Gosto de olhar para as nuvens e adivinhar o retrato do estado do tempo que elas desenham. E sim, leram bem: olhar para as nuvens, e não andar nas nuvens, porque deixei de acreditar em tal coisa. Além disso, é muito mais divertido associar o estado do tempo às nuvens que correm pelo céu do que tentar imaginar nelas um cão ou um gato, quase sempre muito rebuscados na forma.
De uma maneira geral, as nuvens estão associadas a determinadas condições atmosféricas e, consequentemente, a certos estados do tempo, que variam também de acordo com a época do ano e com a nossa localização geográfica. Nos últimos dias foi possível observar fantásticos exemplos de cumulus congestus e cumulonimbus, nuvens que denunciam forte instabilidade atmosférica e movimentos ascendentes intensos do ar.
Neste início de outono, com os dias a mingar e o inverno a aproximar-se, as temperaturas ainda podem atingir valores relativamente elevados quando massas de ar subtropical avançam para latitudes mais elevadas e alcançam, por exemplo, o noroeste da Península Ibérica. Foi o que aconteceu no passado fim de semana e nos primeiros dias desta semana.
Associada a essa massa de ar, desenvolveu-se uma região de baixa pressão atmosférica. Numa depressão, o ar tende a convergir junto à superfície e a ascender. Quando esse ar é quente e contém bastante vapor de água, a subida pode tornar-se particularmente intensa. À medida que ascende, o ar arrefece e o vapor de água condensa, originando nuvens de forte desenvolvimento vertical.
Numa primeira fase, podem formar-se os cumulus congestus, facilmente reconhecíveis pelo seu aspeto de grandes torres brancas, semelhantes a enormes couves-flor. São nuvens que crescem rapidamente em altura e revelam uma atmosfera bastante instável. Podem já originar aguaceiros intensos, embora nem sempre estejam associados a trovoada. Quando a instabilidade é ainda maior e o movimento ascendente do ar se prolonga, os cumulus congestus podem evoluir para cumulonimbus. Estes atingem altitudes muito superiores e apresentam frequentemente, no topo, a característica forma de bigorna.
São nuvens belas e imponentes, mas também potencialmente violentas, associadas a aguaceiros fortes e localizados, trovoadas, rajadas de vento e, por vezes, granizo. É precisamente isto que torna tão interessante olhar para o céu: as nuvens não são apenas formas passageiras. São o retrato visível dos movimentos do ar e das transformações que estão a ocorrer na atmosfera.

