Num passado não muito longínquo, havia mapas impressos em papel que, desdobrados ou desenrolados, ocupavam o tampo de uma secretária de trabalho. Alguns, usados nas salas de aula, eram inclusivamente reforçados por um tecido colado na parte de trás, que lhes conferia resistência e uma sensação de qualidade.
Havia também os mapas de estradas. Ao contrário dos primeiros, estes apresentavam escalas muito grandes e a folha apresentava-se dobrada múltiplas vezes, até se resumir ao tamanho de um pequeno manual. Antes do advento do GPS e das suas variantes com mapas de estradas digitais incluídos, era com estes mapas que se calculavam rotas e destinos, pontos de paragem e de descanso. Em ambos os casos, fazia-se a sinalização de lugares com alfinetes ou, simplesmente, com uns sarrabiscos sinalizadores. Estas marcas foram hoje em dia substituídas pelos famosos pinpoints do Google Maps, ou equivalente, e são passíveis de partilhar e apagar como se nunca tivessem existido.
Não obstante as vantagens do digital, há uma experiência que ainda não se alcança: traçar a rota e sinalizar locais a dedo, a par daquela visão de conjunto que só um mapa estendido no tampo de uma secretária permite. Havia algo de genuinamente romântico na imaginação que se soltava enquanto os nossos dedos percorriam as estradas desenhadas no papel, antecipando cada curva e desbravando o caminho muito antes de o corpo chegar ao destino.
Ora, tudo isto a propósito de um mapa que construí a partir de imagens do Google Earth, utilizando o Universal Maps Downloader, e que está disponível na Biblioteca da ESL para quem quiser localizar a sua casa com um alfinete fornecido. No final do ano voltarei com o resultado.

