No sábado passado, marquei presença num convívio cujo cartaz o anunciava como uma Oficina de Papel e Direitos Humanos. O encontro teve lugar em Vilar, um recanto esquecido do concelho que, a par da sua antiga escola primária, jaz imerso numa placidez apenas rompida por estas iniciativas promovidas pelo Gritah, ou quando decido por lá caminhar com alunos.
Toda a jornada serviu também de palco para a feliz revelação de que o propósito fundador daquela ONG, erigida por alguns dos meus antigos alunos, se encontra, por fim, em marcha. Partilharam os recentes desenvolvimentos que viabilizam a construção de uma escola na Guiné-Bissau. Trata-se de um sonho tornado realidade através de anos de esforço incessante dos seus elementos e de um acreditar imenso na utopia.
Ora, é precisamente aqui que a questão do sonho e da utopia faz todo o sentido. Enquanto o sonho é, muitas vezes, algo solitário e que guardamos só para nós, a utopia funciona como um horizonte que nos puxa para a frente. Não é uma fuga à realidade, mas sim uma esperança posta na prática. É a recusa em aceitar o mundo apenas como ele é, e a vontade de o transformar naquilo que deveria ser.
Ao avançarem com a construção desta escola, estes jovens mostram que a utopia serve mesmo para isso: para nos fazer caminhar. Aquilo que parecia apenas um ideal vai agora transformar-se em tijolos, salas e cadernos em África. No fundo, espelho-me, é a teoria levada à prática: quando o sonho sai da imaginação e se junta à vontade de agir, o impossível ganha, finalmente, o seu lugar no mundo real.



