A última caminhada.

segunda-feira, 28 de março de 2016 · Temas: , ,

Não é a primeira vez que aqui escrevemos sobre o Tua, o belíssimo Tua, cujo vale será em breve inundado, dada a construção da barragem de Foz-Tua, perdendo-se, irremediavelmente, mais uma paisagem única no país. O rio, que resulta, curiosamente, da junção de dois afluentes, o Tuela e o Rabaçal, a cerca de 4 quilómetros a montante de Mirandela, oferece-nos um vale selvagem de elevado valor paisagístico e ecológico até à sua foz, no Douro (EIA AHFT, pg. 306), que concilia uma linha férrea de rara beleza e potencial turístico.

Enquadrameto regional da barragem de Foz-Tua

Não obstante, a barragem está quase construída e o vale não tardará a inundar terra pródiga em olivais, vinha de qualidade superior, e uma paisagem única.  Será que não havia outra solução para este pedaço transmontano que não o espelho de água? Ninguém nega a importância da potencialização energética permitida pela barragem e, sobretudo, a captação de água na albufeira. Mas no caso deste vale, com uma via férrea instalada e um Douro ali ao lado, não seria bem mais interessante uma outra abordagem. Definitivamente, sim.


Fonte: AHFT EIA  Vol. II

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O Rei!

segunda-feira, 21 de março de 2016 · Temas: ,

Conquistador de acenos, o Rei deambula de forma exímia perante as vénias esforçadas da multidão, que insuflam e alimentam o seu orgulho, empoeirado e diluído pelo tempo.  É, na verdade, um adorador da bajulação, uma arte antiga, que se trabalha pela surdina, conquista imensos praticantes e recruta os praticantes do alpinismo social! Viva o Rei!

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Isócronas a partir de Lisboa.

domingo, 20 de março de 2016 · Temas:

Adoramos os mapas de isócronas! Na essência, representam aquilo que a Geografia, enquanto ciência de análise da conjugação de variáveis de comportamento humano, sabe fazer de melhor, ou seja, sintetiza-las e traduzi-las em mapas padronizados.

Isócronas

Neste caso, mostram a conjugação da rede de estradas existente (o seu perfil e capacidade velocimétrica)  com a distância quilométrica a efetuar. Do mapa resultante, com base de partida na nossa capital, constata-se curiosamente que esta se encontra quase tão próxima da capital do país vizinho, como do nordeste continental do país. Sintomático?

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Edgar Cardoso, o construtor de pontes.

· Temas:

Infelizmente, e há muito, o que realmente interessa na produção televisiva é alinhado secundariamente na grelha televisiva. É regra absoluta nos canais privados, faz caminho na televisão publica, e nem mesmo possibilidade de ver e rever o programa na “RTP Play” serve como desculpa. Afinal, um dos intuitos de programas como este Visita Guiada, é resgatar mentes perdidas do marasmo da internet, e fazê-las ver que a beleza e a cultura (também) residem noutro lugar.

Visita Guiada Ep2 19mar2016 Temp.VI

O segundo episódio desta sexta temporada, aborda parte da obra de um genial engenheiro de pontes, Edgar Cardoso, que é o autor, entre outras, das belíssimas pontes da Arrábida, quase na foz do Douro e de S. João, alguns quilómetros a montante.

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Um salto para a vida ativa.

sexta-feira, 18 de março de 2016 · Temas: , ,

Gostamos muito daquilo que aprendemos nesta última visita de estudo em que participamos, e ajudamos a organizar, que nos transportou à gigantesca base de alimentar do Intermarché, situada em Paços de Ferreira e, na qual, fomos guiados através de um mundo à parte.

UmSalto-128

No nosso dia a dia habituamos-nos a chegar ao supermercado e comprar aquilo que necessitamos para satisfazer o nosso padrão de conforto atual, com a naturalidade de quem não imagina a complexa viagem que um simples pacote de bolachas sofre, antes de ser levado para a nossa despensa. E nem se quer falamos do processo de fabrico e nas matérias primas necessárias a tal, referimo-nos apenas a toda a cadeia logística que fornece  produto.

Aquele entreposto, que não para, recebe milhares de produtos diferentes que são registados e escrutinados sob diversos pontos de vista (validade, composição alimentar, etc.) iniciando-se assim todo o processo logístico da mercadoria que, no fim da linha, fornece as dezenas de supermercados daquela cadeia de supermercados, a norte de Coimbra.

