Teatro final.

sábado, 6 de junho de 2026 · Temas: , ,

Este meu blogue tem como prioridade dar destaque às atividades dos alunos. É de cariz eminentemente geográfico, certo, mas sobretudo pedagógico, e no seu centro estão os protagonistas da escola onde, entre muitas coisas, ensino Geografia, mas faço muito mais.

Uma dessas coisas que também ensino há muitos anos é teatro. Não possuo formação específica, não é do tipo que muita gente protagoniza na sala, mas é o suficiente para os fazer subir ao palco de um auditório e transformar medos em vitórias de confiança. Na verdade, são os próprios alunos que agarram o desafio, não obstante o temor de enfrentar uma plateia de olhos postos neles, perscrutando todos os seus gestos. E testemunho esta atitude singular de agarrar o medo há anos, como se fosse importante desafiá-lo.

Talvez porque percebam, mesmo de forma instintiva, que ultrapassar esse nervosismo naquele auditório é o primeiro treino para ganharem voz no mundo. Quando o espetáculo termina, levam consigo muito mais do que o alívio ou os aplausos; saem de lá com a prova prática de que são capazes de enfrentar os palcos reais e exigentes que a vida lhes reserva fora da escola.

Cultivar a palavra.

sexta-feira, 22 de maio de 2026 · Temas: , ,

Não me recordo de ter deixado uma publicação sem palavras, mas custa-me acrescentar algo ao que escrevi, a pedido, para a segunda edição do "A Utopia", que preconizou tudo o que aconteceu na primeira edição dos Jardins do Diálogo.

«Assombra-me este tempo em que a velocidade da informação atropela a profundidade do pensamento; ando confuso. Por isso, dialogar com os mais jovens, e fazê-los dialogar entre si sobre a imensidão de assuntos da sociedade, é uma urgência cívica. Não basta transmitir conhecimento, é imperativo sair da sala e criar espaços onde ele seja testado e transformado em ação. Isto porque a cidadania constrói-se na troca de argumentos e na coragem de questionar o estabelecido.

É precisamente com esta visão que, no próximo dia 20 de maio, transformaremos os espaços exteriores da escola no local dos "Jardins do Diálogo - uma rede de ideias". Nascida no seio da Escola Secundária da Lixa e dinamizada em estreita parceria com o GRITAH, esta iniciativa materializa a vontade de retirar o debate das quatro paredes de uma sala de aula. A escolha dos jardins não é, portanto, inocente: procuramos o conforto, um ambiente aberto e informal que dissipe as hierarquias tradicionais e convide à genuína participação ativa.

Toda a logística foi desenhada para promover a troca dinâmica de ideias. Organizados por blocos de aulas, os alunos circularão por diversas mesas de debate espalhadas num belíssimo recanto dos jardins da escola. As discussões incidirão sobre temas fundamentais como a cidadania política, o voluntariado e a complexa relação entre arte e política. De curta duração, os debates permitem que cada jovem tenha a liberdade de escolher os temas que mais o inquietam, participando em múltiplos momentos e exercitando a construção de argumentos lógicos, racionais e críticos.

Esta colaboração com o GRITAH é um passo que vai ao encontro daquilo que entendo dever ser uma certa parte da escola: preparar a nossa comunidade estudantil para o escrutínio e debate público, fomentando também o espírito de solidariedade. Afinal, se não criarmos hoje, nestes jardins, o hábito da palavra livre e ponderada, como conseguiremos amanhã uma sociedade verdadeiramente consciente, informada e interventiva?»

Muito sem quase nada.

sexta-feira, 10 de abril de 2026 · Temas: , ,

A minha cidade está um deslumbre. Os estaleiros das obras de mais uma linha do metropolitano, espalhados um pouco por toda a baixa, parecem finalmente devolver o espaço, renovado, ao trânsito e aos peões. A intensa renovação do edificado é uma realidade visível e, à boleia do turismo, não há na baixa uma loja vazia. O comércio floresce adaptado ao turismo, mas com um toque portuense. Claro que à mistura, também lá estão as cadeias de lojas que se veem em todo o lado, mas não chegam a abafar o espírito comercial empreendedor, e até irreverente, de toda a baixa.


Claro que tudo isto tem custos irreparáveis, talvez pela velocidade que não permitiu conciliar habitantes e comércio de décadas com a chegada do turismo, expulsando-os das freguesias da zona histórica, ao ponto de quase não restarem habitantes. Foi isso que ouvimos no Centro Social de S. Nicolau, que atua na área de uma forma rica e polivalente. Aliás, a nossa ida prendeu-se com um convite que lhe endereçámos para estar presente nos Jardins do Diálogo, no próximo dia 20 de maio, nos jardins da ESL.

