Pudera eu começar as minhas aulas em setembro com um teatro, e o ano letivo seria diferente. No palco, nas atividades, no Estúdio A ou em ações de campo, perceciono os alunos de um ângulo diferente daquele que uma sala de aula nos deixa perceber. Observo o modo como se relacionam, a ligação mais ou menos solta que têm comigo e uma série de aspetos da personalidade que só são possíveis de entender num contexto que não a sala de aula. Há alunos que surpreendem pela diferença; outros são uma versão idêntica à que apresentam na sala.
E por mim falo, que não me diferencio muito consoante o espaço. Não consigo ser formal e, em ambos os contextos, detesto a normalidade. Tento transmitir esta minha maneira de ver as coisas, que não é contrária à aprendizagem e é útil à inovação. Há quem não entenda isto, precisamente por ser normal. Contudo, é exatamente essa dose de "anormalidade" que faz os alunos subirem ao palco e ao teatro; um salto que lhes desenvolve a oratória, os desinibe por completo e lhes puxa, irremediavelmente, pela imaginação.

