Não me recordo de ter deixado uma publicação sem palavras, mas custa-me acrescentar algo ao que escrevi, a pedido, para a segunda edição do "A Utopia", que preconizou tudo o que aconteceu na primeira edição dos Jardins do Diálogo.
«Assombra-me este tempo em que a velocidade da informação atropela a profundidade do pensamento; ando confuso. Por isso, dialogar com os mais jovens, e fazê-los dialogar entre si sobre a imensidão de assuntos da sociedade, é uma urgência cívica. Não basta transmitir conhecimento, é imperativo sair da sala e criar espaços onde ele seja testado e transformado em ação. Isto porque a cidadania constrói-se na troca de argumentos e na coragem de questionar o estabelecido.
É precisamente com esta visão
que, no próximo dia 20 de maio, transformaremos os espaços exteriores da escola
no local dos "Jardins do Diálogo - uma rede de ideias". Nascida no
seio da Escola Secundária da Lixa e dinamizada em estreita parceria com o
GRITAH, esta iniciativa materializa a vontade de retirar o debate das quatro
paredes de uma sala de aula. A escolha dos jardins não é, portanto, inocente:
procuramos o conforto, um ambiente aberto e informal que dissipe as hierarquias
tradicionais e convide à genuína participação ativa.
Toda a logística foi desenhada
para promover a troca dinâmica de ideias. Organizados por blocos de aulas, os
alunos circularão por diversas mesas de debate espalhadas num belíssimo recanto
dos jardins da escola. As discussões incidirão sobre temas fundamentais como a
cidadania política, o voluntariado e a complexa relação entre arte e política.
De curta duração, os debates permitem que cada jovem tenha a liberdade de
escolher os temas que mais o inquietam, participando em múltiplos momentos e
exercitando a construção de argumentos lógicos, racionais e críticos.
Esta colaboração com o GRITAH é um passo que vai ao encontro daquilo que entendo dever ser uma certa parte da escola: preparar a nossa comunidade estudantil para o escrutínio e debate público, fomentando também o espírito de solidariedade. Afinal, se não criarmos hoje, nestes jardins, o hábito da palavra livre e ponderada, como conseguiremos amanhã uma sociedade verdadeiramente consciente, informada e interventiva?»