Voltamos ao palco.

quinta-feira, 19 de março de 2026 · Temas: ,

Pudera eu começar as minhas aulas em setembro com um teatro, e o ano letivo seria diferente. No palco, nas atividades, no Estúdio A ou em ações de campo, perceciono os alunos de um ângulo diferente daquele que uma sala de aula nos deixa perceber. Observo o modo como se relacionam, a ligação mais ou menos solta que têm comigo e uma série de aspetos da personalidade que só são possíveis de entender num contexto que não a sala de aula. Há alunos que surpreendem pela diferença; outros são uma versão idêntica à que apresentam na sala.


E por mim falo, que não me diferencio muito consoante o espaço. Não consigo ser formal e, em ambos os contextos, detesto a normalidade. Tento transmitir esta minha maneira de ver as coisas, que não é contrária à aprendizagem e é útil à inovação. Há quem não entenda isto, precisamente por ser normal. Contudo, é exatamente essa dose de "anormalidade" que faz os alunos subirem ao palco e ao teatro; um salto que lhes desenvolve a oratória, os desinibe por completo e lhes puxa, irremediavelmente, pela imaginação.

Saímos com chuva, voltamos com sol.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026 · Temas: , ,

Saímos com chuva, voltámos com sol é a metáfora deste dia preenchido pela visita de estudo, que tive o prazer de acompanhar. Até porque é sempre muito confortável participar nas visitas de estudo em que não sou responsável pela organização, limitando-me ao papel de vigilante e acompanhante.



Com a energia típica do oitavo ano, explorámos o monumental Mosteiro de Tibães e, a escassos quilómetros dali, o Museu dos Biscainhos. Ambos os locais serviram de excelente cenário para que os alunos pudessem observar de perto a enorme expressão e riqueza que o estilo barroco assumiu na cidade de Braga.

O Halloween à portuguesa.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025 · Temas: , ,

Gosto do Halloween porque, em parte, deriva daquela alegria folclórica das colheitas, do enchimento dos celeiros, das adegas e das despensas, que previnem o frio e a demência do inverno. E como vivo numa região onde, felizmente, isso ainda é uma realidade, o contágio é simples.



Por outro lado, não posso esquecer que trabalho numa escola, onde a absorção de “coisas” estrangeiras é um facto. Que o digam os meus “produtos” de 7.º, 8.º e por aí fora, que, à custa de sabe-se lá Deus do quê, até coreano sabem falar, mas talvez ainda não saibam onde ficam as Coreias.

Ora, esta fusão de outono e colheitas, aliada à trend vinda dos EUA, resulta numa coisa engraçada que só é visível nas escolas: o Halloween à portuguesa. É como quem diz, uma misturada de aranhas e vampiros recortados à tesoura e colados em tudo o que é canto, abóboras de papel crepe, por ser mais barato, e disfarces que se confundem com personagens de animes japoneses.

Perante tal magnetismo, é impossível a indiferença e, por isso, contribuo mais uma vez para o frenesim vivido na minha escola, colando morcegos, caveiras e árvores tétricas nas vitrines da Biblioteca, para que todos possam sentir o terror da quadra.

Gaiola de loucos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025 · Temas: , ,

Há um parque municipal bem perto da minha casa onde os dias de outono convidam a caminhar. A pé, o percurso faz-se quase inteiramente em passeio pedestre, cruzando casas, dois ou três cafés, bouças e até uma escola secundária. A meio do percurso, foi grafitada, há um par de anos, uma frase que nunca me deteve, até hoje. Parei, fotografei e continuei, abstraído do caminho, procurando dar sentido à frase e, nos dias que correm, nunca foi tão fácil fazê-lo.



Quatro curtas pelo Clube de Cinema da Escola.

terça-feira, 24 de junho de 2025 · Temas:

Queres viajar sem sair da sala? Então aparece na Casa da Cultura da Lixa na próxima sexta-feira, dia 27 de junho, às 19h. O Clube de Cinema do Porto tem 4 curtas-metragens espetaculares para te mostrar! Larga o ecrã do telefone e vem para a tela de cinema! Encontramo-nos lá? :) Ah! E a entrada… é gratuita!

Mistérios na Quinta dos Pacóvios.

domingo, 15 de junho de 2025 · Temas: ,

Esta fantástica peça teatral centra-se na família Pacóvio, dois irmãos idosos em constante discussão sobre o destino das terras herdadas, e especialmente sobre as cenouras que aparecem misteriosamente plantadas... A trama inclui, ainda, personagens como: a vizinha bisbilhoteira, um vendedor de cenouras, um fantasma, um agrónomo modernizador e até uma inspetora agrícola. Como irão perceber, a narrativa progride com conflitos, revelações e a eventual união dos irmãos, levando à formação de uma cooperativa agrícola, e a um final festivo, celebrando a colaboração e o renascimento da quinta. Divirtam-se!

