O regresso à agricultura.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 · Temas: ,

Foi muito inspiradora a entrevista concedida pelo presidente da CAP (Confederação Agrícola Portuguesa), o Eng. João Machado, ao programa «Olhos-nos-Olhos» da TVI24, à cerca de uma semana atrás. No panorama atual, ouvir este representante dizer que a agricultura apresenta sinais de um novo alento, é no mínimo animador. Mas vejamos algumas das principais ideias saídas da entrevista:

Presidente da CAP

  • nos últimos anos tem-se verificado uma série de investimentos na agricultura nacional;
  • na atualidade, a PAC (Política Agrícola Comum) tem apostado na produção agrícola, contrariando diretrizes que vinham desde 1992 (primeira reforma da PAC), onde a ordem era para evitar os excedentes agrícolas;
  • até 2008 / 2009 a nossa balança alimentar era deficitária em cerca de 5 mil milhões de euros;
  • em 2012 o défice da balança alimentar nacional é de cerca de 3 mil milhões de euros;
  • houve um ganho de 2 mil milhões em cerca de 3 anos devido à diminuição das importações em cerca de mil milhões e de um aumento das exportações em cerca de outros mil;
  • Portugal exporta: vinho, azeite, hortícolas (sobretudo primores) e frutas, sendo que estas duas representam mil milhões de euros anuais;
  • temos capacidade de produzir ao ar livre produtos hortícolas frescos (primores), com baixo custo de produção e com um adianto de cerca de 15 dias em relação ao sul de Espanha (a horta da Europa), possibilitando deste modo colocar estes produtos no mercado estrangeiro em vantagem em relação à concorrência;
  • somos, em crescendo, um dos maiores de produtores de tomate, que por si só representa 600 milhões de euros, e exportamos para cadeias alimentares de produção de molhos um pouco por todo o mundo;
  • temos, a par da Califórnia, a maior produtividade do mundo neste produto;
  • houve um desenvolvimento nos últimos dois anos de cerca de 22 mil empresas agrícolas, que criaram cerca de 30 mil postos de trabalho e incorporaram 5,9  mil milhões de euros;
  • neste momento trabalham na agricultura portuguesa cerca de 750 mil pessoas;
  • esta novas empresas agrícolas estão disseminadas por todo o continente (cujo território é 80% rural);
  • na agricultura há pleno emprego «quem quer trabalhar na agricultura, trabalha»;
  • os salários médios da agricultura situam-se, por exemplo para a apanha da pera, nos 800 a 900 euros;
  • a CAP apoia cerca de 200 jovens todos os meses (em termos agrícolas são pessoas abaixo dos 40 anos) a instalarem-se na agricultura;
  • são jovens licenciados, saídos das cidades e com uma formação diversa do mundo agrícola;
  • o PRODER financia novos projetos;
  • são pessoas com estudos, com uma visão abrangente e moderna da agricultura.

 

Por estes motivos, vale a pena esperar coisas boas de um setor esquecido e acima de tudo muito mal tratado. As decisões dos nossos governantes, num passado relativamente recente, iludiram-nos sobre a nossa verdadeira identidade. Na verdade somo um povo intimamente ligado à terra e parece que a ela vamos voltar.

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