A minha nova Estação Meteorológica.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026 · Temas: ,

Sempre fui entusiasta da montagem e instalação de estações meteorológicas de baixo custo, do tratamento de dados e de toda a perspetiva pedagógica que estas permitem. A primeira que instalei, uma Oregon Scientific, foi há cerca de 15 anos, ainda nas antigas instalações da Escola Secundária da Lixa, antes da intervenção da Parque Escolar.

Na altura, existiam apenas dois ou três destes equipamentos (amadores) instalados a norte do Douro e só em fóruns estrangeiros se conseguia resolver qualquer questão técnica. Exigiam um computador dedicado e a configuração da ligação à internet e a respetiva manutenção eram tudo menos simples.

Há uma mão-cheia de anos, as marcas brancas (de produção chinesa) chegaram ao mercado e tornaram estes instrumentos muito mais amigáveis, quer na instalação, quer no modo de consulta e apresentação dos dados. Hoje, com o telemóvel e em poucos minutos, conseguimos pôr uma estação meteorológica a funcionar e a transmitir dados de temperatura, precipitação e vento, entre outras variáveis, com recurso a gráficos ou tabelas muito detalhadas.

Não obstante esta facilidade, há sempre problemas a resolver: a transmissão de dados que falha, a bateria que necessita de substituição, o udómetro que entope ou a simples necessidade de limpeza (as aranhas adoram fazer teias nela). Ora, face a esses contratempos, e durante anos, consegui aceder à estação que estava instalada na cobertura da minha escola e resolver o que havia para resolver. Mas tudo mudou quando deixei de o poder fazer e passei a ter de pedir (nem sei bem a quem) para fazer o que sempre fiz. Desisti e interrompi um projeto pedagógico que apresentava uma série de 14 anos de dados, os quais já permitiam fazer comparações e análises um pouco mais detalhadas. Enfim.

Resolvi comprar uma para mim e, finalmente, consegui montá-la em minha casa durante esta pausa. Os dados estão disponíveis através de um link (aqui no Geopalavras) e tenciono fazer as análises mensais e anuais que fazia com os dados da sua "prima" da ESL, que agora jaz no telhado, à mercê dos técnicos que vagueiam pela escola.

Chuva, chuva, chuva!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025 · Temas: ,

Querido aluno, não sei se hoje conseguiste apanhar sol e fabricar um pouco de vitamina D para fortalecer o cálcio dessa tua caixa craniana que, tal como o teu cérebro, tarda em mostrar sinais de crescimento. Se não o fizeste, tão cedo também não vais ter oportunidade, pois a previsão do estado do tempo para a próxima semana indica a passagem contínua de superfícies frontais, afetando sobretudo o noroeste da Península.


As primeiras frentes chegam já amanhã, dia 2, empurradas por um (delicioso) vento fresco de noroeste que trará chuva intensa. Nos dias seguintes, as massas de ar sucedem-se sem grande trégua, trazendo frio e humidade.

Em suma, espera-te uma semana de outono, quase inverno, no seu estado mais clássico. Perfeita para te aconchegares com um bom livro; isto, claro, se o teu cérebro permitir!

Brrrrrrrrrrrrr... frio!

domingo, 16 de novembro de 2025 · Temas: ,

As previsões para a próxima semana apontam para a chegada de ar bem mais frio. Não se trata daquele frio seco, continental, que os generais outono e inverno tantas vezes comandam a partir de leste, mas sim de um fluxo vindo de norte e nor-noroeste: marítimo, frio e húmido.


Esta configuração resulta da deslocação de um anticiclone para o Nordeste do Atlântico, justamente o “pódio” onde, durante a última semana, se instalou confortavelmente a depressão Cláudia. Pelos vistos, é um excelente local para estadias prolongadas de sistemas de pressão, tal é a rotatividade com que ali se acomodam e moldam o tempo na Península Ibérica e em boa parte da Europa Ocidental. 

posição daquela alta pressão, combinada com a depressão a norte da Europa, abre um corredor de ar polar oceânico que se desloca para sul em direção à Península, como se vê destacado na imagem, trazendo uma massa de ar frio, períodos de chuva e até neve em Espanha, e uma descida geral da temperatura.

