O desafio.

sábado, 2 de dezembro de 2017 · Temas: , ,

O Classroom tem-nos surpreendido! Recentemente, vimos uma espécie de coisa sonhada a nascer por ali: a decoração de uma árvore de natal de uma certa sala, alimentada por comentários e sugestões bem mais brilhantes do que qualquer enfeite possível.

ESL - novembro de 2017

Delicioso, portanto, tal como algumas das várias composições que responderam ao tema / desafio: “Atitudes perante um mundo muito difícil”, que tinha como premissa um poema de José Gomes Ferreira. Passamos a transcrever três delas, que destacamos, entre as várias que nos fizeram sorrir.

- Inês Lopes, 10ºC.

Todos temos um sonho…

Um sonho que está na profundidade dos nossos desejos, que sussurramos baixinho, de tão inalcançável que este parece ser. Todos temos a vontade de ser bailarinos ou médicos bem-sucedidos, incríveis cantores… Todos temos o insaciável desejo de sermos reconhecidos, que se lembrem da nossa existência… E este desejo “nasce” à medida que vamos crescendo e vendo as celebridades a passearem-se na televisão, aqueles juízes cheios de dinheiro…

Começamos, então, a pensar: “- Bem, quem me dera ser a Sara Sampaio!” e, junto com esse, vem o pensamento do: “- Para que é que eu preciso de ir para a escola se quero ser uma modela fotográfica superfamosa?”. Digamos que esta pergunta tem um pouco de respostas óbvias. Temos que ser cultos, aprender o básico, mas, se pensarmos bem, a pergunta acaba por ter o seu fundamento. A verdade é que o sistema escolar mete “peixes a trepar árvores”. Pessoas com diferentes aspirações, diferentes necessidades, diferentes sonhos, são postas todas na mesma sala, em fila, de boca fechada, a levantar a mão se quiserem falar, todas a ouvir o mesmo e a aprender o mesmo… um arruinar de sonhos.

A escola e o medo já mataram mais sonhos que o fracasso. Nós até podemos ser génios e ter uma ideia incrível para mudar o mundo, termos um sonho e sabermos até que conseguimos chegar lá, mas se calhamos de não ser bem-sucedidos na escola, faz com que faz com que nós não consigamos seguir o nosso sonho somente porque não obtivemos um resultado suficiente que nos permitisse ter a porcaria de um papel a dizer que tiramos o curso tal e que podemos exercer a tal profissão, o nosso sonho.

E nisto, passamos toda a nossa vida a tentar ser perfeitos para, mais tarde, podermos arranjar um bom emprego, constituir família, ter a nossa própria casa… E participar nesta monotonia coletiva: trabalhar, estar em casa, pagar as contas ao fim do mês, rezar que sobre algum dinheiro para chegarmos às portas da morte e nos apercebermos que nunca vivemos de verdade.

Acabamos por morrer com esse arrependimento. Tanto estamos preocupados com o nosso medo de falhar que nos esquecemos que a nossa passagem por cá é curta. Não entendo e não creio que haja solução para isto… Talvez os padrões que a sociedade nos impõe sejam o grande motivo da nossa sobrevivência e, ao mesmo tempo, da nossa não existência.

É difícil, mas uma coisa é certa, quer sejas o Donald Trump, quer sejas um varredor de rua, vais parar ao mesmo sítio que os outros e quase que te posso garantir que, depois desta vida, a porcaria do certificado do teu curso vai valer tanto como tu… Nada.


- Pedro Junio, 10ºC.

Transformações.

O que é que nós, crianças e jovens do século XXI, temos de diferente das crianças do século XX? Bem, se pudesse resumir isso em poucas palavras diria que temos mais certezas do que fazemos, qual o motivo de o fazer e porque é que as fazemos, por exemplo, as crianças de hoje em dia desde muito novas parecem cada vez mais ter uma noção da quantidade de tecnologia que os rodeia e isso acaba de certa forma de as isolar do mundo exterior levando ao vício de estar sempre “metido em casa”. Já não há aquela geração de crianças que combinava, ao sair da escola, ir jogar à bola para o campo da vizinha ou brincar às escondidas ou ter aquele sentimento de proximidade entre colegas, o que se vê agora é, maioritariamente, amizades via Facebook ou de outra rede social qualquer.

