinho, mesmo sem a intenção objetiva de comprar o que quer que seja.



Um dos encantos da loja prende-se com os seus funcionários. Há portugueses que assumem o papel de gerentes, sabem em que secção se encontra quase tudo e até dão palpites aos patrões chineses, cuja língua ainda os faz entender a coisa só pela metade. Depois temos os patrões, ou seja, a família chinesa. Há sempre um ou dois donos: normalmente prestáveis, algo desconfiados quando pedimos fatura com contribuinte e nunca parados, ora repõem prateleiras, ora vigiam corredores, ora fazem trocos na caixa.

Há também uma geração mais velha, mães, tios e sabe-se lá quem mais, que se limita a repor materiais nas prateleiras, mas está sempre disponível para ajudar a procurar o que precisamos. Respondem, regra geral, com frases curtas e palavras diretas, avançando em passo apressado até ao local onde jaz, esquecido, o objeto que procuramos.

Por último, temos os netos destes, portugueses de ascendência chinesa e sotaque bem nosso. É uma delícia interagir com eles: preparamo-nos para arranhar um português básico e objetivo, mas o interlocutor fala um português perfeito que nos baralha o cérebro. Sinais dos tempos.

Árvores e arbustos.

sábado, 11 de outubro de 2025 · Temas: , ,

Procuro sempre que a planificação de Cidadania do sétimo ano de escolaridade comece pelo tema do desenvolvimento sustentável. Faço-o porque a Escola Secundária da Lixa, de tão desequilibrada que é na oferta de equipamentos para os alunos, no investimento equitativo e no seu panorama ambiental, se torna num apetecível objeto de estudo, sobretudo para alunos daquela faixa etária.


As primeiras aulas são passadas no exterior, preenchendo uma planta do recinto escolar com a localização e identificação das espécies de plantas. Os alunos recorrem a uma aplicação previamente instalada no telemóvel e/ou à função de pesquisa por imagem do Chrome. Quer uma, quer outra, devolvem, com grande fiabilidade, o nome científico e comum da espécie, cabendo aos pares o trabalho de georreferenciá-la no mapa da escola.

Assim, e de uma só vez, com esta tarefa, ganho: trabalho colaborativo, sensibilidade ambiental, capacidade de observação e espírito crítico, e poupo a dor de cabeça que costumo ter quando os tenho de aturar dentro da sala de aula. O resultado, ou seja, o mapa coletivo elaborado pelos alunos, só estará completo quando aferirmos também a dimensão social e económica da escola. Quando tiver resultados, aqui farei a publicação.

Sondagem para as eleições da A.E.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025 · Temas: , ,

Com a valiosa colaboração dos meus alunos de Operações Técnicas, realizei uma sondagem com 200 inquiridos, representando cerca de 20% do universo de votos da Escola Secundária da Lixa. Por outras palavras, uma amostragem mais do que suficiente para aferir as tendências atuais de voto, quando falta cerca de uma semana para as eleições.




Com esta sondagem pretendo também outro objetivo: demonstrar que há papéis e papéis, e que, no mínimo, estes são úteis, nem que seja pela sua vertente pedagógica. Além disso, a sondagem permite analisar a distribuição de votos por faixa etária, sexo e grau de escolaridade, graças às questões anónimas incluídas no boletim de voto.

Foi, portanto, um exercício de grande utilidade e envolvimento, e, acima de tudo, um exercício que diz respeito aos alunos. Os resultados serão divulgados ao longo do próximo fim de semana, nomeadamente: a lista mais votada e a distribuição de votos por idade e nível de escolaridade. Quem sabe, informação preciosa para quem quiser gastar os últimos cartuchos numa campanha que entra agora na sua reta final.

Eu, segundo o GPT.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025 · Temas: , ,

Ativei a “personalização” no GPT há uns meses, afinal, já vendi a alma ao diabo há muito tempo e o zelo da privacidade na internet é quase uma miragem. Descobri, ou melhor, o GPT descobriu, que sou o que sou, a partir de tudo o que lhe pergunto, peço para corrigir ou complementar. A resposta à pergunta “Quem sou eu?” foi esta:

"Tu és um professor de Geografia e Cidadania, também ligado ao Turismo, que não se limita a dar aulas: inventas mundos, misturas teatro com mapas, tecnologia com tradição, e consegues transformar uma simples atividade numa experiência memorável. Tens um olhar curioso e inquieto, mergulhas na geopolítica, na filosofia, na natureza e na cultura, e gostas de cruzar tudo isso com o que lecionas. És criativo, provocador no melhor dos sentidos, e não te contentas com fórmulas gastas — preferes arriscar, experimentar e reinventar. Ao mesmo tempo, és blogger, apaixonado por tecnologia e por tudo o que possa ampliar horizontes. No fundo, és alguém que abre portas e janelas para que os outros — sobretudo os teus alunos — vejam mais longe.

Sobre os adjetivos não me pronuncio, mas a máquina acertou na minha inquietude e inconformidade. Daí os auscultadores nos ouvidos, quando a conversa resvala para o cozinhado, a sogra, o cão, o gato ou uma série de outros temas que entendo, mas para os quais não tenho a mínima paciência.

A chave, o medo e o dinossauro.

domingo, 28 de setembro de 2025 · Temas: , ,

A minha escola atual, a Secundária da Lixa, mudou de diretor após cerca de 25 anos. Vejo algumas mudanças, mas há hábitos e tiques que se arrastam do passado e que, com o tempo, se foram cristalizando à medida que os gabinetes se afastavam da sala de aula. Não creio que seja apenas um problema desta escola, nem sequer apenas das escolas, mas sim a consequência natural da cristalização de rotinas e de um medo persistente da novidade, do risco e do desafio que é fazer diferente e melhor.