Portas abertas às frentes frias.

terça-feira, 4 de novembro de 2025 · Temas: ,

Estamos em pleno outono! O frio ainda não aperta, as árvores de folha caduca começam agora a estiolar por completo e nós, finalmente, voltamos a vestir aquela peça de roupa que tínhamos arrumado no início da primavera.



O estado do tempo previsto para os próximos dias é um clássico climático desta época do ano: a presença de uma depressão atlântica centrada a oeste da Península Ibérica, com um sistema frontal bem definido a aproximar-se de Portugal continental, uma vez que o Anticiclone dos Açores se encontra deslocado para sul, enfraquecendo o bloqueio habitual sobre o Atlântico Nordeste.

A sua passagem deverá trazer chuva forte, sobretudo às regiões do litoral norte e centro de Portugal continental, vento moderado a forte e possibilidade de trovoadas. Atrás da frente fria, a partir de quinta-feira, prevê-se uma rotação do vento para noroeste e uma descida gradual da temperatura.

Em suma, quando o Anticiclone dos Açores se arruma a sul e perde força, as frentes frias aproveitam o corredor atlântico e atingem Portugal com chuva, vento e arrefecimento, num retrato perfeito do outono atlântico.

Temperaturas dos meses de julho e agosto.

quarta-feira, 10 de setembro de 2025 · Temas: ,

Retomado o início do ano letivo, volto agora na primeira pessoa, às análises meteorológicas, focando apenas a temperatura destes dois últimos meses de verão, vista a quase nulidade da precipitação deste período. Empiricamente, posso dizer que foi um período muito quente, pautado por prolongadas ondas de calor relatadas pelo IPMA. 


No entanto, para aplicar a fórmula adotada por aquela entidade e calcular aquele fenómeno, são necessários valores de referência, as médias máximas diárias obtidas num período de referência. Ora, por não possuir aqueles, apliquei simplesmente a seguinte fórmula: a devolução dos dias cuja temperatura mínima não tenha descido abaixo 20 °C, fenómeno a que dominamos por noites tropicais. Considerando-a, verificaram-se três períodos ocorridos durante os dois meses em causa: de 1 a 5 de julho, de 30 de julho a 6 de agosto, e de 10 a 15 de agosto. Ou seja, cerca de 19% do total de dias deste par de meses estivais, verificaram esta situação gravosa e extrema.

A temperatura máxima ocorreu no dia 3 de agosto, com 39,5 °C, que terá contribuido para a média diária do perído em análise mais elevada, com o valor de 30,1 °C. A mínima mais elevada ocorreu no dia 4 de julho, quando o temómetro não desceu abaixo dos 24,9 °C.

Anomalias térmicas de junho.

sábado, 12 de julho de 2025 · Temas: , ,

O mapa intitulado Anomalias e extremos na temperatura do ar à superfície (17 de junho a 2 de julho), produzido pelo Copernicus Climate Change Service, mostra variações de temperatura relativamente à média climatológica para o período.




Geograficamente, destaca-se um forte contraste térmico entre o oeste e o leste da Europa. A Europa Ocidental, Central e Meridional, incluindo Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Reino Unido, Irlanda e Benelux, que apresenta extensas áreas com temperaturas muito acima da média, em tons de vermelho-escuro. Este padrão reflete a ocorrência da onda de calor que afetou grande parte da Europa na passada semana, com especial incidência no denominado western european domain, uma área de interesse especial pela sua vulnerabilidade crescente a eventos climáticos extremos.

Em contraste, o norte e leste da Europa, incluindo a Escandinávia, os países bálticos, a Rússia e partes da Ucrânia, registaram temperaturas significativamente abaixo do normal, manifestas em tons de azul. Ora, este gradiente térmico leste - oeste aponta para a presença de sistemas atmosféricos contrastantes, o anticiclone dos Açores e depressões a leste, impulsionadas e pelo comportamento anómalo do jet stream.

