Anomalias na precipitação.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021 · Temas: ,

Portugal Continental está atravessar um daqueles invernos "à moda antiga", que parecem ter desistido de se assumir com tal, há uma série de anos. O outono terminal, que nos trouxe muita chuva, foi recebido com muito frio pelo inverno que se tem apresentado, ao longo destes dois últimos meses, muito chuvoso e agreste. 


E se esta é a perceção, os dados comprovam-no. Segundo o SNIRH, em 22 de fevereiro último, «e comparativamente ao último dia do mês anterior verificou-se um aumento do volume armazenado em 11 bacias hidrográficas e uma descida em 1 [...] Das 59 albufeiras monitorizadas, 37 apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e 4 têm disponibilidades inferiores a 40% do volume total». Simplificando, atravessamos um ano hidrológico anómalo, por excesso, e não é inédito.

Se analisarmos os valores da variação interanual da precipitação desde 1931, com base no valor médio compreendido entre 1971 e 2000, verificamos uma alternância regular entre anos de precipitação maior ou menor à média. Há, no entanto, que realçar que as duas últimas décadas estão marcadas por uma incidência superior de anos de seca, com valores de precipitação muito abaixo da média de referência.

Assim, o ano hidrológico que corre, e pelos dados compilados até ao momento, parece alternar os anos de seca, cujos valores de precipitação, bastante inferiores à média, têm preponderado.


Fontes: Agência Portuguesa do Ambiente, 2019 (consultada em fevereiro de 2021) // IPMA // SNIRH // Tendências nos extremos de precipitação em Portugal Continental 1940-2012 (M. Isabel P. de Lima, Fátima Espírito Santo, Sofia Cunha, Álvaro Silva).

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