Não é a primeira vez que aqui afirmo adorar aquela Geografia de base que se leciona no sétimo ano de escolaridade em Portugal. Gosto da sua utilidade prática, que convida a uma geografia em ação, tão recomendável nestas idades. Ora, a determinação da localização absoluta de um lugar, mediante a sua latitude e longitude, é precisamente um desses conteúdos que permitem aos alunos brincar «à geografia» e aprender sem pesar.
Quando ensino estes dois conceitos, procuro explorar o seu significado astronómico e a história da sua construção, ciente da dificuldade que o segundo coloca aos alunos: compreender como é possível determinar a longitude de um lugar comparando dois relógios que assinalam horas diferentes. Para o explicar, recorro a figuras, planisférios e até a relógios de ponteiros, numa abordagem mais clássica. Procuro, assim, ilustrar o problema que John Harrison ajudou a resolver no século XVIII: embora o conceito de longitude fosse conhecido há muito, faltava um relógio capaz de conservar a hora de referência com suficiente precisão durante as viagens marítimas.
A longitude de um lugar pode ser determinada pela diferença entre a sua hora solar média (o ponto em que, simplificadamente, o Sol está mais alto no céu) e a hora solar média do meridiano de Greenwich. Podemos representar essa comparação com dois relógios: um que indique a hora solar média local e outro que mantenha a hora de referência de Greenwich. Sabendo que um dia solar médio tem 24 horas e que uma rotação completa corresponde a 360°, obtemos uma relação de 15° de longitude por hora (360° ÷ 24 horas = 15°). Assim, se o primeiro relógio marcar 12h e o segundo 14h, a diferença de duas horas corresponde a uma longitude de 30° oeste (2 × 15° = 30°). Se a hora solar média local estiver adiantada em relação à de Greenwich, a longitude será leste. Só falta navegar!

