Duas formas de ver o mundo.

terça-feira, 8 de setembro de 2026 · Temas:

A projeção de Mercator foi criada em 1569, há mais de 450 anos, e continua presente em muitos manuais escolares de Geografia, História e outras áreas que recorrem a mapas-múndi. Embora tenha sido concebida para facilitar a navegação marítima, distorce progressivamente as áreas à medida que nos afastamos do equador. A sua utilização generalizada acabou também por produzir um efeito político e simbólico, pois os territórios situados nas latitudes médias e altas do hemisfério norte surgem muito maiores do que são na realidade, quando comparados com as regiões tropicais.

É neste contexto que ganha pertinência a projeção Equal Earth, desenvolvida em 2018 por Bojan Šavrič, Bernhard Jenny e Tom Patterson. Trata-se de uma projeção equivalente, isto é, conserva a proporção relativa das áreas dos países e continentes. Contrasta, assim, com a projeção de Mercator, na qual a ampliação das superfícies aumenta progressivamente com a latitude.

Neste sentido, em setembro de 2026, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que encoraja a utilização de projeções equivalentes nos mapas-múndi, mencionando expressamente a Equal Earth. Embora não seja vinculativa nem proíba o uso da projeção de Mercator, a resolução poderá influenciar a cartografia utilizada no ensino, nos meios de comunicação social e nas plataformas digitais.

Julho e agosto: um verão com duas versões.

sábado, 5 de setembro de 2026 · Temas:

Os meses de julho e agosto de 2026 decorreram num contexto climatológico global marcado pelo fortalecimento do fenómeno El Niño, capaz de perturbar os padrões de temperatura e de precipitação em várias regiões do planeta. Na Europa, este período ficou assinalado por sucessivos episódios de calor intenso, alguns dos quais atingiram regiões pouco habituadas à sua frequência ou severidade.

No Noroeste de Portugal Continental, onde se localiza a estação meteorológica de Macieira, uma freguesia do concelho de Lousada, os dados mostram-nos um verão com duas versões muito distintas: uma extremamente quente, associada à presença de massas de ar muito quente e a episódios de calor intenso; outra bastante mais fresca, relacionada com a entrada de ar marítimo e com a passagem de sistemas frontais.


Nova cúpula de calor.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026 · Temas:

Depois de um agosto fresco e chuvoso, o início de setembro traz à bacia mediterrânica europeia mais uma cúpula de calor. Esta é a terceira do ano e prevê-se que provoque temperaturas máximas entre os 35 e os 40º célsius.

Trata-se de uma massa de ar muito quente, proveniente do Norte de África, que ficará retida sob um sistema persistente de altas pressões. A subsidência do ar, como já explicamos anteriormente a propósito deste fenómeno, provoca a sua compressão e o seu aquecimento adiabático, reforçando as temperaturas já elevadas.