Em suma, a simultaneidade de calor extremo a oeste e anomalias frias a leste ilustra a crescente desorganização dos regimes atmosféricos tradicionais, um fenómeno cada vez mais frequente e intenso devido às alterações climáticas. Tal realidade sublinha a necessidade urgente de estratégias eficazes de adaptação e mitigação em todo o continente europeu.


Dia da meteorologia.

quarta-feira, 2 de abril de 2025 · Temas: ,

O município de Felgueiras decidiu assinalar o Dia da Meteorologia, convidando as várias escolas e institutos afetos ao programa ZEUS a participarem numa sessão que decorreu no auditório da Biblioteca de Felgueiras, no passado dia 25 de março.

A nossa escola participou com uma equipa criativa e dedicada de alunos do 9.º ano de escolaridade – a Francisca, a Jéssica, a Matilde e o Rúben –, que, sob a orientação do professor Ricardo (Geografia), analisou dados da nossa estação meteorológica referentes a 2024. Para o efeito, elaboraram gráficos e produziram, no Estúdio A, um vídeo ilustrativo que demonstra como a meteorologia pode ser, ao mesmo tempo, fascinante e divertida!

Abril com águas mil.

domingo, 30 de março de 2025 · Temas: ,

O bom tempo que a primavera nos trouxe na última semana está prestes a acabar. Consultámos várias fontes e modelos de previsão meteorológica, que são unânimes em prever o regresso da chuva a Portugal Continental já na próxima quarta-feira, dia 2 de abril. Aliás, espera-se uma sucessão de sistemas frontais a atravessar a Península, prolongando a precipitação pelo menos até domingo.



Temperatura e precipitação de 2024.

quinta-feira, 6 de março de 2025 · Temas:

Submetemos os dados registados em 2024 (com exceção de janeiro, fevereiro e parte de março) pela estação meteorológica da Escola Secundária da Lixa ao NotebookLM, uma ferramenta de inteligência artificial destacada por nós no Geopalavras. Com base na análise gerada, sobretudo a estatística, redigimos esta leitura dos dados referentes ao ano passado, ainda que desfalcados de cerca de dois meses.

 

Os dados meteorológicos de 2024 refletem as variações climáticas sazonais esperadas, com um verão quente e seco e um período mais fresco e húmido entre o outono e a primavera. Os meses de verão (junho, julho e agosto) apresentaram as temperaturas mais elevadas, com máximas a atingir os 37,2 °C (registados a 4 de julho) e médias diárias frequentemente acima dos 20 °C (por exemplo, no mesmo dia, com uma média diária de 27,2 °C).

A primavera (março, abril e maio) revelou uma tendência de aumento gradual das temperaturas. Em contraste, o outono (setembro, outubro e novembro) e o início do inverno (dezembro) registaram temperaturas mais amenas e progressivamente mais baixas, com mínimas a descer até 1 °C (registado a 21 de dezembro). Além disso, as maiores amplitudes térmicas diárias ocorreram durante a primavera e o outono, como se observa em dias como 12 de março, quando a temperatura máxima atingiu 19,1 °C e a mínima desceu para 1,8 °C.

Relativamente à precipitação, 2024 apresentou a distribuição irregular habitual. Os meses de março, abril, maio, junho, setembro, outubro, novembro e dezembro registaram valores consideráveis de precipitação acumulada em determinados dias. Em contrapartida, os meses de verão, sobretudo julho e agosto, foram marcados por períodos secos, com longas sequências de dias sem chuva. Aliás, em agosto não se registou qualquer precipitação.

Alguns valores climatológicos de destaque:

  • Dia mais quente: 04/07/2024, com uma temperatura máxima de 37.2 °C.
  • Dia mais frio: 21/12/2024, com uma temperatura mínima de 1 °C.
  • Dia com maior precipitação acumulada: 10/06/2024, com 50.29 mm.
  • Dia com a maior rajada de vento: 27/03/2024, com velocidade de 43.9 km/h.
  • Dia com a maior pressão atmosférica: 12/15/2024, com 1022.93 hPa.
  • Dia com a menor pressão atmosférica: 10/09/2024, com 981.61 hPa.