Pérolas e Porcos.

quinta-feira, 12 de junho de 2025 · Temas: ,

Temos o prazer de apresentar a família Aleluia, que vive numa quinta rural com muitos porcos, enfrenta problemas devido ao cheiro dos animais, o que causa conflitos com vizinhos, inspetores sanitários e até turistas. Perante a ameaça de fechar a produção, a mãe, Alice, decide transformar o cheiro em algo positivo. Com a ajuda de um amigo perfumista, a família cria um perfume exclusivo chamado "Essência do Alentejo", que se torna um sucesso inesperado e muda a vida da família...

Teatro Rural.

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Andamos há muito a insistir neste ensino diverso, que não se reduz à sala de aula e não tem medo de arriscar. Fazêmo-lo, também, porque nem toda a "lartixa chega a jacaré" e, mesmo que chegue, num país anémico de empregos bem remunerados, talvez impõe-se ousar repensar a formação média, com qualidade e soft skills, que nunca são de mais, que essa sim, faz falta e o país necessita.



Damos aulas ao lado de quem não vê as coisas da mesma forma, ora por preguiça disfarçada na inflexibilidade de um programa a cumprir, ora por convicção. Estes últimos acham que rigor é o teste, a ficha, a média ponderada cientificamente numa tabela de Excel, algo que consideramos importante, mas manifestamente insuficiente. Nestes anos de ensino, temos observado que os alunos reagem de forma diferente consoante o estímulo de aprendizagem. Um jogo didático, um teatro ou um trabalho de estúdio conseguem medir, transformando, aquilo que a percentagem de uma ficha de avaliação não alcança.

Numa sociedade onde os valores se esfumam na desordem das redes sociais, povoada de jovens desencantados, talvez esta nossa visão de um ensino verdadeiramente articulado, de contacto, superação prática e centrado em projetos, seja parte da solução.

Quanto aos nossos queridos alunos, mesmo aqueles que, por razões várias, não participaram, deixamos aqui o nosso apreço e orgulho pelo que todos fizeram culminar na tarde de ontem. Vimos, no palco e nos bastidores, improviso, adaptação, alegria e conhecimentos. Afinal, não é isto que o ensino deseja?

O Desfile da Bicharada.

domingo, 8 de junho de 2025 · Temas: , ,

O nosso mundo é povoado por bichos! Uns são grandes, outros pequenos, uns envergonhados, outros garridos, mas todos com direito, ou pelo menos com a possibilidade, de conquistar um lugar no fabuloso Desfile da Bicharada, que animou a Escola Secundária da Lixa na passada terça-feira à tarde.



A bicharada desfilou naquele espaço onde o Eco-Escolas instalou hotéis de insetos, pregando a fé ecológica, e nenhum deles se incomodou com as flores silvestres ou com o cabelo caído das bétulas, que a Direção, a propósito da missa de final de ano, concordou em cortar para não atrapalhar a visão do altar. Como dissemos, há muitos tipos de bicharada, incluindo aquela que é desprovida de capacidade de mexer o pescoço e com visão turva.

Entre uns e outros, preferimos os primeiros. Foi por eles que o professor Rui Alas idealizou esta atividade, integrada no Dia das Expressões, que contou também com uma deliciosa exposição de estátuas de bichos variados, feitas em papel machê, e que se encontram em exibição na escola, para qualquer bicho ver.

Folia e cultura.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025 · Temas: ,

Se há um aspeto marcante da Feira Multicultural que realizamos, foi o entusiasmo contagiante que a música e a dança provocaram em alunos, funcionários e professores. Esse envolvimento deve-se, em grande parte, à falta de oportunidades para dançar na escola, sobretudo nos tempos livres dos alunos. Além disso, a gastronomia – mais ou menos mundial – também brilhou, graças ao talento e dedicação de um grupo de jovens cozinheiros em início de carreira.

Deuses em palco.

quinta-feira, 1 de junho de 2023 · Temas: ,

 Estamos realizados com o teatro que deuses, deusas e personagens da laia comum levaram à cena no pequeno auditório da ESL, e muito! E mesmo que o propósito geográfico, um imbróglio climático, tenha surgido à míngua no meio de um casamento e um cabeleireiro do Olimpo, a simplicidade das soluções criativas são bem mais do aquilo que pedíamos. São, na verdade, a materialização de uma aposta na criatividade e diferença que fizemos nesta geração, que ainda se molda, e que nos larga agora rumo a outras mãos e métodos.