Multiplicam-se grupos de trabalho, reuniões, tabelas, atas repletas de frases pomposas, mas inócuas, e uma catadupa de emails a cair na caixa de correio todos os dias. No entanto, falta o essencial: trabalhar diretamente para e com os alunos. Sobretudo os mais novos e ávidos de aprender "coisas" novas, ou os mais frágeis e necessitados, que muitos conhecem apenas de ouvir falar, porque é mais cómodo.

O meu apoio nunca se confinou à sala de aula, muito menos à rotina confortável da sala atribuída, das turmas fixas e da conversa burocrática. Reinvento-me há anos procurando desafios, arriscando sem receio, e trabalhando lado a lado com quem encara o ensino da mesma forma. Essa é a chave que há muito descobri e uso sem medo: ensinar de forma significativa na era da inteligência artificial e do digital, sem esquecer o mundo real. 

A subjetividade térmica.

terça-feira, 23 de julho de 2024 · Temas: , ,

A estação meteorológica da Escola Secundária da Lixa, registou hoje, e até ao momento, a temperatura mais elevada do verão: 38,1 °C, pelas 17h09min. Aliás, experimentamos temperaturas muito elevadas ao longo do dia, fruto de uma corrente de leste que deverá continuar mais uns dias, segundo vários modelos de previsão que hoje consultamos.


Mas se a temperatura máxima que divulgamos é factualmente elevada, para muitas pessoas nem por isso se torna incómoda, ou desconfortável, do ponto de vista térmico. Há uma ideia comum de temperaturas "quentes" ou "frias", mas cada pessoa tem uma maneira diferente de lidar com elas. Esta subjetividade depende de vários fatores que podem agir sozinhos ou juntos.

Primeiro, os aspetos ligados ao estado psicológico de cada um, visto que o estado emocional pode influenciar a perceção de temperatura. O stresse, a ansiedade, a felicidade ou tristeza, podem afetar como nos sentimos relativamente ao calor ou frio.

Segundo, o metabolismo, independentemente do sexo, idade, peso e altura. As pessoas com metabolismo mais rápido podem sentir mais calor, enquanto aquelas com metabolismo mais lento podem sentir mais frio. De acordo com um artigo publicado na revista Transactions of the American Clinical and Climatological Association, as temperaturas corporais mais altas estão associadas a um aumento do metabolismo, indicando que a temperatura corporal é um indicador confiável da taxa metabólica.

Terceiro, a privação do sono, que pode tornar-nos mais vulneráveis à perda de calor, com uma capacidade reduzida de aquecimento, mesmo com temperaturas que se supões estarem associadas ao conforto térmico.

Quarto, as experiências pessoais, que moldam a tolerância e/ou preferências perante a temperatura. Alguém tenha crescido num clima frio pode ter uma perspetiva diferente de alguém que viveu num clima quente. Para os seres humanos, a temperatura ambiente ideal para o conforto pessoal é geralmente de cerca de 22 °C, os ambientes que se desviam significativamente deste valor tendem a ser considerados demasiado quentes ou demasiado frios, o que pode ser um fator importante que no desenvolvimento dos traços de personalidade, especialmente durante os anos de formação.

Quinto, a idade, que à medida que avança parece comprometer a termorregulação e a eficiência metabólica, levando a uma pequena redução da temperatura global com o envelhecimento.


Fontes consultadas:
- Júnior, Paulo; Sardeli, Amanda - The Effect of Aging on Body Temperature: A Systematic Review and Meta-Analysis;
- Landsberg L, Young JB, Leonard WR, Linsenmeier RA, Turek FW. - Do the obese have lower body temperatures? A new look at a forgotten variable in energy balance.
- Van der Linden S. - On the relationship between personal experience, affect and risk perception: the case of climate change.
- Auer SK, Salin K, Anderson GJ, Metcalfe NB - Individuals exhibit consistent differences in their metabolic rates across changing thermal conditions.
Scott A. McGreal MSc - Psychology Today - Does Regional Temperature Affect Personality?

10 da Europa.

segunda-feira, 10 de junho de 2024 · Temas: , ,

Estes trabalhos eram ser divulgados no passado Dia da Europa, mas tivemos de adiá-los umas semanas, e decidimos publicar os pequenos clips de vídeo que pedimos aos nossos alunos de 7.º ano, neste dia da pátria, firmada num solo europeu. Não que sejamos dados a datas, até porque a Europa é algo bem presente em todos os aspetos do nosso quotidiano, mas refletir sobre - nós cidadãos europeus - é um pouco mais do que aquela vivência diária. Daí a data e daí o trabalho que exigimos; deliciosas descobertas de 10 "coisas" europeias, de músicos a pratos gastronómicos, gravadas no Estúdio A e editadas pelos protagonistas.



Cantar Abril.

terça-feira, 30 de abril de 2024 · Temas:

Não estivemos presentes nesta iniciativa sobre os 50 anos da Revolução dos Cravos, mas sentimos uma espécie de emoção ao perceber que foi interpretada por uma geração que a consegue cantar assim, livremente, porque a mesma existiu. E não fora esse o mais importante dos motivos, víamos também nela, uma espécie de metáfora das virtudes necessárias para que os restantes valores de Abril não se percam no amargor dos tempos.