Depressão Herminia.

domingo, 26 de janeiro de 2025 · Temas: ,

A tempestade Herminia está a ser medida pela estação meteorológica da Escola Secundária da Lixa, que nos mostra, até cerca das 19h30, ter caído cerca de 30 mm de precipitação, que significam 30 litros por cada metro quadrado. Por volta das 18h, verificou-se uma rajada de vento na ordem dos 70 km por hora, isto num dia em que a chuva e o vento não deram tréguas, e prometem continuar até ao final da próxima terça-feira, segundo as mais recentes previsões.  


A temperatura de novembro passado.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024 · Temas:

Os dados meteorológicos recolhidos pela estação meteorológica da Escola Secundária da Lixa ao longo do mês de novembro (com um hiato entre os dias 15 a 19, por falha técnica), permitem concluir um valor médio mensal na ordem dos 14,2 °C, ou seja, 1,4 °C acima do valor de referência para o mês. O gráfico de análise dos valores médios diários do mês mostram, globalmente, uma tendência na diminuição da temperatura média. Não obstante, verificaram-se dias de temperatura bem acima da média mensal, inclusivamente no último terço mensal.

Destaque-se o dia mais quente do mês, 6 de novembro, com uma temperatura máxima de 23,6 °C, e o dia mais frio, 13 de novembro, com uma mínima de 5,4 °C. Isto num mês que se caracterizou por muita instabilidade atmosférica, onde as massas de ar sarianas alternaram com correntes atlânticas, criando uma oscilação entre condições secas de chuvas intensas.

Análise de um outubro chuvoso.

sábado, 2 de novembro de 2024 · Temas:

Os dados registados pela estação meteorológica da ESL referentes a outubro, revelam um mês chuvoso, com uma precipitação total de 297,26 mm, amplamente acima do valor de referência situado em 150 mm. Aquele valor expressivo deve-se, em parte, ao acúmulo verificado nos dias 6, 8 e 9 de outubro, com volumes de 50,29 mm, 53,59 mm e 44,70 mm, respetivamente, indicando eventos significativos de chuva que ocorreram no início do mês.


Naquilo que se refere à temperatura verificada ao longo do mês, registe-se a temperatura máxima verificada no dia 13 de outubro, com 25,8 °C, e no final do mês, no dia 27, a menor, com 6,5 °C. A média mensal situou-se nos 17,7 °C, um valor próximo da referência (17,5 °C) e, portanto, coerente para o início do outono, que naturalmente mostra uma leve tendência de queda.

Um ciclone moribundo e muita chuva.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024 · Temas: ,

A semana que ontem começou, trouxe chuva que promete ficar até ao início da próxima, pelo menos! É o outono a sê-lo sem hesitações, oferecendo daquela chuva difícil de enxugar e sem tornar o frio num problema. Segundo uma série de modelos de previsão atmosférica que consultamos hoje no VentuskyWindy e no MeteoBlue, a unanimidade em torno de uma previsão de uma semana de chuva é total, acrescentando o Kirk... Este ciclone esteve a afetar os Açores e prevê-se chegar ao largo da costa ocidental continental na próxima terça-feira, trazendo muita chuva e vento forte. Nos dois dias seguintes preveem-se tréguas, mas também a "promessa" de chuva, que retornará em força durante o fim de semana; preparem-se!



Temperatura e precipitação de setembro.

quinta-feira, 3 de outubro de 2024 · Temas:

Analisando os valores do passado mês de setembro registados pela estação meteorológica da Escola Secundária da Lixa, verifica-se que quer a temperatura média, quer o valor total de precipitação, distanciaram-se dos valores de referência (2012-2020). A média da temperatura do mês foi de 17,9 °C, ou seja, 3,5 °C inferiores da média de referência e, no que à precipitação diz respeito, o valor de precipitação total registada ao longo deste último mês corresponde a mais do dobro da média de referência (128,71 mm para uma média de 49 mm).

