Cumulonimbos e cumulus congestus.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026 · Temas: , ,

Gosto de olhar para as nuvens e adivinhar o retrato do estado do tempo que elas desenham. E sim, leram bem: olhar para as nuvens, e não andar nas nuvens, porque deixei de acreditar em tal coisa. Além disso, é muito mais divertido associar o estado do tempo às nuvens que correm pelo céu do que tentar imaginar nelas um cão ou um gato, quase sempre muito rebuscados na forma.

De uma maneira geral, as nuvens estão associadas a determinadas condições atmosféricas e, consequentemente, a certos estados do tempo, que variam também de acordo com a época do ano e com a nossa localização geográfica. Nos últimos dias foi possível observar fantásticos exemplos de cumulus congestus e cumulonimbus, nuvens que denunciam forte instabilidade atmosférica e movimentos ascendentes intensos do ar.

Neste início de outono, com os dias a mingar e o inverno a aproximar-se, as temperaturas ainda podem atingir valores relativamente elevados quando massas de ar subtropical avançam para latitudes mais elevadas e alcançam, por exemplo, o noroeste da Península Ibérica. Foi o que aconteceu no passado fim de semana e nos primeiros dias desta semana.

Sliding shores.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026 · Temas:

Gostei muito desta ferramenta, Sliding Shores, que nos mostra, à escala do globo e, em particular, nas zonas costeiras, as consequências da subida ou da descida do nível do mar. Permite visualizar tanto os efeitos do degelo polar como os de um cenário menos provável no atual contexto climático, o aumento das calotes polares e a sua extensão a latitudes mais baixas, com a consequente descida do nível do mar.

Trata-se de um projeto não comercial, uma daquelas carolices que tanto enriquecem a Internet, da autoria de Richard Franklin. O mérito da ferramenta é múltiplo, pois apresenta vários cenários extremos e estima as suas consequências na deslocação das populações. Assim, mais do que satisfazer a curiosidade geográfica, este globo sensibiliza quem o utiliza para os riscos associados às alterações climáticas.

Um olhar diferente.

terça-feira, 29 de setembro de 2026 · Temas: ,

É meu hábito, há já vários anos, nestes últimos espasmos do verão, tirar os meus alunos do sétimo ano da sala e levá-los a desenhar paisagens a partir de um dos vários recreios da escola. Faz-lhes bem, pois soltam-se e mostram-se como são. E isso não belisca em nada a sua aprendizagem. Pelo contrário, abre-lhe caminho.

É o primeiro ato de uma disciplina que encontra nas paisagens o seu objeto de estudo. Paisagens que devemos observar com um olhar atento e curioso, capaz de as interpretar, descobrindo as relações entre os elementos naturais e a ação humana, as marcas do tempo e os sinais de transformação. O que ali está, porque está ali e como se relaciona com o que o rodeia, é também destas perguntas que se faz a Geografia.