Chile, 1960: o maior tremor de terra alguma vez medido.

segunda-feira, 8 de março de 2010 · Temas: ,

O maior tremor de terra alguma vez medido ocorreu em 1960 no Chile. Provavelmente já deverão ter ocorrido tremores de terra de intensidade superior durante a história da humanidade, mas não foram medidos, gravados e verificados tal como este.

Os instrumentos que os sismólogos usam para medir os tremores de terra, detectam a energia libertada pelos movimentos da crusta terrestre. Neste caso, a quantidade de energia libertada foi de tal modo grande que se tornou no mais intenso sismo alguma vez medido. Não se confunda, no entanto, este valor com o grau de destruição provocado visto que este depende, em muito, do contexto onde sismo ocorre. Vimos recentemente no Haiti, que um abalo de intensidade muito inferior provocou uma enorme catástrofe humana, dadas as débeis capacidades infra-estruturais apresentadas por aquele país.

Sul do Chile depois do terramoto de 1960.
O tremor de terra chileno de 1960 registou, no momento da sua ocorrência, uma magnitude de 9.5 Mw (esta escala baseia-se no momento em que ocorre o sismo e, ao contrário de outras, tem em conta as relações geométricas das falhas onde ocorrem os sismos e os locais de registo) mas apenas de 8.5 na escala Ms (Mercalli Scale, ou seja, Escala de Mercalli, que tem em conta as ondas sísmicas que viajam a partir do epicentro, ao longo da superfície terrestre).

Embora haja aparelhos de medição sísmica há mais de mil anos, só a partir da segunda metade do século XIX é que se começaram a elaborar aparelhos comparáveis aos actuais sismógrafos.

O sismógrafo é o instrumento que regista as ondas sísmicas e é constituído por uma massa livre que, devido à força da inércia, tende a “acompanhar” a Terra e, portanto, reflectir numa escala o abalo por esta sentida. Este movimento oscilatório é registado por uma pena, num movimento de vaivém, que traça uma escala de ondas sísmicas. Quanto maior o sismo, maior o movimento de vaivém da pena.


Em 1931, o Laboratório de Sismologia de Pasadena (Califórnia), decidiu publicar uma lista anual dos sismos locais. No entanto, essa lista que continha duas a três centenas de sismos foi considerada intimidante para o público em geral, pois não referia que a maioria dos abalos listados era de pequena intensidade.

Perante esta realidade, Charles Richter decidiu "racionalizar" o método para classificar a dimensão dos tremores de terra. Utilizando uma escala logarítmica, decidiu que para um terramoto ser classificado de magnitude 1, teria de mover a pena do sismógrafo num milésimo de milímetro e o tremor de terra ter o seu epicentro a 100 kms de distância (o terramoto chileno de 1960 teve o seu epicentro a 160 quilómetros da costa e a cerca de 60 kms de profundidade e, como referido, uma magnitude de 8.5 Ms).

Charles Richter.
Valdivia e Puerto Montt, cidades próximas, sofreram uma grande devastação sem no entanto terem apresentado grandes perdas humanas. Este facto explica-se pelos pequenos abalos antecedentes, que levaram a população à rua. A devastação deste tremor de terra foi de tal ordem que não se confinou às infra-estruturas humanas. Verificaram-se grandes movimentos de terra, rochas e mesmo a alteração do curso de rios, criando por vezes novos lagos.

O que causou este tremor de terra?

Em qualquer tremor de terra acontece basicamente uma coisa: a crusta terrestre desloca-se ao longo de uma falha. Estes movimentos tendem a acontecer ao longo das fronteiras entre as várias placas tectónicas. Neste caso, entre a Placa Nazca e a Placa Sul-americana, num movimento denominado por subducção. Efectivamente, a Placa Nazca continua a mergulhar sob a Placa Sul-americana, num movimento lento que está na origem, por exemplo, da cadeia montanhosa andina.


Os tremores de terra chilenos não são raros nem pequenos e parecem ter um ciclo de 25 a 100 anos e continuarão a acontecer, imprevisivelmente, enquanto o fenómeno de subducção decorrer.

Fontes: - Elizabeth Keller, Extreme Science; - Wikipédia; - http://www.sizes.com/; - Universidade do Algarve (http://www.ualg.pt/)

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3 respostas a: “Chile, 1960: o maior tremor de terra alguma vez medido.”

  1. Professor, um dos últimos sismos que o Chile sentiu, vi na televisão que tinha desviado o eixo da terra cerca de 8 centimetros, para além da diminuição do dia, há mais consequências que possa decorrer disso?

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  2. Pertinente Rita! Essas notícias sobre o desvio do eixo terrestre e da diminuição da duração do dia terrestre, na minha humilde opinião de geógrafo, tudo menos relevantes do ponto de vista científico. Em termos sistémicos simplesmente não têm expressão e impacto no decurso natural da Terra. Portanto, torna-se difícil de entender tanto enfoque numa notícia cientificamente irrelevante. A imprensa tem destas coisas… às vezes cai no sensacionalismo apenas para atrair audiência. Enfim…

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  3. Obrigada pelo esclarecimento!
    Sim, realmente a imprensa é cada vez mais sensacionalista!

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