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Todo este processo é acompanhado de apertadas normas de segurança (que, inclusivamente, e para infelicidade nossa, nos impediram de obter fotografia no interior do complexo), cumpridas por cerca de 200 funcionários distribuídos por várias secções específicas, e até curiosas, como o gélido armazém de congelados (-22ºC), que tivemos a possibilidade de atravessar, depressa, como conveio, ou a secção de maturação de bananas, o armazém de bacalhau, carnes, peixe… Um mundo incrível, cheio de curiosidades, que nos fez esquecer da hora e encurtar (e alterar) a segunda parte desta visita de estudo, já na Cidade do Porto, e a várias lojas tradicionais.

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A geometria das fronteiras mundiais.

quarta-feira, 16 de março de 2016 · Temas:

Há pouco tempo, numa aula, perguntaram-nos porque é as fronteiras entre países ou estados assumem diferentes configurações. A questão surgiu durante uma das ricas viagens a bordo do Google Earth, quando atravessávamos a fronteira saariana entre Argélia e os seus vizinhos a sudoeste, a Mauritânia e o Mali, e detinha-se na retilinearidade do limite divisório entre estes países, que contrasta com as seculares fonteiras europeias, complexas e intrincadas. Partilha de África

Respondemos que se tratava, com certeza, de uma fronteira despojada de marcas geográficas e ou humanas de relevo, apenas sustentada em medições de latitude e longitude e, nesse sentido, relativamente recente.

De facto, no caso da Argélia, as fronteiras a sudoeste e sudeste foram estabelecidas após a Revolução Argelina (1954-1962), e cuja determinação fronteiriça, em pleno Saara e sem pontos de referência geográfica de monta, estabeleceu-se com o recurso a medições de latitude e longitude, possíveis numa época onde o satélite artificial já vagueava no espaço.

Aliás, em África abundam situações análogas, na história e na geografia fronteiriça: a fronteira sul de Angola com a Namíbia, ou a fronteira entre o Sudão e Egito, no nordeste africano, são exemplos.

Sobre este assunto, a pesquisa levou-nos a uma obra multiplamente citada: «International Frontiers and Boundaries – Law, Politics and Geography», de Victor Prescott e Gillian D. Triggs, que data de 2008, e apresenta um cariz eminentemente geográfico, na sua essência de síntese. Segundo os autores, a fronteira é um objeto de estudo interdisciplinar, que interessa economistas, políticos, advogados e geógrafos. Nesse sentido, a fonteira resulta da negociação de duas partes (países, regiões), e visa o estabelecimento da paz e a boa administração de territórios (Prescot e Triggs, 2008, pág. 56).

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“Exit Games”, adrenalina para graúdos.

domingo, 13 de março de 2016 · Temas:

O edifício da Exit Games Porto, perto dos Leões, passa quase despercebido na profusão de novidades semanais, com a abertura de cafés, bares e lojas de produtos turísticos, a que aquela parte da cidade está votada.

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O edifício, secular, alberga esta ideia exótica, trazida do Japão para a Europa, e que pulou dos ecrãs dos jogos de computador para a realidade, onde uma equipa é convidada a “escapar de uma sala repleta de mistérios”, num tempo máximo de 60 minutos. Tal como no mundo virtual, há diversos desafios à escolha, que diferem no grau de dificuldade, suspense e até iluminação! As equipas, de 2 elementos no mínimo, podem ser ampliadas a 8 ou 10 conforme a versão de jogo escolhida.

Trata-se de um conceito de divertimento diferente, inteligente,  engendrado pelo mundo virtual, vocacionado aos habitantes e turistas, que não fere o edificado ou atropela o comércio local e, deste modo acrescenta valor à cidade.

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As raízes das línguas.

segunda-feira, 7 de março de 2016 · Temas: , ,

Encontramos um pouco por acaso esta infografia num Web Comic que acompanhamos, e que nos mostra numa imagem animista, as ramificações de diversas língua antigas, nomeadamente as famílias: uralo-altaicas e indo-europeias, sendo desta última que se ramifica no nosso português. Contudo, atente-se que estas duas famílias representam apenas uma parte das línguas faladas em todo o mundo, nem por isso a maior, mas que contempla o maior número de falantes. 

