Um cruzeiro no Douro.

quinta-feira, 14 de maio de 2026 · Temas: , ,

A sorte protege os audazes. Já não é a primeira vez que uso esta frase no início de um pequeno artigo de resumo de uma viagem de estudo em que haja prenúncio de mau tempo. Não aconteceu: o sol despertou e, a espaços, até sentimos calor a bordo do cruzeiro que nos fez navegar ao longo das ponte do Porto. Um cliché turístico obrigatório, para quem estuda num curso ligado ao turismo.

O objetivo da viagem era percorrer a arte urbana da cidade, que ocupa, cada vez mais, fachadas cegas de edifícios modernos e históricos, sem destoar, permitindo aquela necessária transição de uma baixa medieval para o século XXI. Vimos alguns exemplos, não todos aqueles que eu pretendia e que estavam definidos num roteiro da atividade Goosechase, mas os suficientes para dar a entender mais este atrativo de uma cidade que possui tantos predicados, como praças e pracetas.

Dois dias a Oeste.

domingo, 26 de abril de 2026 · Temas: ,

Deveriam ter sido mais, mas os dois dias que tivemos foram extremamente preenchidos com geografia, história e delícias culturais. Na verdade, é assim que se define a região Oeste, bela e intrincada, que não se resume a uma só cidade ou monumento, mas sim ao conjunto que a torna num produto turístico interessantíssimo para visitar.

Começámos, ainda a norte, por Aveiro, que dispensa apresentações. Apostou forte na renovação urbana do seu centro histórico e o turismo surgiu com força sem, no entanto, perder a sua traça. Seguimos para sul e encontrámos uma Marinha Grande letárgica, onde as grandes fábricas cercam a cidade, que jaz sem força cultural aparente ou o mínimo espírito comercial. Questiono-me sobre as razões, dada a localização acessível e o seu potencial turístico.

As Caldas da Rainha, onde terminámos a jornada do primeiro dia, são a antítese da anterior. Cuidada e harmoniosa, soube tornar o seu centro histórico numa espécie de cidade em miniatura, daquelas que se fazem em casa, onde tudo está no seu lugar e faz sentido: as ruas, o café da praça, o parque e até a estação de comboios parecem cuidadosamente ali colocados. É, neste momento, provavelmente o ponto central da região.

Após pernoitarmos na Areia Branca, partimos para as grutas de Mira de Aire. Um monumento geológico impressionante, onde hordas de visitas de estudo, tal como a que levámos, lhe retiram a calma necessária para apreciar aquela escultura geológica como merece. Dali seguimos para Fátima, cuja fé se confunde com o turismo, e concluímos a nossa jornada no Convento de Cristo, já em Tomar.

Foram dois dias ricos, mas fossem três ou quatro e não faltaria o que visitar com o mesmo grau de interesse e deslumbre que experimentámos nesta jornada. Voltarei, com certeza, revisitando e dando a descobrir novos sítios.

Quatro biomas.

segunda-feira, 20 de abril de 2026 · Temas: , ,

Esta é a última publicação da série Biomas 2026 (como se alguém ligasse muito ao assunto) e, mesmo que quase para mim fale, refiro que fiquei muito contente com a criatividade das aventuras, coma Geografia também (...) que nos levaram ao confins do mundo em rocambolescas aventuras. Noto, a cada edição, uma liberdade crescente defronte à câmera fruto de das gerações que a encaram como algo profundamente familiar. E questiono a geração de amanhã!

Freiras na pradaria.

terça-feira, 7 de abril de 2026 · Temas: ,

Quem ler o título à pressa, como é hábito dos meus alunos, lerá: «Freiras na padaria», ou seja, algo mais ou menos normal, dado que as freiras também gostam de tomar uma bela meia de leite clarinha, uma torrada com pouca manteiga e dar ao badalo sobre os últimos mexericos do convento. Mas não! É mesmo pradaria, uma daquelas ficcionais, que incluem, ao mesmo tempo, índios dos filmes de cowboys e suricatas. Vejam lá esta aventura das nossas freiras.

Temperatura e precipitação de março.

sábado, 4 de abril de 2026 · Temas: ,

A análise do mês de março passado mostra-nos uma inversão na tendência chuvosa que o inverno havia mostrado até então. Este é o facto a realçar num mês marcado por amplitudes térmicas diárias elevadas e pouca chuva, devido ao estacionamento do anticiclone dos Açores a noroeste da Península Ibérica durante cerca de metade do mês. Com ele, estabeleceu-se uma corrente de leste durante a segunda quinzena do mês, fazendo diminuir a humidade relativa e contribuindo para o elevado arrefecimento noturno que se verificou naquele período.