Nas mãos do clima.

terça-feira, 24 de setembro de 2024 · Temas: ,

Portugal continental, a norte do Mondego, foi fustigado por incêndios rurais entre os passados dias 12 e 20 de setembro. Após um verão sem grandes ocorrências continentais do género, a pergunta que se faz é: o que falhou entre aquelas datas? Os meios que ocorreram aos incêndios são os mesmo que estavam no terreno há meses, a prontidão era alta dados os avisos de véspera emitidos pelo IPMA, mas a catástrofe ocorreu. O que falhou então? A resposta é uma, o estado de tempo


Durante aqueles dias a direção do vento mudou, passando a soprar de leste, e a sua velocidade média aumentou; por consequência, a temperatura aumentou e a humidade relativa do ar diminuiu. No espaço de um dia criaram-se as condições perfeitas para incêndios indomáveis, que só amainaram com uma nova mudança das condições atmosféricas: uma nova direção do vento, de oeste, um aumento da humidade relativa e uma diminuição da temperatura.

Posto isto, levanta-se a questão, o que há mais a fazer para que estes traumas não ocorram da forma trágica como ocorreram? Aumentar o dispositivo humano de meios de prevenção / combate? Maior sensibilização / informação da população perante o perigo de incêndios rurais? Ou repensar o mosaico florestal? Quanto às duas primeiras perguntas, não nos parece haver muito mais a fazer, ou que pelo menos o país tenha capacidade de fazer. Já quanto à última questão, há muito que trabalhar. Repensar a floresta é, quanto a nós, a resposta a esta inevitabilidade estival que se acentua cada vez mais de um modo dramático.

A temperatura de julho e agosto.

segunda-feira, 9 de setembro de 2024 · Temas:

Os meses de julho e agosto são por norma aqueles que apresentam valores de temperatura mais elevados. De facto, se julho registou no dia 23 a temperatura máxima mais elevada do ano, até ao momento, com 38,1 °C, a média mensal de agosto, situada nos 22,2 °C, é, por sua vez, também a maior do ano. O desvio padrão, relativamente à média de temperatura destes dois meses, situa-se em 3,3 °C, o que atesta a oscilação diária que definiu o bimestre. A média da amplitude térmica diária situou-se nos 12 °C, isto para um média das máximas de 28,9 °C e das mínimas de 16,3 °C.

A subjetividade térmica.

terça-feira, 23 de julho de 2024 · Temas: , ,

A estação meteorológica da Escola Secundária da Lixa, registou hoje, e até ao momento, a temperatura mais elevada do verão: 38,1 °C, pelas 17h09min. Aliás, experimentamos temperaturas muito elevadas ao longo do dia, fruto de uma corrente de leste que deverá continuar mais uns dias, segundo vários modelos de previsão que hoje consultamos.


Mas se a temperatura máxima que divulgamos é factualmente elevada, para muitas pessoas nem por isso se torna incómoda, ou desconfortável, do ponto de vista térmico. Há uma ideia comum de temperaturas "quentes" ou "frias", mas cada pessoa tem uma maneira diferente de lidar com elas. Esta subjetividade depende de vários fatores que podem agir sozinhos ou juntos.

Primeiro, os aspetos ligados ao estado psicológico de cada um, visto que o estado emocional pode influenciar a perceção de temperatura. O stresse, a ansiedade, a felicidade ou tristeza, podem afetar como nos sentimos relativamente ao calor ou frio.

Segundo, o metabolismo, independentemente do sexo, idade, peso e altura. As pessoas com metabolismo mais rápido podem sentir mais calor, enquanto aquelas com metabolismo mais lento podem sentir mais frio. De acordo com um artigo publicado na revista Transactions of the American Clinical and Climatological Association, as temperaturas corporais mais altas estão associadas a um aumento do metabolismo, indicando que a temperatura corporal é um indicador confiável da taxa metabólica.

Terceiro, a privação do sono, que pode tornar-nos mais vulneráveis à perda de calor, com uma capacidade reduzida de aquecimento, mesmo com temperaturas que se supões estarem associadas ao conforto térmico.

Quarto, as experiências pessoais, que moldam a tolerância e/ou preferências perante a temperatura. Alguém tenha crescido num clima frio pode ter uma perspetiva diferente de alguém que viveu num clima quente. Para os seres humanos, a temperatura ambiente ideal para o conforto pessoal é geralmente de cerca de 22 °C, os ambientes que se desviam significativamente deste valor tendem a ser considerados demasiado quentes ou demasiado frios, o que pode ser um fator importante que no desenvolvimento dos traços de personalidade, especialmente durante os anos de formação.

