O efeito Pigmalião.

segunda-feira, 26 de julho de 2010 · Temas: ,

Efeito Pigmalião (também chamado efeito Rosenthal), é nome dado em psicologia ao efeito de nossas expectativas e percepção da realidade na maneira como nos relacionamos com a mesma, como se realinhássemos a realidade de acordo com as nossas expectativas em relação a ela.

O poeta romano Ovídio, que viveu no início da era cristã, escreveu sobre o escultor Pigmalião, que se apaixonou pela própria estátua e foi premiado pela deusa Vénus, que deu vida a estátua. O polemista e dramaturgo irlandês George Bernard Shaw, escreveu sobre esse tema na peça Pigmalião, posteriormente adaptada para o musical My Fair Lady, história de uma florista que se transforma em lady porque alguém a viu como tal, fazendo aflorar a lady que já existia dentro dela.

Pigmalião e Galatéia - Jean-Léon Gerome.
O efeito Pigmalião foi assim nomeado por Robert Rosenthal e Lenore Jacobson, destacados psicólogos americanos, que realizaram um importante estudo sobre como as expectativas dos professores afectam o desempenho dos alunos. Segundo os autores, professores que têm uma visão positiva dos alunos tendem a estimular o lado bom desses alunos e estes devem obter melhores resultados; inversamente, professores que não têm apreço por seus alunos adoptam posturas que acabam por comprometer negativamente o desempenho dos educandos.

O efeito Pigmalião tem uma forte influência no desempenho dos alunos tal como comprovaram os psicólogos americanos e como muitos de nós somos testemunhas.

Todos temos consciência de que um professor por muito que o aluno tenha maus resultados, deve sempre estimulá-lo e desafiá-lo para fazer melhor, porque todos nós temos capacidades e às vezes só precisamos de um “empurrãozinho” para que estas se revelem. O efeito pigmalião interfere não só com o nosso rendimento escolar mas também com a nossa auto-estima, quando sabemos que os outros (neste caso os professores), acham que temos capacidades e apostam em nós incentivando-nos a fazer cada vez melhor, a nossa confiança face a futuras actividades que realizemos vai aumentar e os resultados serão cada vez mais elevados. Porém o efeito inverso não implica que o resultado seja também negativo. Pela lógica quando um professor não acredita em nós e não nos estimula temos tendência a desanimar, chegamos mesmo a desistir, mas será que todos são assim? Não, eu pelo menos acho que não. As pessoas não são todas iguais e por isso não reagem todas da mesma maneira, por isso posso afirmar que alguns alunos quando não acreditados pelo professor, e apesar da falta de estímulos, lutam e esforçam-se para mostrar que o professor estava errado e que de facto têm capacidades e valor. Logo o resultado do efeito pigmalião não pode ser generalizado, visto que o ser humano é diferente e tem diferentes formas de reagir perante determinadas situações.

Pedagogicamente falando, considero que todos os professores, deviam ter consciência do que realmente é o efeito pigmalião e entenderem que o sucesso dos seus alunos também passa pelas suas mãos. A estimulação é extremamente necessária no ensino para se fazerem alunos cada vez mais bem formados, capazes e lutadores. O sucesso não depende exclusivamente de um só indivíduo, passa também pelo efeito das expectativas daqueles que os rodeiam.

- Nota: este texto foi originalmente publicado no Jornal de Parede de Psicologia da Escola Secundária da Lixa.

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7 respostas a: “O efeito Pigmalião.”

  1. Já que aprendemos a lição porque não aplicar a matéria dada? Ao efeito Pigmalião eu chamo elogio, ou melhor, o poder do elogio. Contudo acho que nos esquecemos, muito facilmente, de nos elogiarmos, seja por uma questão de personalidade lusa, seja pela inveja, o que é certo é que vivemos num cizentismo reinante em que o fútil é levado ao estrelato simplesmente porque não vale nada e, tarde ou cedo, cairá na indiferença. Este blogue é um verdadeiro espelho disso tudo. O Geopalavras recebe diariamente cerca de 50 a 60 entradas mas, quantas delas deixam comentários (forçosamente de elogio) aos vossos artigos ou outros de colegas vossos aqui publicados? Népias!

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  2. É preciso saber elogiar sem inveja, sem medo, sem vergonha e a maior parte das pessoas não sabe faze-lo!

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  3. Quer-me parecer que existe mais elogio com inveja do que, por exemplo, de vergonha. Isto é tudo muito estranho e parte da personalidade de cada pessoa.
    O certo é que se deve elogiar quando tem de ser! É um estímulo para a outra pessoa sentir o elogio.

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  4. O elogio esta cada vez mais gasto e o facto de varios nao o saberem usar torna o elogio vulgar!
    Logo que os professores nao criem "grupos de elogio" e tratem todos de igual maneira, é sempre bom!

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  5. Ainda assim, arriscava!

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  6. Boa tarde! Gostei muito do vosso artigo e gostaria de fazer referência a uma frase vossa no meu trabalho de mestrado. Tenho autorização? Quem foi o autor? Obrigado e continuação de bom trabalho!
    P.S. Parabéns pela vossa página!

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