Colamos uns espanta-pássaros.

quarta-feira, 8 de julho de 2026 · Temas: , ,

Apesar do título, gosto, de uma maneira geral, de todos os pássaros. Dou-me bem com todos eles e cada um tem as suas manhas; vejamos: há "melros" a quem acho graça, pois são hábeis na arte de se esquivarem ao trabalho; quanto aos "pardais", juntam-se em bandos e têm muita dificuldade em entender-se; também lido com uma data de "gralhas" que falam de tudo e mais alguma coisa, e quase nada dizem de jeito; conheço ainda os "rouxinóis", que são uma delícia quando fazem e falam, e as "rolas", que voam sempre demasiadamente baixinho.

Não obstante, nutro um instinto de proteção por todos, carinho até, que necessita de ser exercido, caso contrário degrada-se. Falo tanto dos meus pássaros como dos verdadeiros, que sabem voar logo à nascença. E, como mais ninguém parece preocupar-se com eles, pedi ajuda a dois "passarões" para me ajudarem a colar uns espanta-pássaros nas janelas da escola viradas a norte. Ao contrário das janelas orientadas para os restantes pontos cardeais, nas setentrionais não existem palas metálicas que filtram a luz solar, logo não sinalizam o obstáculo aos pássaros, que acabam por sucumbir à força do impacto. É um espetáculo macabro a que ninguém gosta de assistir e que já se arrastava há demasiado tempo na escola.

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4 de julho: 42,2 ºC.

terça-feira, 7 de julho de 2026 · Temas: ,

Esta última vaga de calor que o território continental enfrentou impressiona pelos valores de temperatura atingidos: máximos, mínimos e de sensação térmica, mas também pela sua duração. As ondas de calor são cada vez mais frequentes, já todos o sentimos na pele, mas a sua duração reduzia-se a 3 ou 4 dias. Desta vez durou 7 dias, com temperaturas mínimas muito altas, incapazes de recuperar algum conforto térmico durante a noite.

O formato deste calor não foi inédito, como já escrevi aqui, mas a força e a intensidade sim. Tratou-se de um episódio típico do nosso verão, quando o anticiclone dos Açores se posiciona a noroeste da Península e se estende em crista ao longo do Golfo da Biscaia, bloqueando sistemas frontais atlânticos e provocando uma circulação de ar seco de leste e quente, que fez disparar os termómetros nas regiões litorais.

Olhando para os valores, destaque-se a temperatura máxima, que atingiu o valor extremo de 42.2 ℃ no dia 4 de julho; a sensação térmica, que acompanhou esta subida e chegou aos 40.2 ℃; a temperatura mínima não desceu dos 25.6 ℃ nessa mesma noite e os registos noturnos mantiveram-se acima dos 20 ℃ durante quatro dias seguidos.

A temperatura e a chuva de maio e junho.

sexta-feira, 3 de julho de 2026 · Temas:

Atrasei-me na análise dos dados da minha estação meteorológica no início de junho e resolvi fazer uma análise conjunta destes dois últimos meses.

O mês de maio mostrou inicialmente temperaturas com médias baixas, a rondar os 12 ºC e os 14 ºC. O final do mês assistiu a um aumento brusco da temperatura (dia 20), que culminou no dia 27, com 37,5 ºC de valor máximo e um valor médio de 26,6 ºC, sendo o dia mais quente do mês e do ano, até então.

Ao contrário de maio, que foi um mês de extremos e transição, junho mostrou uma regularidade muito maior no que toca ao tempo quente. As temperaturas médias fixaram-se quase sempre acima dos 20 ºC, e as máximas ultrapassaram frequentemente os 30 ºC, caracterizando a entrada plena na época estival. A temperatura máxima ocorreu no dia 12, com um valor de 38,2 ºC e uma média de 28,7 ºC.

Destaque ainda para os elevados valores de amplitude térmica registados em maio, nos dias cujas máximas rondaram os 30 ºC. Foram sintoma de grandes arrefecimentos noturnos, resultado da forte radiação solar e da baixa humidade do ar.

No que à precipitação diz respeito, verificou-se uma assimetria extrema, sendo flagrante o contraste pluviométrico entre os dois meses. Maio acumulou 78,0 mm de chuva, concentrada sobretudo na primeira quinzena, com o dia 9 a ser o mais fustigado, registando 20,5 mm. Em contrapartida, junho foi um mês extremamente seco, totalizando apenas 13,2 mm, em que mais de metade desse valor caiu num único episódio, no dia 25.

O calor que conhecemos.

segunda-feira, 29 de junho de 2026 · Temas: ,

Os vários modelos de previsão apontam para uma subida das temperaturas máxima e mínima ao longo da semana. Trata-se de um tipo de calor com baixa humidade, empurrado por vento vindo de leste, que nos visita com frequência durante o verão. Esta corrente deve-se ao posicionamento do anticiclone dos Açores, cujo campo de pressão se estende ao longo do Golfo da Biscaia.




O posicionamento daquela alta pressão, ao contrário daquilo que provocará no nosso território continental, permitirá a entrada de ar atlântico que aliviará a Europa Ocidental da onda de calor que a afetava há cerca de duas semanas. Não obstante os valores, este calor que nos afetará nos próximos dias é mais tolerável, dada a diminuta humidade relativa.