Quinto, a idade, que à medida que avança parece comprometer a termorregulação e a eficiência metabólica, levando a uma pequena redução da temperatura global com o envelhecimento.


Fontes consultadas:
- Júnior, Paulo; Sardeli, Amanda - The Effect of Aging on Body Temperature: A Systematic Review and Meta-Analysis;
- Landsberg L, Young JB, Leonard WR, Linsenmeier RA, Turek FW. - Do the obese have lower body temperatures? A new look at a forgotten variable in energy balance.
- Van der Linden S. - On the relationship between personal experience, affect and risk perception: the case of climate change.
- Auer SK, Salin K, Anderson GJ, Metcalfe NB - Individuals exhibit consistent differences in their metabolic rates across changing thermal conditions.
Scott A. McGreal MSc - Psychology Today - Does Regional Temperature Affect Personality?

Valores climatológicos de junho.

domingo, 7 de julho de 2024 · Temas:

Segundo os dados recolhidos pela estação meteorológica da ESL (meteoesl), a temperatura média do mês de junho, de 18,4 °C, situou-se 2,5 °C abaixo do valor de referência (20,9 °C). Foi um mês onde a temperatura média diária apenas ultrapassou os 15 °C médios em 4 dias, a temperatura máxima atingiu 34,7 °C e a mínima 9,2 °C. Não se verificou ao longo do mês uma tendência de aumento térmico, pelo contrário, a segunda quinzena (17,8 °C) foi mais fresca que a primeira (19,1 °C).

No que à precipitação diz respeito, o total de precipitação de 47,9 mm está próximo do valor de referência para o mês, situado nos 45 mm. Choveu em 10 dias do mês, com destaque para os dias 8 e 17, que corresponderam a 77,7% do total da chuva do mês. Nota-se uma certa correlação entre a diminuição da temperatura e a ocorrência de chuva, sobretudo a meio do mês, o que deverá estar relacionado com a ocorrência de chuvas frontais.


Ainda durante o mês de junho, o vento soprou tendencialmente de SSE, a uma velocidade média de 4,2 km/h; a média de humidade relativa do ar situou-se nos 77%, sendo que valor registado as correntes de leste, ocorridas no final do mês de maio, fizeram a média desta variável apresentar o seu valor mais baixo logo no primeiro dia de junho, com um valor médio de 42%.

Temperaturas de maio.

terça-feira, 4 de junho de 2024 · Temas:

A temperatura do mês de maio é normalmente contrastada, feita de grandes oscilações e amplitudes, que nos dão calor próprio do verão, e frio de inverno. Este último mês de maio provou tudo isto: registou-se uma temperatura máxima de 31,4 °C, e uma mínima de 5,2 °C, ou seja, uma amplitude mensal de 26,2 °C, algo que não se vislumbra nos restantes meses do ano onde as temperaturas extremas são mais esbatidas. Não obstante o estacionamento de um anticiclone no Golfo da Biscaia, que impôs uma corrente de leste, bom tempo e temperaturas elevadas, a média mensal situou-se nos 14,8 ºC (menos 3,3 ºC relativamente ao valor de referência para este mês).

Temperatura e precipitação em abril 2024.

sexta-feira, 3 de maio de 2024 · Temas:

O mês de abril, baseado nos valores de temperatura e precipitação obtidos pela estação meteorológica da Escola Secundária da Lixa (e-esl), apresentou um valor médio mensal de temperatura de 14,8 °C, equivalente ao valor de referência para este mês (14,7 °C). Destaquem-se os valores altos verificados entre os dias 11 e 21, cuja temperatura média situou-se nos 19,3 °C, com um valor máximo de 29,8 °C, alcançado no dia 13.


No que à precipitação diz respeito, o total do mês ficou-se pelos 53,8 mm, para um valor de referência de precipitação média de 121 mm. Acrescente-se que para aquele valor contribuíram, sobretudo, os primeiros 8 dias do mês, onde precipitou 97,6% da chuva mensal.