Convencidos e convencer.

sexta-feira, 5 de maio de 2023 · Temas: ,

Estamos cada vez mais convencidos que convencer alunos a ler, passa por desbravar aquilo a que se propõe a escrita. Isto não é novo, é algo que milhares de professores fazem todos os dias, aqui e acolá. Contudo, o modo e o contexto em que ensinamos a ler, e talvez o incentivo, possa ser repensado. A fórmula comum já não nos parece cativar, e muito menos ombrear com outros estímulos; há que colocar objetivos na leitura, como se de um jogo por níveis se tratasse, onde só a leitura cabal permitisse o acesso outros níveis, mas sem "cheats"!

Bom tempo para ler.

domingo, 16 de abril de 2023 · Temas:

O ano letivo voou num ápice! Por isso, aproveita o que dele resta para te dedicares / iniciares (riscar o que não interessa) à leitura, seja lá onde for, com quem for, e até sobre o que for (...). Portanto, ainda vais a tempo de desintoxicar esse teu cérebro dormente, adicionar-lhe uns gadgets e torná-lo útil a ti mesmo e à sociedade, que é aquela "coisa" que anda à tua volta e trabalha para ti. Mexe-te, mandrião!

Sê o que a imaginação quiser.

quarta-feira, 12 de abril de 2023 · Temas:

Foi-nos encomendado uma série de vídeos promocionais sobre a iniciativa «Escola a Ler». O nosso cliente, exigente, sábio e culto, pediu que promovêssemos, à mistura com encomenda, algumas obras do Plano Nacional de Leitura. Para facilitar o trabalho, consignou-nos uns belos modelos femininos de uma turma de 11.º ano de escolaridade, que tornam o trabalho num prazer. Assim, este é o segundo spot de uma série cujo lema e «envolvida pela imaginação».

Coisas simples.

segunda-feira, 10 de abril de 2023 · Temas: ,

No meio do turbilhão de atividades, normalmente deixadas para a última semana de cada período de aulas, surgem, por vezes, atividades singelas, despercebidos da maioria da escola, mas que se constituem com uma importância idêntica a um grande evento desportivo ou cultural. O Grafema a Grafema, realizado no final do mês passado no Estúdio B, é um belo exemplo disso.  Conseguiu agregar alunos de sensibilidade diferente da norma, que talvez não se identifiquem com o frenesim, e o resultado é o que menos importa. 


E se ali se realizou, é porque a Biblioteca da ESL é um espaço pródigo deste tipo momentos, onde se misturam alunos, professores, auxiliares e até convidados. Na verdade, já não é apenas o espaço silencioso dos livros e do estudo; é uma espécie de grande sala de aula, um laboratório de ideias e atividades que se cruzam e interajudam, naquilo que podemos chamar sociedade. Afugenta a dependência dos telemóveis, a vaidade em círculos, o convívio ao molhe e telemóvel na mão; e estimula o trabalho colaborativo, criativo e aguça o engenho.

Tertúlia geográfica #1.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023 · Temas: , ,

No próximo dia 25 de janeiro, retomamos as tertúlias organizadas pelo grupo de Geografia da Escola Secundária da Lixa. No passado ano letivo dedicamos uma ao tema do turismo inclusivo, e outra, ao "direito a reclamar". E se ambas começaram com o tema proposto, definitivamente não terminaram nele, tal como é a essência de uma boa tertúlia, sendo que a experiência foi ótima para trocar ideias, ouvir gente com valia e recordar pessoas que já não víamos há muito. 


Esta primeira edição, que parte da estação #1A importância das viagens de estudo - não pretende, à semelhança, por ali ficar, até porque os nossos convidados são pessoas tão experientes nesta "arte" de viajar com causa e conhecimento, ou simplesmente por prazer, que não nos atrevemos a adivinhar o destino desta primeira edição. Por isso, estão todos convidados a aparecer e participar, começa às 15 horas, na biblioteca da ESL.

Espelhos perante o olhar.

segunda-feira, 14 de junho de 2021 · Temas: ,

Na última edição do Upa! entrevistamos a Kelly, cujo talento permite dedicar uma exposição de retratos, espelhos de cada dia e momento, sob a forma de um rosto ou olhar. Não há só talento, há sensibilidade que se exprime em arte de carvão ou tinta preta, pouca cor, e papel. São aqueles que vão estar patentes no átrio da Escola Secundária da Lixa, durante o próximo mês, a inspirar o dia de quem os vê.