Quanto à precipitação, destaca-se o seu baixo volume, num total de 32,2 mm, e a concentração da sua ocorrência na primeira quinzena do mês. No que diz respeito à temperatura, verificou-se um crescendo gradual dos valores máximos e médios ao longo do mês, sempre acompanhados de mínimas bastante baixas. A temperatura média do mês situou-se nos 13,9 ºC.

Tias do Gym.

domingo, 29 de março de 2026 · Temas: ,

É com estas tias que dou início a mais uma temporada de aventuras estranhíssimas, mas divertidas, passadas em biomas mais ou menos fiéis à realidade, onde o que realmente interessa é a criatividade posta ao serviço da descoberta. A Geografia não tem de ser monocromática e até pode ser colorida por um garrido rosa-choque ou um verde-fluorescente, resgatados dos anos 80. O único problema é que as licras e as e material de ginástica se revelam uma péssima escolha para enfrentar o frio cortante do destino gelado onde o avião errado as foi deixar. Pois é! Mas, apesar do choque térmico, estas cores vestem na perfeição o projeto de um grupo que se soube organizar para nos contar uma história bem rocambolesca.

Curiosidades gregas.

segunda-feira, 23 de março de 2026 · Temas: ,

É um clássico no ensino da Geografia pedir aos alunos que investiguem sobre um país e que apresentem tudo o que há a dizer sobre ele. Se, no passado, era interessante ouvir tudo aquilo que o par ou o trio havia investigado em livros, dada a escassez de informação na internet, hoje valorizo mais a forma e o domínio na sua transmissão. Por outras palavras, valorizo mais a forma, seja ela videográfica, em jeito de apresentação original ou, por que não, através de uma leitura e transmissão de conteúdo em que se comprove esse domínio, do que a mera repetição do conteúdo que se pode facilmente "pescar" na internet.

Um bom exemplo do que afirmo é o vídeo seguinte, em que um dos meus pares de alunas do sétimo ano cativa a atenção pela forma descontraída como transmite factos e curiosidades sobre a Grécia. Em vez daquele formato fastidioso que se apresenta slide a slide, resolveram o trabalho com um exercício de estúdio de belo efeito.

Mapa de alfinetes.

domingo, 22 de março de 2026 · Temas: ,

Num passado não muito longínquo, havia mapas impressos em papel que, desdobrados ou desenrolados, ocupavam o tampo de uma secretária de trabalho. Alguns, usados nas salas de aula, eram inclusivamente reforçados por um tecido colado na parte de trás, que lhes conferia resistência e uma sensação de qualidade.

Havia também os mapas de estradas. Ao contrário dos primeiros, estes apresentavam escalas muito grandes e a folha apresentava-se dobrada múltiplas vezes, até se resumir ao tamanho de um pequeno manual. Antes do advento do GPS e das suas variantes com mapas de estradas digitais incluídos, era com estes mapas que se calculavam rotas e destinos, pontos de paragem e de descanso. Em ambos os casos, fazia-se a sinalização de lugares com alfinetes ou, simplesmente, com uns sarrabiscos sinalizadores. Estas marcas foram hoje em dia substituídas pelos famosos pinpoints do Google Maps, ou equivalente, e são passíveis de partilhar e apagar como se nunca tivessem existido.

Não obstante as vantagens do digital, há uma experiência que ainda não se alcança: traçar a rota e sinalizar locais a dedo, a par daquela visão de conjunto que só um mapa estendido no tampo de uma secretária permite. Havia algo de genuinamente romântico na imaginação que se soltava enquanto os nossos dedos percorriam as estradas desenhadas no papel, antecipando cada curva e desbravando o caminho muito antes de o corpo chegar ao destino.

Ora, tudo isto a propósito de um mapa que construí a partir de imagens do Google Earth, utilizando o Universal Maps Downloader, e que está disponível na Biblioteca da ESL para quem quiser localizar a sua casa com um alfinete fornecido. No final do ano voltarei com o resultado.

A Kristin que nos visita de madrugada.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026 · Temas:

Estamos, provavelmente, perante um dos episódios meteorológicos mais intensos deste inverno. A depressão Kristin, que resulta de uma queda muito rápida da pressão atmosférica, o que alimenta a tempestade, prepara-se para atravessar o território continental, com particular incidência na madrugada de 28 de janeiro.



O modelo de previsão ECMWF, aqui analisado, mostra-nos um sistema frontal muito ativo, sendo o vento o fator de maior risco. Segundo o IPMA, o litoral Norte e Centro serão as zonas mais expostas, com vento de sudoeste/oeste; esperam-se, inclusivamente, rajadas que podem atingir os 140 km/h em distritos como Braga, Porto, Aveiro e Coimbra.

