Um olhar diferente.

terça-feira, 29 de setembro de 2026 · Temas: ,

É meu hábito, há já vários anos, nestes últimos espasmos do verão, tirar os meus alunos do sétimo ano da sala e levá-los a desenhar paisagens a partir de um dos vários recreios da escola. Faz-lhes bem, pois soltam-se e mostram-se como são. E isso não belisca em nada a sua aprendizagem. Pelo contrário, abre-lhe caminho.

É o primeiro ato de uma disciplina que encontra nas paisagens o seu objeto de estudo. Paisagens que devemos observar com um olhar atento e curioso, capaz de as interpretar, descobrindo as relações entre os elementos naturais e a ação humana, as marcas do tempo e os sinais de transformação. O que ali está, porque está ali e como se relaciona com o que o rodeia, é também destas perguntas que se faz a Geografia.

A medição da longitude.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026 · Temas:

Não é a primeira vez que aqui afirmo adorar aquela Geografia de base que se leciona no sétimo ano de escolaridade em Portugal. Gosto da sua utilidade prática, que convida a uma geografia em ação, tão recomendável nestas idades. Ora, a determinação da localização absoluta de um lugar, mediante a sua latitude e longitude, é precisamente um desses conteúdos que permitem aos alunos brincar «à geografia» e aprender sem pesar.

Quando ensino estes dois conceitos, procuro explorar o seu significado astronómico e a história da sua construção, ciente da dificuldade que o segundo coloca aos alunos: compreender como é possível determinar a longitude de um lugar comparando dois relógios que assinalam horas diferentes. Para o explicar, recorro a figuras, planisférios e até a relógios de ponteiros, numa abordagem mais clássica. Procuro, assim, ilustrar o problema que John Harrison ajudou a resolver no século XVIII: embora o conceito de longitude fosse conhecido há muito, faltava um relógio capaz de conservar a hora de referência com suficiente precisão durante as viagens marítimas.

Duas formas de ver o mundo.

terça-feira, 8 de setembro de 2026 · Temas:

A projeção de Mercator foi criada em 1569, há mais de 450 anos, e continua presente em muitos manuais escolares de Geografia, História e outras áreas que recorrem a mapas-múndi. Embora tenha sido concebida para facilitar a navegação marítima, distorce progressivamente as áreas à medida que nos afastamos do equador. A sua utilização generalizada acabou também por produzir um efeito político e simbólico, pois os territórios situados nas latitudes médias e altas do hemisfério norte surgem muito maiores do que são na realidade, quando comparados com as regiões tropicais.

É neste contexto que ganha pertinência a projeção Equal Earth, desenvolvida em 2018 por Bojan Šavrič, Bernhard Jenny e Tom Patterson. Trata-se de uma projeção equivalente, isto é, conserva a proporção relativa das áreas dos países e continentes. Contrasta, assim, com a projeção de Mercator, na qual a ampliação das superfícies aumenta progressivamente com a latitude.

Neste sentido, em setembro de 2026, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que encoraja a utilização de projeções equivalentes nos mapas-múndi, mencionando expressamente a Equal Earth. Embora não seja vinculativa nem proíba o uso da projeção de Mercator, a resolução poderá influenciar a cartografia utilizada no ensino, nos meios de comunicação social e nas plataformas digitais.