O calor de leste.

quinta-feira, 16 de julho de 2026 · Temas: ,

A imaginação popular concebe o inferno com tons vermelhos, quente e cheio de caldeirões nos quais os pecadores são cozidos. Ora, não é necessário pecar para o experimentar, visto que ele nos visita com frequência através de algo chamado: cúpula de calor.

Este fenómeno já nos tinha visitado em finais de junho de 2025 e voltou a fazê-lo em finais de maio. Embora não tenha atingido os valores de temperatura da vaga de calor mais recente (entre 29 de junho e 6 de julho de 2026), confesso que suportei melhor esta última, embora tenha sido mais intensa e extrema.

A corrente de leste que a provocou trouxe consigo uma massa de ar de baixa humidade relativa, o que torna a tolerância ao calor mais suportável. O nosso corpo apenas consegue baixar a sua temperatura em ambientes quentes através da evaporação do suor. Durante uma cúpula de calor com elevada humidade relativa, o ar aproxima-se do ponto de saturação. Nessas condições, o suor não evapora, a pele retém o calor gerado pelo corpo e o índice de calor atinge níveis insuportáveis e potencialmente perigosos.

Por outro lado, numa vaga de calor mais seco, mesmo com temperaturas nominais superiores, a baixa humidade permite uma rápida e eficiente evaporação da transpiração, o que arrefece a pele e torna a situação fisicamente muito mais tolerável.

Colamos uns espanta-pássaros.

quarta-feira, 8 de julho de 2026 · Temas: , ,

Apesar do título, gosto, de uma maneira geral, de todos os pássaros. Dou-me bem com todos eles e cada um tem as suas manhas; vejamos: há "melros" a quem acho graça, pois são hábeis na arte de se esquivarem ao trabalho; quanto aos "pardais", juntam-se em bandos e têm muita dificuldade em entender-se; também lido com uma data de "gralhas" que falam de tudo e mais alguma coisa, e quase nada dizem de jeito; conheço ainda os "rouxinóis", que são uma delícia quando fazem e falam, e as "rolas", que voam sempre demasiadamente baixinho.

Não obstante, nutro um instinto de proteção por todos, carinho até, que necessita de ser exercido, caso contrário degrada-se. Falo tanto dos meus pássaros como dos verdadeiros, que sabem voar logo à nascença. E, como mais ninguém parece preocupar-se com eles, pedi ajuda a dois "passarões" para me ajudarem a colar uns espanta-pássaros nas janelas da escola viradas a norte. Ao contrário das janelas orientadas para os restantes pontos cardeais, nas setentrionais não existem palas metálicas que filtram a luz solar, logo não sinalizam o obstáculo aos pássaros, que acabam por sucumbir à força do impacto. É um espetáculo macabro a que ninguém gosta de assistir e que já se arrastava há demasiado tempo na escola.

4 de julho: 42,2 ºC.

terça-feira, 7 de julho de 2026 · Temas: ,

Esta última vaga de calor que o território continental enfrentou impressiona pelos valores de temperatura atingidos: máximos, mínimos e de sensação térmica, mas também pela sua duração. As ondas de calor são cada vez mais frequentes, já todos o sentimos na pele, mas a sua duração reduzia-se a 3 ou 4 dias. Desta vez durou 7 dias, com temperaturas mínimas muito altas, incapazes de recuperar algum conforto térmico durante a noite.

O formato deste calor não foi inédito, como já escrevi aqui, mas a força e a intensidade sim. Tratou-se de um episódio típico do nosso verão, quando o anticiclone dos Açores se posiciona a noroeste da Península e se estende em crista ao longo do Golfo da Biscaia, bloqueando sistemas frontais atlânticos e provocando uma circulação de ar seco de leste e quente, que fez disparar os termómetros nas regiões litorais.

Olhando para os valores, destaque-se a temperatura máxima, que atingiu o valor extremo de 42.2 ℃ no dia 4 de julho; a sensação térmica, que acompanhou esta subida e chegou aos 40.2 ℃; a temperatura mínima não desceu dos 25.6 ℃ nessa mesma noite e os registos noturnos mantiveram-se acima dos 20 ℃ durante quatro dias seguidos.