O mundo não pode esperar.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026 · Temas: ,

É impossível esperar mais pela estreia de novos capítulos da saga Biomas, que tanto furor tem feito entre os entusiastas de bons documentários e o público de ficção científica com impactantes efeitos especiais. A primeira parte da edição deste ano letivo traz-nos incursões a desertos gelados, à Amazónia e a savanas não identificadas. Estas pequenas aventuras foram realizadas no Estúdio A, produzidas por alunos do oitavo ano, e a sua ágil edição esteve a cargo de um punhado de jovens empenhados que mostraram ter muita criatividade.

Blogger Tricks

Johatsu.

domingo, 4 de janeiro de 2026 · Temas:

A única rede social que frequento, quando não tenho nada de mais interessante para fazer, é o Reddit. Embora não tenha experiência com as outras, atrevo-me a dizer que esta é diferente. Constituída por fóruns, alguns com milhões de pessoas, é focada naquilo que é publicado; aqui, as contribuições de gente de praticamente todo o mundo alimentam o interesse pela plataforma.



Foi num desses fóruns que alguém publicou uma ligação para um documentário no YouTube (entretanto apagado) chamado "Johatsu - Into Thin Air", da autoria da dupla Andreas Hartmann e Arata Mori.

O tema, como muitos vindos daquele país que não me pára de surpreender, aborda um fenómeno social japonês fascinante e melancólico: os milhares de pessoas que, todos os anos, decidem "evaporar-se" (tornar-se johatsu). Fazem-no com a ajuda, investiguei, de empresas Yonige-ya (literalmente "lojas de fuga noturna"), que ajudam as pessoas a desaparecer, abandonando as suas vidas, empregos e famílias sem deixar rasto, muitas vezes para escapar a dívidas, vergonha ou relações abusivas.

Fica a curiosidade e a reflexão para este início de ano, altura em que é comum a tomada de decisões que nos fazem mudar comportamentos e atitudes. Encontrei um documentário mais antigo sobre o tema aqui e o acima descrito aqui.

A minha nova Estação Meteorológica.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026 · Temas: ,

Sempre fui entusiasta da montagem e instalação de estações meteorológicas de baixo custo, do tratamento de dados e de toda a perspetiva pedagógica que estas permitem. A primeira que instalei, uma Oregon Scientific, foi há cerca de 15 anos, ainda nas antigas instalações da Escola Secundária da Lixa, antes da intervenção da Parque Escolar.

Na altura, existiam apenas dois ou três destes equipamentos (amadores) instalados a norte do Douro e só em fóruns estrangeiros se conseguia resolver qualquer questão técnica. Exigiam um computador dedicado e a configuração da ligação à internet e a respetiva manutenção eram tudo menos simples.

Há uma mão-cheia de anos, as marcas brancas (de produção chinesa) chegaram ao mercado e tornaram estes instrumentos muito mais amigáveis, quer na instalação, quer no modo de consulta e apresentação dos dados. Hoje, com o telemóvel e em poucos minutos, conseguimos pôr uma estação meteorológica a funcionar e a transmitir dados de temperatura, precipitação e vento, entre outras variáveis, com recurso a gráficos ou tabelas muito detalhadas.

Não obstante esta facilidade, há sempre problemas a resolver: a transmissão de dados que falha, a bateria que necessita de substituição, o udómetro que entope ou a simples necessidade de limpeza (as aranhas adoram fazer teias nela). Ora, face a esses contratempos, e durante anos, consegui aceder à estação que estava instalada na cobertura da minha escola e resolver o que havia para resolver. Mas tudo mudou quando deixei de o poder fazer e passei a ter de pedir (nem sei bem a quem) para fazer o que sempre fiz. Desisti e interrompi um projeto pedagógico que apresentava uma série de 14 anos de dados, os quais já permitiam fazer comparações e análises um pouco mais detalhadas. Enfim.

Resolvi comprar uma para mim e, finalmente, consegui montá-la em minha casa durante esta pausa. Os dados estão disponíveis através de um link (aqui no Geopalavras) e tenciono fazer as análises mensais e anuais que fazia com os dados da sua "prima" da ESL, que agora jaz no telhado, à mercê dos técnicos que vagueiam pela escola.

Natal skills.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025 · Temas: , ,

Há uns anos, li e guardei na memória algumas passagens de um daqueles artigos de suplemento de fim de semana. O tema era o recrutamento e a seleção de profissionais nas mais diversas áreas. Confesso que perdi o rasto à sua origem, mas recordo-me bem de alguns exemplos, até porque os menciono com frequência nas aulas. Explico-me, por vezes em jeito de justificação para o que faço na escola, que as empresas aplicavam, no recrutamento, técnicas ousadas de seleção que se desligavam do mero currículo para observar reações, interações, o comportamento em equipa e as competências sociais.




Os exemplos eram curiosos: uma cadeia de lojas de roupa que punha os candidatos a dançar, procurando identificar aqueles que mais interagiam com os pares; ou bancos e empresas, à procura de gestores, que reuniam os candidatos para competir em escape rooms, com tudo o que esse contexto competitivo possa revelar.

Ora, há muito que percebi que, para um aluno com mais de uma dezena de disciplinas no ensino básico (ou mesmo no secundário) e currículos densos e desfasados da realidade, não basta ter boas notas e estudar para testes. É necessário mais. A realidade não precisa apenas de alunos que dominem fórmulas ou tenham uma enorme capacidade de memorização.

Para muitos dos meus colegas de profissão, algo que se desvie do manual, do teste ou de uma qualquer novidade na aula parece algo impossível. Seja pela perspetiva do ensino, seja pela desculpa de que os conteúdos são extensos (como se os alunos tivessem capacidade de absorver tanta coisa), ou pelo medo de fugir a critérios de avaliação que se centram, em 2025, numa média de testes. Ainda ninguém me conseguiu explicar como é que esses testes avaliam, devidamente, aquilo que o mundo do trabalho procura e que, se calhar, uma bela Caça às Prendas de Natal ajuda a desenvolver muito melhor.