Raízes da Linguagem


Fontes: Wikipédia // sssscomic.com

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Masquerade, uma “app” genial!

domingo, 6 de março de 2016 · Temas: ,

É raro dedicarmos um artigo a uma aplicação para o sistema operativo Android, dada a sensação de “já termos visto isso em algum lugar” ou, “já vi melhor num filme”. É a realidade de um mundo veloz, global, onde quase nada surpreende.

Mas tal não é o caso deste MSQRD (disponível para Android e IOS), que através de um genial algoritmo, permite, em tempo real, transformar um rosto num outro preexistente, ou adicionado, fazendo uma simulação quase perfeita de “uma pessoa noutra”, isto atendendo ao amadorismo da situação. A “app” permite gravações de vídeo e, partir daqui, a imaginação dita todo o resto.

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Notícia de última hora: vem aí o bom tempo!

Há muito que desejávamos anunciar esta chegada: a previsão do estado de tempo para a região da Lixa aponta para dias solarengos a partir da próxima quinta-feira e, melhor ainda, uma significativa subida da temperatura máxima!

Previsão estado tempo ESL 7_15mar2016

O gráfico da previsão meteorológica que retiramos do Weatherunderground (onde se alojam os dados da MeteoESL), mostra a linha ondulante de temperatura diária, ao longo dos próximos 10 dias, a par da linha de temperatura aparente, que considera o fator vento, num efeito denominado por Wind Chill. Este efeito conjuga o valor da temperatura com a velocidade do vento e, segundo o IPMA, é «a sensação de arrefecimento causada pelo efeito conjunto da velocidade do vento com valores baixos da temperatura do ar».

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Ora, se não tiveres mesmo mais nada para fazer, podes calcular este efeito na tua varanda, ou mesmo à porta de tua casa. Para tal, necessitarás de: um gorro quente, um cobertor, um lápis, uma máquina de calcular, um anemómetro (que mede a velocidade do vento), um termómetro, e alguma falta de juízo… Depois  só terás de aplicar a seguinte fórmula, e já está!

Ah! Digam lá se a “gente” não vos sugere “coisas pinta” para fazeres em substituição da infinita navegação no Facebook ou do visionamento daqueles programas que amontoam pessoas numa quinta ao berros e que dão palha a burros…

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A Península Ibérica aos olhos do novo Sentinel 3-A.

A Agência Espacial Europeia lançou em janeiro passado mais um satélite para o espaço, o Sentinel 3-A, que integra a constelação de satélites do programa Copernicus e visa recolher informação e estabelecer medições de cariz ambiental. Ao todo, pretende-se lançar seis satélites artificiais, que contemplam diversas valências. O Sentinel 3-A, por exemplo, monitorizará o oceano, o continente, as camadas geladas e a atmosfera, procurando fornecer informação, quase em tempo real, que permita melhor entender a dinâmica de todas aquelas dimensões do nosso planeta.

Sentinel 1

Um das primeiras imagens desta nova estrela do espaço, foi obtida no passado dia 1 de março, quando a Península Ibérica se apresentava pouco nublada. Focando a nossa região, é interessante perceber o enorme contributo dos rios para a formação de praias arenosas, com a emissão de materiais detríticos e areias. Na fotografia vês-e o Douro em destaque,  que dada a sua vasta bacia hidrográfica e poderoso caudal, turva a água oceânica, numa mancha que se estende até próximo da Figueira da Foz, arrastada de norte para sul pela deriva.


Fontes: www.esa.int

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O Flashman.

quinta-feira, 3 de março de 2016 · Temas: ,

O Flashman desliza pelos corredores, finta obstáculos, turva a nossa visão e por isso dificilmente se vê. É um ser quase alado, que faz parte da nossa coleção de Seres Estranhos em Locais Inusitados, e junta-se aos outros apresentados: a mosca e o gato.

 

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«Porto e Lisboa na rota do mundo».

· Temas: ,

Muito daquilo que temos vindo a dizer sobre a avalancha turística a que o Porto e Lisboa estão votados, foi sintetizado nesta Grande Reportagem da SIC, emitida ontem, numa excelente reportagem bipolar, mas de tónica na Invicta.

A crescente procura turística, impulsionada pelas companhias aéreas “lowcost”, os múltiplos prémios internacionais de turismo, a par do florescimento hoteleiro, criticável e gentrificador, esta “corrida ao ouro” assume uma enorme dimensão, tornando a industria hoteleira num setor chave e alavancador da nossa economia.

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