Tive uma tarde livre esta semana porque uma das minhas turmas foi para o Porto e, em vez de me enfiar num gabinete ou mergulhar na papelada, experimentei coisas novas. Por outras palavras, fazer mais do mesmo não me assenta, mesmo que o tenha de fazer mais tarde.
Assim, peguei na máquina de corte a laser que tenho na escola e, com a ajuda de uns fabulosos voluntários que se foram juntando, fizemos experiências e conseguimos cortar em vinil dúzias de ovos coloridos e uma série de gatos.
Ora, a questão que se levantou durante a instalação foi: porquê os gatos e não os coelhos, as borboletas ou até as florezinhas? A resposta é simples: porque isso é piroso! O gato, por outro lado, e mesmo adocicado como aqueles que colamos nas montras, não deixa de ser um gato. Um gato nunca é cor-de-rosa (arggh!), verde-alface ou azul-celeste. Na verdade, um gato não se deixa domesticar verdadeiramente; eles só coabitam connosco porque lhes damos comida. Caso contrário, na primeira oportunidade, procuram outras paragens. E mesmo quando se sujeitam a festinhas, acreditem que é graxa.
Ou seja, admiro aquela personalidade autónoma, sem paralelo no mundo dos animais domésticos. Nem os lagartos, que passam horas a olhar em frente, são tão indiferentes às mariquices dos nossos mimos.

