A minha escola atual, a Secundária da Lixa, mudou de diretor após cerca de 25 anos. Vejo algumas mudanças, mas há hábitos e tiques que se arrastam do passado e que, com o tempo, se foram cristalizando à medida que os gabinetes se afastavam da sala de aula. Não creio que seja apenas um problema desta escola, nem sequer apenas das escolas, mas sim a consequência natural da cristalização de rotinas e de um medo persistente da novidade, do risco e do desafio que é fazer diferente e melhor.
Multiplicam-se grupos de trabalho, reuniões, tabelas, atas repletas de frases pomposas, mas inócuas, e uma catadupa de emails a cair na caixa de correio todos os dias. No entanto, falta o essencial: trabalhar diretamente para e com os alunos. Sobretudo os mais novos e ávidos de aprender "coisas" novas, ou os mais frágeis e necessitados, que muitos conhecem apenas de ouvir falar, porque é mais cómodo.
O meu apoio nunca se confinou à sala de aula, muito menos à rotina confortável da sala atribuída, das turmas fixas e da conversa burocrática. Reinvento-me há anos procurando desafios, arriscando sem receio, e trabalhando lado a lado com quem encara o ensino da mesma forma. Essa é a chave que há muito descobri e uso sem medo: ensinar de forma significativa na era da inteligência artificial e do digital, sem esquecer o mundo real.

