Completamente perdidos!

segunda-feira, 8 de junho de 2026 · Temas:

Já desconfiava há muito que a minha canalhinha do sétimo ano não regulava muito bem, mas dissipei as dúvidas com os vídeos, ou cromos, resultantes do Peddy Paper realizado nas ruas da Lixa, numa manhã de calor e alguma água. Não obstante terem dificuldades em entregar atempadamente os trabalhos de Geografia e Cidadania, verifico que são ótimos a mergulhar os pés em qualquer chafariz, lá se ajeitam a dançar de uma forma estrambólica, conseguem arranhar alguma coisa em inglês e até me pareceram poupados e gentis quando dedicaram uma flor aos professores acompanhantes. Estes, coitados, fizeram de tudo para os acompanhar, tentando não passar vergonhas nem acabar com a réstia de imagem que a nossa classe ainda possui na sociedade.

Portanto, perante tamanhos predicados, para o próximo ano letivo terei de mudar de estratégia nas aulas mais a sério. Já ando a estudar uns daqueles conjuntos de cubos que, depois de montados, permitem fazer uma figura, ou então encomendar uma caixa de lápis de cera e um livro didático sobre como dançar no TikTok em 10 lições.

Blogger Tricks

Teatro final.

sábado, 6 de junho de 2026 · Temas: , ,

Este meu blogue tem como prioridade dar destaque às atividades dos alunos. É de cariz eminentemente geográfico, certo, mas sobretudo pedagógico, e no seu centro estão os protagonistas da escola onde, entre muitas coisas, ensino Geografia, mas faço muito mais.

Uma dessas coisas que também ensino há muitos anos é teatro. Não possuo formação específica, não é do tipo que muita gente protagoniza na sala, mas é o suficiente para os fazer subir ao palco de um auditório e transformar medos em vitórias de confiança. Na verdade, são os próprios alunos que agarram o desafio, não obstante o temor de enfrentar uma plateia de olhos postos neles, perscrutando todos os seus gestos. E testemunho esta atitude singular de agarrar o medo há anos, como se fosse importante desafiá-lo.

Talvez porque percebam, mesmo de forma instintiva, que ultrapassar esse nervosismo naquele auditório é o primeiro treino para ganharem voz no mundo. Quando o espetáculo termina, levam consigo muito mais do que o alívio ou os aplausos; saem de lá com a prova prática de que são capazes de enfrentar os palcos reais e exigentes que a vida lhes reserva fora da escola.

Classificações do Peddy Paper IV.

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Fiz finalmente as contas do Peddy Paper: Perdidos na Lixa IV, e o resultado é um enorme empate. Ou seja, das seis equipas participantes, cinco obtiveram exatamente a mesma pontuação - 6300 pontos - e a segunda classificada, os Pavões Tímidos, ficou-se pelos 6100 pontos por se ter esquecido de realizar uma das "missões" propostas no Goosechase.

Assim sendo, o fabuloso prémio que eu estava a pensar atribuir à equipa vencedora, com o alto patrocínio do "chinês" da Lixa, vai ser sorteado. As regras, escritas algures, previam que, em caso de empate, a equipa com a média de idades mais baixa vencesse. No entanto, confesso que não me apetece ter uma trabalheira tamanha, e a ideia do sorteio até anima mais a cerimónia de entrega de prémios, que irá acontecer na próxima quarta-feira pela manhã.

Não obstante os estranhos resultados, haverá prémios para todos, inclusivamente para a segunda classificada, sendo que cada equipa chamada ao palco terá de fazer um discurso a agradecer à organização.

Por último, para os que mais desconfiarem das minhas contas e dos resultados, ou das maroscas das outras equipas, podem reclamar para o seguinte email: naoteadiantadenada@123.pt, que a organização terá tudo em boa conta e fará justiça. Não se preocupem! De qualquer forma, fica aqui uma tabela comprovativa das submissões exigidas em cada uma das missões, o respetivo elemento da equipa que as realizou e a pontuação obtida em cada uma.

Flower Party: uma loucura de verão.

sábado, 30 de maio de 2026 · Temas: ,

O meu ano de escolaridade favorito para lecionar é o 7.º. Gosto bastante dos meus alunos mais velhos, mas são os mais pequenos que mais me motivam, porque acham graça às minhas piadas e alinham, com toda a naturalidade do mundo, nas minhas iniciativas na escola. Se, por artes mágicas, os pudesse congelar naquela idade e avançar com eles até ao fim do secundário, não os largava e seria um professor feliz.



Infelizmente, crescem, perdem um certo encanto e, acima de tudo, ganham aquela autonomia embrionária que os leva a não alinhar em nada ou a achar graça àquilo que os adultos fazem, mesmo que isso não seja verdade, só porque sim. Daí o meu empenho nestas atividades, mais apropriadas a quem tem 12 anos, tal como esta Flower Party que celebrou o final de um longo ano letivo.

E para garantir que aproveitavam cada minuto dessa fase de pura brincadeira, as celebrações começaram bem cedo. Quando todas as turmas ainda se dirigiam para a primeira aula da manhã, as três turmas do sétimo ano tiravam fotografias de grupo no átrio principal da escola, antes de partirem para um peddy paper nas ruas da Lixa. De regresso à escola, e com novas equipas bem definidas, os protagonistas da festa dedicaram-se a retocar as bancas de venda de óculos e colares, os jogos desportivos, os balões de água, o karaoke, as batatas fritas, os crepes, os cachorros, as pinturas faciais e até uma bilheteira que fez circular a moeda oficial da festa: o "beuro".

Marquei a data da sua realização há meses, longe de saber que coincidiria com o dia mais quente do ano até então. Foi ótimo, mesmo que o touro mecânico tivesse de parar uma série de vezes para repousar e os mocktails se tenham esgotado rapidamente. Não obstante, este calor ajudou a não dar descanso aos crocodilos e à lagosta insufláveis, que deslizaram a tarde toda numa pista de lona, ao sabor de detergente da loiça com aroma a limão e muita água da mangueira!

A par de toda esta agitação, a professora Joana, que me ajudou a organizar o evento, com o seu jeito discreto, contribuiu para colorir dois pilares do edifício com pinturas ligadas à temática da festa: os anos 70 e toda a simbologia hippie.

Para o próximo ano, se os alunos do sétimo não crescerem demasiado rápido, talvez haja mais eventos assim. Arrisco-me a dizer que já não vão deslizar tanto na pista dos crocodilos nem decorar, com o afinco que mostraram nas vésperas, os cartazes que ilustraram toda a festa. Veremos.