A Páscoa e os gatos.

sábado, 14 de março de 2026 · Temas: , ,

Tive uma tarde livre esta semana porque uma das minhas turmas foi para o Porto e, em vez de me enfiar num gabinete ou mergulhar na papelada, experimentei coisas novas. Por outras palavras, fazer mais do mesmo não me assenta, mesmo que o tenha de fazer mais tarde.

Assim, peguei na máquina de corte a laser que tenho na escola e, com a ajuda de uns fabulosos voluntários que se foram juntando, fizemos experiências e conseguimos cortar em vinil dúzias de ovos coloridos e uma série de gatos.

Ora, a questão que se levantou durante a instalação foi: porquê os gatos e não os coelhos, as borboletas ou até as florezinhas? A resposta é simples: porque isso é piroso! O gato, por outro lado, e mesmo adocicado como aqueles que colamos nas montras, não deixa de ser um gato. Um gato nunca é cor-de-rosa (arggh!), verde-alface ou azul-celeste. Na verdade, um gato não se deixa domesticar verdadeiramente; eles só coabitam connosco porque lhes damos comida. Caso contrário, na primeira oportunidade, procuram outras paragens. E mesmo quando se sujeitam a festinhas, acreditem que é graxa.

Ou seja, admiro aquela personalidade autónoma, sem paralelo no mundo dos animais domésticos. Nem os lagartos, que passam horas a olhar em frente, são tão indiferentes às mariquices dos nossos mimos.

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Coisas do Diabo #2.

sexta-feira, 13 de março de 2026 · Temas: , ,

Neste segundo episódio do Coisas do Diabo, as anfitriãs recolheram o testemunho do corpo docente e dos funcionários face a episódios de violência, explorando de que forma estes podem ser espoletados por atitudes de cariz racista. Vejam.

Coisas do Diabo #1.

quarta-feira, 11 de março de 2026 · Temas: ,

É com «a obra do Diabo» que estreamos aqui no Geopalavras a nova rubrica do Canal800. Trata-se de uma visão mordaz e sarcástica do quotidiano escolar e do mundo juvenil. Nela cabem temas como a degradação das instalações e a falta de papel higiénico nos WC, mas também tudo o que fervilha nas redes sociais e é motivo de destaque. Fiquem atentos.

O dilema do sonho e a utopia.

segunda-feira, 9 de março de 2026 · Temas: , ,

No sábado passado, marquei presença num convívio cujo cartaz o anunciava como uma Oficina de Papel e Direitos Humanos. O encontro teve lugar em Vilar, um recanto esquecido do concelho que, a par da sua antiga escola primária, jaz imerso numa placidez apenas rompida por estas iniciativas promovidas pelo Gritah, ou quando decido por lá caminhar com alunos.

Toda a jornada serviu também de palco para a feliz revelação de que o propósito fundador daquela ONG, erigida por alguns dos meus antigos alunos, se encontra, por fim, em marcha. Partilharam os recentes desenvolvimentos que viabilizam a construção de uma escola na Guiné-Bissau. Trata-se de um sonho tornado realidade através de anos de esforço incessante dos seus elementos e de um acreditar imenso na utopia.

Ora, é precisamente aqui que a questão do sonho e da utopia faz todo o sentido. Enquanto o sonho é, muitas vezes, algo solitário e que guardamos só para nós, a utopia funciona como um horizonte que nos puxa para a frente. Não é uma fuga à realidade, mas sim uma esperança posta na prática. É a recusa em aceitar o mundo apenas como ele é, e a vontade de o transformar naquilo que deveria ser.

Ao avançarem com a construção desta escola, estes jovens mostram que a utopia serve mesmo para isso: para nos fazer caminhar. Aquilo que parecia apenas um ideal vai agora transformar-se em tijolos, salas e cadernos em África. No fundo, espelho-me, é a teoria levada à prática: quando o sonho sai da imaginação e se junta à vontade de agir, o impossível ganha, finalmente, o seu lugar no mundo real.