Além do vento, a Kristin traz consigo chuva forte (representada no mapa pelas manchas em tons de verde e amarelo intensos), que pode causar inundações rápidas em zonas urbanas. Portanto, prevenção é a palavra de ordem, devendo-se fixar objetos soltos em varandas e seguir as recomendações das autoridades.

O mundo não pode esperar.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026 · Temas: ,

É impossível esperar mais pela estreia de novos capítulos da saga Biomas, que tanto furor tem feito entre os entusiastas de bons documentários e o público de ficção científica com impactantes efeitos especiais. A primeira parte da edição deste ano letivo traz-nos incursões a desertos gelados, à Amazónia e a savanas não identificadas. Estas pequenas aventuras foram realizadas no Estúdio A, produzidas por alunos do oitavo ano, e a sua ágil edição esteve a cargo de um punhado de jovens empenhados que mostraram ter muita criatividade.

A minha nova Estação Meteorológica.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026 · Temas: ,

Sempre fui entusiasta da montagem e instalação de estações meteorológicas de baixo custo, do tratamento de dados e de toda a perspetiva pedagógica que estas permitem. A primeira que instalei, uma Oregon Scientific, foi há cerca de 15 anos, ainda nas antigas instalações da Escola Secundária da Lixa, antes da intervenção da Parque Escolar.

Na altura, existiam apenas dois ou três destes equipamentos (amadores) instalados a norte do Douro e só em fóruns estrangeiros se conseguia resolver qualquer questão técnica. Exigiam um computador dedicado e a configuração da ligação à internet e a respetiva manutenção eram tudo menos simples.

Há uma mão-cheia de anos, as marcas brancas (de produção chinesa) chegaram ao mercado e tornaram estes instrumentos muito mais amigáveis, quer na instalação, quer no modo de consulta e apresentação dos dados. Hoje, com o telemóvel e em poucos minutos, conseguimos pôr uma estação meteorológica a funcionar e a transmitir dados de temperatura, precipitação e vento, entre outras variáveis, com recurso a gráficos ou tabelas muito detalhadas.

Não obstante esta facilidade, há sempre problemas a resolver: a transmissão de dados que falha, a bateria que necessita de substituição, o udómetro que entope ou a simples necessidade de limpeza (as aranhas adoram fazer teias nela). Ora, face a esses contratempos, e durante anos, consegui aceder à estação que estava instalada na cobertura da minha escola e resolver o que havia para resolver. Mas tudo mudou quando deixei de o poder fazer e passei a ter de pedir (nem sei bem a quem) para fazer o que sempre fiz. Desisti e interrompi um projeto pedagógico que apresentava uma série de 14 anos de dados, os quais já permitiam fazer comparações e análises um pouco mais detalhadas. Enfim.

Resolvi comprar uma para mim e, finalmente, consegui montá-la em minha casa durante esta pausa. Os dados estão disponíveis através de um link (aqui no Geopalavras) e tenciono fazer as análises mensais e anuais que fazia com os dados da sua "prima" da ESL, que agora jaz no telhado, à mercê dos técnicos que vagueiam pela escola.

Chuva, chuva, chuva!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025 · Temas: ,

Querido aluno, não sei se hoje conseguiste apanhar sol e fabricar um pouco de vitamina D para fortalecer o cálcio dessa tua caixa craniana que, tal como o teu cérebro, tarda em mostrar sinais de crescimento. Se não o fizeste, tão cedo também não vais ter oportunidade, pois a previsão do estado do tempo para a próxima semana indica a passagem contínua de superfícies frontais, afetando sobretudo o noroeste da Península.


As primeiras frentes chegam já amanhã, dia 2, empurradas por um (delicioso) vento fresco de noroeste que trará chuva intensa. Nos dias seguintes, as massas de ar sucedem-se sem grande trégua, trazendo frio e humidade.

Em suma, espera-te uma semana de outono, quase inverno, no seu estado mais clássico. Perfeita para te aconchegares com um bom livro; isto, claro, se o teu cérebro permitir!

Brrrrrrrrrrrrr... frio!

domingo, 16 de novembro de 2025 · Temas: ,

As previsões para a próxima semana apontam para a chegada de ar bem mais frio. Não se trata daquele frio seco, continental, que os generais outono e inverno tantas vezes comandam a partir de leste, mas sim de um fluxo vindo de norte e nor-noroeste: marítimo, frio e húmido.


