Flower Party: uma loucura de verão.

sábado, 30 de maio de 2026 · Temas: ,

O meu ano de escolaridade favorito para lecionar é o 7.º. Gosto bastante dos meus alunos mais velhos, mas são os mais pequenos que mais me motivam, porque acham graça às minhas piadas e alinham, com toda a naturalidade do mundo, nas minhas iniciativas na escola. Se, por artes mágicas, os pudesse congelar naquela idade e avançar com eles até ao fim do secundário, não os largava e seria um professor feliz.



Infelizmente, crescem, perdem um certo encanto e, acima de tudo, ganham aquela autonomia embrionária que os leva a não alinhar em nada ou a achar graça àquilo que os adultos fazem, mesmo que isso não seja verdade, só porque sim. Daí o meu empenho nestas atividades, mais apropriadas a quem tem 12 anos, tal como esta Flower Party que celebrou o final de um longo ano letivo.

E para garantir que aproveitavam cada minuto dessa fase de pura brincadeira, as celebrações começaram bem cedo. Quando todas as turmas ainda se dirigiam para a primeira aula da manhã, as três turmas do sétimo ano tiravam fotografias de grupo no átrio principal da escola, antes de partirem para um peddy paper nas ruas da Lixa. De regresso à escola, e com novas equipas bem definidas, os protagonistas da festa dedicaram-se a retocar as bancas de venda de óculos e colares, os jogos desportivos, os balões de água, o karaoke, as batatas fritas, os crepes, os cachorros, as pinturas faciais e até uma bilheteira que fez circular a moeda oficial da festa: o "beuro".

Marquei a data da sua realização há meses, longe de saber que coincidiria com o dia mais quente do ano até então. Foi ótimo, mesmo que o touro mecânico tivesse de parar uma série de vezes para repousar e os mocktails se tenham esgotado rapidamente. Não obstante, este calor ajudou a não dar descanso aos crocodilos e à lagosta insufláveis, que deslizaram a tarde toda numa pista de lona, ao sabor de detergente da loiça com aroma a limão e muita água da mangueira!

A par de toda esta agitação, a professora Joana, que me ajudou a organizar o evento, com o seu jeito discreto, contribuiu para colorir dois pilares do edifício com pinturas ligadas à temática da festa: os anos 70 e toda a simbologia hippie.

Para o próximo ano, se os alunos do sétimo não crescerem demasiado rápido, talvez haja mais eventos assim. Arrisco-me a dizer que já não vão deslizar tanto na pista dos crocodilos nem decorar, com o afinco que mostraram nas vésperas, os cartazes que ilustraram toda a festa. Veremos.

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Cultivar a palavra.

sexta-feira, 22 de maio de 2026 · Temas: , ,

Não me recordo de ter deixado uma publicação sem palavras, mas custa-me acrescentar algo ao que escrevi, a pedido, para a segunda edição do "A Utopia", que preconizou tudo o que aconteceu na primeira edição dos Jardins do Diálogo.

«Assombra-me este tempo em que a velocidade da informação atropela a profundidade do pensamento; ando confuso. Por isso, dialogar com os mais jovens, e fazê-los dialogar entre si sobre a imensidão de assuntos da sociedade, é uma urgência cívica. Não basta transmitir conhecimento, é imperativo sair da sala e criar espaços onde ele seja testado e transformado em ação. Isto porque a cidadania constrói-se na troca de argumentos e na coragem de questionar o estabelecido.

É precisamente com esta visão que, no próximo dia 20 de maio, transformaremos os espaços exteriores da escola no local dos "Jardins do Diálogo - uma rede de ideias". Nascida no seio da Escola Secundária da Lixa e dinamizada em estreita parceria com o GRITAH, esta iniciativa materializa a vontade de retirar o debate das quatro paredes de uma sala de aula. A escolha dos jardins não é, portanto, inocente: procuramos o conforto, um ambiente aberto e informal que dissipe as hierarquias tradicionais e convide à genuína participação ativa.

Toda a logística foi desenhada para promover a troca dinâmica de ideias. Organizados por blocos de aulas, os alunos circularão por diversas mesas de debate espalhadas num belíssimo recanto dos jardins da escola. As discussões incidirão sobre temas fundamentais como a cidadania política, o voluntariado e a complexa relação entre arte e política. De curta duração, os debates permitem que cada jovem tenha a liberdade de escolher os temas que mais o inquietam, participando em múltiplos momentos e exercitando a construção de argumentos lógicos, racionais e críticos.

Esta colaboração com o GRITAH é um passo que vai ao encontro daquilo que entendo dever ser uma certa parte da escola: preparar a nossa comunidade estudantil para o escrutínio e debate público, fomentando também o espírito de solidariedade. Afinal, se não criarmos hoje, nestes jardins, o hábito da palavra livre e ponderada, como conseguiremos amanhã uma sociedade verdadeiramente consciente, informada e interventiva?»

Estilo FlowerParty.

segunda-feira, 18 de maio de 2026 · Temas: , ,

A FlowerParty está a pouco mais de uma semana de distância e já te posso revelar, de fonte segura, algumas das surpresas que estão reservadas. Vais poder contar com alguns snacks, as incontornáveis pipocas, batatas fritas em pequenos pacotes, gelados e mocktails super inovadores.


Também vais poder adquirir, quase a preço de saldo, alguns acessórios: óculos e colares de flores, que dão "pinta" e não deixam ninguém indiferente. Ora, se por um lado é bom dar nas vistas, sobretudo numa festa, por outro, é bom passar despercebido ao castigo da equipa do balde de água, que estará pronta a entrar em ação sempre que percas num dos jogos da festa.

Já sabes que vamos ter um escorrega de água gigante (alimentado a mangueira e detergente da loiça) onde poderás escorregar às cavalitas de um crocodilo ou de uma lagosta; o preço da escorregadela varia conforme o bicho. A juntar à festa, terás a possibilidade de comprar meia dúzia de balões de água a preço de chuva, e de participar no tiro ao alvo e nos remates à baliza.

É já no dia 27 de maio, há previsão de calor, e és muito bem-vindo.

Um cruzeiro no Douro.

quinta-feira, 14 de maio de 2026 · Temas: , ,

A sorte protege os audazes. Já não é a primeira vez que uso esta frase no início de um pequeno artigo de resumo de uma viagem de estudo em que haja prenúncio de mau tempo. Não aconteceu: o sol despertou e, a espaços, até sentimos calor a bordo do cruzeiro que nos fez navegar ao longo das ponte do Porto. Um cliché turístico obrigatório, para quem estuda num curso ligado ao turismo.

O objetivo da viagem era percorrer a arte urbana da cidade, que ocupa, cada vez mais, fachadas cegas de edifícios modernos e históricos, sem destoar, permitindo aquela necessária transição de uma baixa medieval para o século XXI. Vimos alguns exemplos, não todos aqueles que eu pretendia e que estavam definidos num roteiro da atividade Goosechase, mas os suficientes para dar a entender mais este atrativo de uma cidade que possui tantos predicados, como praças e pracetas.