Livros, jornais e revistas à tua espera.

sábado, 1 de agosto de 2026 · Temas: ,

Tenho por hábito diário espreitar as primeiras páginas dos jornais e revistas. É um hábito antigo, que remonta à minha adolescência, quando o meu pai, que trabalhava no Jornal de Notícias, nos trazia todos os dias os principais títulos da imprensa diária de então, o JN, o Diário de Notícias, O Jogo, e esporadicamente o Público e o Expresso. Detenho-me nesses tempos, em que os estímulos digitais não eram uma opção sólida, e a leitura surgia como uma excelente solução de ocupação. Para a idade, e naqueles tempos, saber falar de política nacional e internacional, ler as críticas a novos álbuns em CD e às estreias cinematográficas era um luxo que poucos podiam ter.


Hoje mantenho o mesmo gosto, mas agora sem aquele vagar de quando as responsabilidades quotidianas da vida não existiam. É por isso que no verão quero ler tudo o que posso e que fui guardando para esta altura. Por ter este gosto, recomendo um truque que, na verdade, é um segredo bem guardado, a adesão ao Press Reader via Bibliotecas Municipais.

O Press Reader é uma espécie de Spotify da imprensa nacional e mundial. Com o registo de utilizador numa biblioteca municipal aderente, e eu fiz a minha adesão na rede de Bibliotecas do Porto, nos balcões da Biblioteca Almeida Garrett, nos jardins do Palácio de Cristal, e através de uma aplicação para Android ou Windows, temos acesso gratuito a mais de 7400 dos principais jornais e revistas do país e do mundo. Mas há mais. Simultaneamente, e com o registo no BiblioLed, podemos aceder ao empréstimo de livros em formato digital desde que estejam disponíveis para empréstimo, tal como se de um livro físico se tratasse. Portanto, não há desculpas para não largares os jogos e as tretas das redes sociais, e começares a ler frases com mais de cinco palavras sem erros ortográficos. Boas leituras.

Blogger Tricks

O calor de leste.

quinta-feira, 16 de julho de 2026 · Temas: ,

A imaginação popular concebe o inferno com tons vermelhos, quente e cheio de caldeirões nos quais os pecadores são cozidos. Ora, não é necessário pecar para o experimentar, visto que ele nos visita com frequência através de algo chamado: cúpula de calor.

Este fenómeno já nos tinha visitado em finais de junho de 2025 e voltou a fazê-lo em finais de maio. Embora não tenha atingido os valores de temperatura da vaga de calor mais recente (entre 29 de junho e 6 de julho de 2026), confesso que suportei melhor esta última, embora tenha sido mais intensa e extrema.

A corrente de leste que a provocou trouxe consigo uma massa de ar de baixa humidade relativa, o que torna a tolerância ao calor mais suportável. O nosso corpo apenas consegue baixar a sua temperatura em ambientes quentes através da evaporação do suor. Durante uma cúpula de calor com elevada humidade relativa, o ar aproxima-se do ponto de saturação. Nessas condições, o suor não evapora, a pele retém o calor gerado pelo corpo e o índice de calor atinge níveis insuportáveis e potencialmente perigosos.

Por outro lado, numa vaga de calor mais seco, mesmo com temperaturas nominais superiores, a baixa humidade permite uma rápida e eficiente evaporação da transpiração, o que arrefece a pele e torna a situação fisicamente muito mais tolerável.

Colamos uns espanta-pássaros.

quarta-feira, 8 de julho de 2026 · Temas: , ,

Apesar do título, gosto, de uma maneira geral, de todos os pássaros. Dou-me bem com todos eles e cada um tem as suas manhas; vejamos: há "melros" a quem acho graça, pois são hábeis na arte de se esquivarem ao trabalho; quanto aos "pardais", juntam-se em bandos e têm muita dificuldade em entender-se; também lido com uma data de "gralhas" que falam de tudo e mais alguma coisa, e quase nada dizem de jeito; conheço ainda os "rouxinóis", que são uma delícia quando fazem e falam, e as "rolas", que voam sempre demasiadamente baixinho.

Não obstante, nutro um instinto de proteção por todos, carinho até, que necessita de ser exercido, caso contrário degrada-se. Falo tanto dos meus pássaros como dos verdadeiros, que sabem voar logo à nascença. E, como mais ninguém parece preocupar-se com eles, pedi ajuda a dois "passarões" para me ajudarem a colar uns espanta-pássaros nas janelas da escola viradas a norte. Ao contrário das janelas orientadas para os restantes pontos cardeais, nas setentrionais não existem palas metálicas que filtram a luz solar, logo não sinalizam o obstáculo aos pássaros, que acabam por sucumbir à força do impacto. É um espetáculo macabro a que ninguém gosta de assistir e que já se arrastava há demasiado tempo na escola.

4 de julho: 42,2 ºC.

terça-feira, 7 de julho de 2026 · Temas: ,

Esta última vaga de calor que o território continental enfrentou impressiona pelos valores de temperatura atingidos: máximos, mínimos e de sensação térmica, mas também pela sua duração. As ondas de calor são cada vez mais frequentes, já todos o sentimos na pele, mas a sua duração reduzia-se a 3 ou 4 dias. Desta vez durou 7 dias, com temperaturas mínimas muito altas, incapazes de recuperar algum conforto térmico durante a noite.

O formato deste calor não foi inédito, como já escrevi aqui, mas a força e a intensidade sim. Tratou-se de um episódio típico do nosso verão, quando o anticiclone dos Açores se posiciona a noroeste da Península e se estende em crista ao longo do Golfo da Biscaia, bloqueando sistemas frontais atlânticos e provocando uma circulação de ar seco de leste e quente, que fez disparar os termómetros nas regiões litorais.

Olhando para os valores, destaque-se a temperatura máxima, que atingiu o valor extremo de 42.2 ℃ no dia 4 de julho; a sensação térmica, que acompanhou esta subida e chegou aos 40.2 ℃; a temperatura mínima não desceu dos 25.6 ℃ nessa mesma noite e os registos noturnos mantiveram-se acima dos 20 ℃ durante quatro dias seguidos.