Deveriam ter sido mais, mas os dois dias que tivemos foram extremamente preenchidos com geografia, história e delícias culturais. Na verdade, é assim que se define a região Centro, bela e intrincada, que não se resume a uma só cidade ou monumento, mas sim ao conjunto que a torna num produto turístico interessantíssimo para visitar.
Começámos, ainda a norte, por Aveiro, que dispensa apresentações. Apostou forte na renovação urbana do seu centro histórico e o turismo surgiu com força sem, no entanto, perder a sua traça. Seguimos para sul e encontrámos uma Marinha Grande letárgica, onde as grandes fábricas cercam a cidade, que jaz sem força cultural aparente ou o mínimo espírito comercial. Questiono-me sobre as razões, dada a localização acessível e o seu potencial turístico.
As Caldas da Rainha, onde terminámos a jornada do primeiro dia, são a antítese da anterior. Cuidada e harmoniosa, soube tornar o seu centro histórico numa espécie de cidade em miniatura, daquelas que se fazem em casa, onde tudo está no seu lugar e faz sentido: as ruas, o café da praça, o parque e até a estação de comboios parecem cuidadosamente ali colocados. É, neste momento, provavelmente o ponto central da região.
Após pernoitarmos na Areia Branca, partimos para as grutas de Mira de Aire. Um monumento geológico impressionante, onde hordas de visitas de estudo, tal como a que levámos, lhe retiram a calma necessária para apreciar aquela escultura geológica como merece. Dali seguimos para Fátima, cuja fé se confunde com o turismo, e concluímos a nossa jornada no Convento de Cristo, já em Tomar.
Foram dois dias ricos, mas fossem três ou quatro e não faltaria o que visitar com o mesmo grau de interesse e deslumbre que experimentámos nesta jornada. Voltarei, com certeza, revisitando e dando a descobrir novos sítios.

