Julho e agosto: um verão com duas versões.

sábado, 5 de setembro de 2026 · Temas:

Os meses de julho e agosto de 2026 decorreram num contexto climatológico global marcado pelo fortalecimento do fenómeno El Niño, capaz de perturbar os padrões de temperatura e de precipitação em várias regiões do planeta. Na Europa, este período ficou assinalado por sucessivos episódios de calor intenso, alguns dos quais atingiram regiões pouco habituadas à sua frequência ou severidade.

No Noroeste de Portugal Continental, onde se localiza a estação meteorológica de Macieira, uma freguesia do concelho de Lousada, os dados mostram-nos um verão com duas versões muito distintas: uma extremamente quente, associada à presença de massas de ar muito quente e a episódios de calor intenso; outra bastante mais fresca, relacionada com a entrada de ar marítimo e com a passagem de sistemas frontais.


Julho começou sob calor extremo. Nos primeiros dias, as temperaturas máximas aproximaram-se ou ultrapassaram frequentemente os 40 °C, atingindo 42,2 °C no dia 4. Seguiu-se uma descida acentuada, que deu lugar a um período mais moderado durante grande parte do mês. O calor ainda regressou brevemente nos últimos dias de julho, mas sem a persistência observada no início.

A primeira metade de agosto apresentou temperaturas mais regulares, embora progressivamente mais elevadas. A partir do dia 15 instalou-se um novo episódio de calor intenso, que culminou no dia 17 com uma máxima de 42,3 °C, o valor mais elevado dos dois meses, e de sempre, em análise. No dia seguinte, os termómetros voltaram a superar os 40 °C, mantendo-se o calor durante a noite.

A mudança foi, contudo, muito rápida. Depois deste pico, as temperaturas desceram mais de dez graus em poucos dias. A última semana de agosto foi marcada por tempo fresco, com máximas pouco acima dos 20 °C e noites bastante frias para a época. No dia 27, a temperatura máxima não chegou sequer aos 20 °C, contrastando fortemente com os 42,3 °C registados apenas dez dias antes.

Nos últimos dias do mês verificou-se uma recuperação das temperaturas durante a tarde, mas as manhãs continuaram frescas. Agosto terminou, assim, sem um regresso consistente do calor.

Apesar de ter registado a temperatura mais elevada de todo o período, agosto acabou por ser, em termos médios, mais fresco do que julho. Os dados da estação meteorológica de Macieira mostram, sobretudo, a rapidez das mudanças. De facto, em poucos dias, o ambiente passou de um calor abrasador para temperaturas quase outonais. Foi um verão marcado não apenas pelos extremos, mas também pela alternância entre a influência continental e a influência atlântica.

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