Claro que a escola, para fazer amizades, é muito boa e se calhar é uma das poucas coisas de bom que temos no nosso dia a dia, não são todas as crianças que têm a possibilidade de ir para a escola aprender e ao mesmo tempo estar com quem nos mais gostamos, mas se perguntarmos aos alunos de hoje em dia (eu inclusive) se gostamos da escola, maior parte das respostas irão ser não pois os alunos do século XXI mostram desinteresse e “baldam se” em algumas atividades do ensino. Talvez o problema não seja a atitude e o comportamento dos alunos, mas sim o problema ser o ensino. Apesar de estarmos em pleno século XXI estamos numa forma de ensino ainda do outro século. Aqui há dias o meu professor de português falava precisamente deste assunto e não pude de deixar de concordar com ele. “Vivemos num tempo moderno, mas com um ensino antiquado”, foi esta a expressão que me chamou mais à atenção. Talvez devêssemos adotar o modelo de ensino da Finlândia onde as salas de aulas são compostas por pufs e tablets, respetivamente, substituídos pelos materiais típicos do outro século (cadeiras e mesas onde há frente desses objetos se encontra o quadro e o professor a falar). Talvez assim a ideia de escola mudaria para os “baldas” e de uma certa forma um desafio para os bons alunos, visto que, estamos a ir para um caminho onde cada vez mais estamos pendentes a um ecrã e onde as grandes empresas apoderam-se, a cada dia que passa, dos nossos hábitos fazendo-nos mudar e assim entrar no padrão da sociedade.

Em relação a mim penso que de uma certa forma também estou dentro desta situação e tenho perfeitamente a noção de que estou a ir para um caminho onde tenho que obrigatoriamente seguir o tal padrão que a sociedade “exige” para poder tornar- me mais uma mente cheia de problemas, mas que não os demonstra com medo de que perca oportunidades na vida futura.

Mas, para mim, têm que haver mudança para melhor e como afirma o filósofo Immanuel Kant: «Toda a reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço». Ou seja, para ver resultados positivos na nossa vida temos que nos esforçar e lutar contra os dogmas da sociedade que acham que a vida é composta por: nascer, crescer, aprender, formar-se, arranjar emprego, trabalhar, reformar-se e morrer porque a vida vai muito mais além do que isso!


- Ana Dias, 10ºC.

Querer deitar fogo à floresta.

Evidentemente que ao longo do tempo diversas coisas mudaram, inclusivamente o modo de educação. O que pode, por vezes, não ser tão evidente é que nem sempre essas mudanças são positivas. Uma série de erros que tem vindo a ser praticada, de modo geral, pelos pais da atualidade, gerou a "geração floco de neve" Uma geração excessivamente sensível que não sabe lidar com as frustrações e com os obstáculos da vida. Mas como reverter este processo? E, mais importante: como fazê-lo sem prejudicar os jovens que, apesar de pertencerem à "geração floco de neve" não possuem as características associadas a esta geração. Querer resolver este problema é, por isso, como "querer deitar fogo à floresta mas sem querer queimar os ninhos e o sol das sestas".

No entanto, há formas de educar as crianças de maneira a resolver este problema, mas é necessário que a sociedade mude a forma de pensar.

Primeiramente, os pais devem parar de sobreproteger os filhos, as crianças devem aprender a fazer as coisas por si de modo a estarem preparadas para o mundo real; devem, também, parar de sobrevalorizar o facto de sermos todos únicos e especiais, sim, isso é verdade, mas sem trabalho e esforço de pouco ou nada vale a nossa especificidade; por último, as crianças devem consciencializar-se de que dramatizar as situações não vai resolver os problemas, ou seja, "fazer uma tempestade num copo de água" não resolve problemas.

A escola deve, também, ajudar o desenvolvimento da criança enquanto ser humano, não dando demasiados facilitismos.

Particularizando este problema na minha vida, sinto que, embora não me identifique totalmente com a "geração floco de neve" partilho uma ou outra característica com esta. Aliás, creio que todos nós partilhamos.

Em suma, gostaria de reforçar a ideia de que é possível "transformar o mundo sem lutos e sem cólera", basta que a sociedade mude a sua maneira de pensar. Na minha opinião, grande parte dos problemas mundiais seriam bastante atenuados com o melhoramento da formação, informação e consciencialização da sociedade.

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