Esta configuração resulta da deslocação de um anticiclone para o Nordeste do Atlântico, justamente o “pódio” onde, durante a última semana, se instalou confortavelmente a depressão Cláudia. Pelos vistos, é um excelente local para estadias prolongadas de sistemas de pressão, tal é a rotatividade com que ali se acomodam e moldam o tempo na Península Ibérica e em boa parte da Europa Ocidental. 

posição daquela alta pressão, combinada com a depressão a norte da Europa, abre um corredor de ar polar oceânico que se desloca para sul em direção à Península, como se vê destacado na imagem, trazendo uma massa de ar frio, períodos de chuva e até neve em Espanha, e uma descida geral da temperatura.

Olhar de aprendiz.

domingo, 28 de setembro de 2025 · Temas: ,

As minhas aulas iniciais, sobretudo quando tenho turmas novas e o calor ainda se faz sentir, são uma mistura de teoria e prática. Ora, em Geografia, a prática está muito ligada ao terreno e, na Escola Secundária da Lixa, o terreno, ou seja, os jardins, é vasto, muito embora sem um fio condutor que lhe dê dignidade e coerência.




A norte temos os “jardins de Versalhes”; a leste e a oeste, vertentes desconhecidas; a sul, o “Deus-dará”. Escapa a praça da missa anual, onde, para o efeito, as bétulas são constantemente aparadas para não atrapalhar a visão do altar naquela “coisa” chamada bênção de pastas (só não sei que pastas são essas).

Como é de imaginar, estamos assim em terreno fértil para aguçar o espírito crítico da nossa pequenada aprendiz. Nele, aprende-se a estabelecer planos, a refletir sobre a sua composição, a criticar e a apontar soluções. Portanto, nada mau para uma escola que não tem noção daquilo que poderia fazer com os seus espaços verdes. Potencial não falta, haja vontade.

Chega o outono.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025 · Temas: ,

Rápido, rápido, sai para a rua, olha para o Sol, projeta a tua sombra e sente o outono a chegar! É verdade: chegou hoje o outono, que oficialmente acontece às 19 horas e 19 minutos em Portugal Continental. Ora, o calendário solar que pintei no chão do átrio de entrada da Escola Secundária da Lixa não se esqueceu de o assinalar. Ao meio-dia solar, a hora que estabeleci para marcar os dias de solstício ou equinócio, a sombra de um dos edifícios da escola coincidiu novamente, neste dia do ano, com a linha que tracei no chão há já alguns anos, sinalizando a chegada desta estação ao nosso hemisfério.



Se não viste ou sentiste, não te aflijas. Para o ano haverá mais! Mas, se tiveres interesse nesta forma simples de, através da projeção da sombra, determinar o mês ou até mesmo o dia do calendário, podes descobrir mais aqui, num artigo que publiquei no Geopalavras.

Temperaturas dos meses de julho e agosto.

quarta-feira, 10 de setembro de 2025 · Temas: ,

Retomado o início do ano letivo, volto agora na primeira pessoa, às análises meteorológicas, focando apenas a temperatura destes dois últimos meses de verão, vista a quase nulidade da precipitação deste período. Empiricamente, posso dizer que foi um período muito quente, pautado por prolongadas ondas de calor relatadas pelo IPMA. 


No entanto, para aplicar a fórmula adotada por aquela entidade e calcular aquele fenómeno, são necessários valores de referência, as médias máximas diárias obtidas num período de referência. Ora, por não possuir aqueles, apliquei simplesmente a seguinte fórmula: a devolução dos dias cuja temperatura mínima não tenha descido abaixo 20 °C, fenómeno a que dominamos por noites tropicais. Considerando-a, verificaram-se três períodos ocorridos durante os dois meses em causa: de 1 a 5 de julho, de 30 de julho a 6 de agosto, e de 10 a 15 de agosto. Ou seja, cerca de 19% do total de dias deste par de meses estivais, verificaram esta situação gravosa e extrema.

A temperatura máxima ocorreu no dia 3 de agosto, com 39,5 °C, que terá contribuido para a média diária do perído em análise mais elevada, com o valor de 30,1 °C. A mínima mais elevada ocorreu no dia 4 de julho, quando o temómetro não desceu abaixo dos 24,9 °C.

Anomalias térmicas de junho.

sábado, 12 de julho de 2025 · Temas: , ,

O mapa intitulado Anomalias e extremos na temperatura do ar à superfície (17 de junho a 2 de julho), produzido pelo Copernicus Climate Change Service, mostra variações de temperatura relativamente à média climatológica para o período.




