Não é a primeira vez que aqui afirmo adorar aquela Geografia de base que se leciona no sétimo ano de escolaridade em Portugal. Gosto da sua utilidade prática, que convida a uma geografia em ação, tão recomendável nestas idades. Ora, a determinação da localização absoluta de um lugar, mediante a sua latitude e longitude, é precisamente um desses conteúdos que permitem aos alunos brincar «à geografia» e aprender sem pesar.
Quando ensino estes dois conceitos, procuro explorar o seu significado astronómico e a história da sua construção, ciente da dificuldade que o segundo coloca aos alunos: compreender como é possível determinar a longitude de um lugar comparando dois relógios que assinalam horas diferentes. Para o explicar, recorro a figuras, planisférios e até a relógios de ponteiros, numa abordagem mais clássica. Procuro, assim, ilustrar o problema que John Harrison ajudou a resolver no século XVIII: embora o conceito de longitude fosse conhecido há muito, faltava um relógio capaz de conservar a hora de referência com suficiente precisão durante as viagens marítimas.