Geograficamente, destaca-se um forte contraste térmico entre o oeste e o leste da Europa. A Europa Ocidental, Central e Meridional, incluindo Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Reino Unido, Irlanda e Benelux, que apresenta extensas áreas com temperaturas muito acima da média, em tons de vermelho-escuro. Este padrão reflete a ocorrência da onda de calor que afetou grande parte da Europa na passada semana, com especial incidência no denominado western european domain, uma área de interesse especial pela sua vulnerabilidade crescente a eventos climáticos extremos.

Em contraste, o norte e leste da Europa, incluindo a Escandinávia, os países bálticos, a Rússia e partes da Ucrânia, registaram temperaturas significativamente abaixo do normal, manifestas em tons de azul. Ora, este gradiente térmico leste - oeste aponta para a presença de sistemas atmosféricos contrastantes, o anticiclone dos Açores e depressões a leste, impulsionadas e pelo comportamento anómalo do jet stream.

Em suma, a simultaneidade de calor extremo a oeste e anomalias frias a leste ilustra a crescente desorganização dos regimes atmosféricos tradicionais, um fenómeno cada vez mais frequente e intenso devido às alterações climáticas. Tal realidade sublinha a necessidade urgente de estratégias eficazes de adaptação e mitigação em todo o continente europeu.


Que calor é este?

domingo, 29 de junho de 2025 · Temas: ,

Estamos a atravessar uma vigorosa onda de calor, com temperaturas a atingir os 45 °C em Portugal e Espanha, e os 43 °C em França. Este fenómeno está associado a uma estrutura atmosférica persistente, conhecida como cúpula de calor (heat dome), que prende o ar quente junto à superfície e impede a entrada de massas de ar frescas.



Trata-se de um anticiclone persistente em altitude, que funciona como uma tampa atmosférica, prendendo o calor por baixo. Nele, o movimento subsidente do ar provoca a sua compressão, aumentando ainda mais a temperatura e impedindo a entrada de massas de ar mais frias. Esta circulação de ar afasta, ainda, a possibilidade de ocorrer uma depressão térmica e, consequentemente, chuvas convectivas e a diminuição da temperatura.

As previsões meteorológicas apontam para que o calor se mantenha pelo menos até ao fim da próxima semana de julho. Depois, é possível que o ar mais fresco do Atlântico consiga romper a cúpula e traga chuvas e trovoadas para aliviar a situação.


FONTES: 

https://www.severe-weather.eu/
https://www.nationalgeographic.com/
https://www.ventusky.com/

Anomalias térmicas.

quinta-feira, 17 de abril de 2025 · Temas: ,

Este início de primavera apresenta-se, para já, com um desvio em relação ao padrão climático europeu. Observam-se temperaturas relativamente elevadas nas regiões mais setentrionais, sobretudo a leste, e valores bem mais baixos do que o normal na metade ocidental da bacia mediterrânica, incluindo toda a Península Ibérica. E, se esta observação é válida para a temperatura, também o é para a precipitação. Há muito que não se registava tanta chuva nas regiões mais áridas de Portugal e Espanha, ao mesmo tempo que se verifica escassez na metade norte do continente.

A tarde de ontem foi um exemplo desta anomalia. Foi possível observar que, à mesma hora, a região noroeste da Península Ibérica apresentava valores térmicos equivalentes aos da região centro-norte da Suécia e da Finlândia — ambas situadas a uma latitude significativamente superior —, enquanto toda a Península Balcânica, a par de um conjunto de países alinhados a norte até ao Báltico, registava temperaturas típicas do início do verão.



Assim, especula-se que a posição mais a sul da corrente de jato (jet stream) — uma corrente de ar forte e estreita que circula o planeta a cerca de 160 km/h, a grande altitude, aproximadamente ao nível da tropopausa — nos últimos dois meses seja a principal responsável pelas anomalias referidas. O seu fluxo, habitualmente serpenteante, tem-se apresentado bastante vincado para sul, atingindo diretamente a nossa península. Ou seja, o ar polar tem descido até latitudes mais baixas, enquanto o ar subtropical avança mais para norte, afetando as temperaturas acima descritas. Resta saber quanto tempo irá durar este posicionamento anómalo da corrente de jato, que influencia diretamente os estados do tempo na Europa.

Abril com águas mil.

domingo, 30 de março de 2025 · Temas: ,

O bom tempo que a primavera nos trouxe na última semana está prestes a acabar. Consultámos várias fontes e modelos de previsão meteorológica, que são unânimes em prever o regresso da chuva a Portugal Continental já na próxima quarta-feira, dia 2 de abril. Aliás, espera-se uma sucessão de sistemas frontais a atravessar a Península, prolongando a precipitação pelo menos até domingo.