Levamos a ideia para a sala de aula e, surpreendentemente, em todas as nossas turmas, o conceito era muito mal conhecido ou até mesmo desconhecido. Pouco foram os alunos que souberam explicar para que servia, o que que permitia e que se podia usar com um telemóvel. A receção foi promissora. Fizemos em plenas aulas, pequenos filmes (360º), e passamos o Cardboard, com os respetivos, por todos os alunos. Lançamos também uma espécie de prazo sugestão para que todos os alunos tentassem adquirir um parecido: o final do período. Até lá, faremos mais experiências e aqui, delas daremos conta.
Andamos entusiasmados.
Há cerca de um ano surgiu na imprensa aquilo que se sente na sala de professores: “Só 0,4% dos professores têm menos de 30 anos”. Excluímos da frase anterior o ponto de exclamação, e não é um erro! O ponto final usado por sua vez, vinca o que se constata há muito nas salas de aula, um desfasamento entre o aluno que dificilmente se surpreende com aquilo que nos fazia ficar boquiabertos na FNAC há relativamente pouco tempo. Agora, reflita-se em quem insiste no método de exposição de “matéria” baseado nos anos anteriores à cadeia francesa se ter implantado em Portugal, e fica quase tudo dito.
Daí esta nossa incessante necessidade de superar o grisalho com mentalidade aberta, que se alimenta da diferença, do espicaçar, daquilo que nos chega de colegas entusiastas e também da atenção a estas novidades. Desta feita, trata-se de aulas de Geografia com recurso ao Cardboard.
Investigamos e imaginamos o que já é possível há muito: com recurso a um Cardboard (o que está na fotografia adquirimos na ALE-HOP de Évora, por cerca de 15 euros), que existem à venda na Amazon, por exemplo, a preços acessíveis.
Mas, para que serve? Se potenciado, e com imaginação / adaptação, para imenso. Vejamos, depois de lhe dedicarmos um certo tempo, e aliá-lo ao ensino, descobrimos o que numa sala de aula é possível: viajar de forma imersiva (com som), até ao topo dos Himalaias, ao fundo do oceano ou mesmo à Amazónia; o que quisermos (!) e até ao pátio da nossa casa usando uma aplicação para Android - Câmera Cardboard, e depois inserindo o nosso smartphone no Cardbord.
Em aula, por exemplo, e com recurso à aplicação Cardboard (aqui aplicação Android)e a uma outra denominada por Expedições, ambas da Google, é possível comandar toda uma turma numa viagem à Antártida, no conforto térmico da sala de aula e sem ultrapassar os custos das viagens de estudo impostos pelo Ministério para o corrente ano letivo!
Em suma, e para fazer uma coisa diferente de “emendar a data da ficha que já aplicam em aula desde o estágio nos anos 80”… fazer o seguinte:
- Usar um smartphone recente.
- Comprar um Cardboard na Amazon.
- Instalar as 3 aplicações mencionadas no texto (toca a ler).
- Convencer os alunos e ou Encarregados de Educação a fazer o mesmo.
- Dar aulas fantásticas!
Como é hábito, se necessitares de alguma ajuda, podes muito bem contactar-nos, nem que seja por mera curiosidade. Temos novos aprendizes de geógrafo na calha, que podem muito bem juntar-se aos restantes DR´s que por aí andam a espalhar magia!
Época de furacões.
Não se fala de outra coisa, os furacões atlânticos e o tufões pacíficos, estão a surgir em força, até porque o início do ano está prestes a começar, e eles não brincam “em serviço” quando há atrasos, baldas aos trabalhos, e pouco estudo. Mas, estes são um outro tipo de fenómenos… Vamos aos que surgem na televisão.
Estas supertempestades chamam-se furacões no Atlântico, tufões no Pacífico, ciclones no oceano índico, e na Austrália são conhecidos por willy-willies (ou limpadores de algodão), e constituem-se como as mais devastadoras tempestades da Terra.
Um furacão começa no mar, que terá de apresentar uma temperatura elevada, visto que na sua formação, a mistura de calor e vapor de água é vital. Daí a coincidência da sua ocorrência com latitudes tropicais onde aquelas condições se verificam, sobretudo nesta altura do ano (letivo?).
Ora, passemos à anatomia de um furacão, dos verdadeiros (para os primeiros, era necessário muito lubrificante, ferramentas estranhíssimas, e saber lidar com a muita ferrugem das peças que ainda vão funcionando…). Portanto, quanto aos verdadeiros:
- 1. O mar aquece o ar acima de si. O ar quente e húmido sobe.
- 2. Rapidamente se cria uma baixa pressão à superfície que, conjugada com a força geostrófica, faz o ar ascender e rodopiar em redor de um “olho”.
- 3. O ar ascende, arrefece e condensa, provocando chuvas torrenciais, ventos fortes e trovadas.
Se estiveres perto de um e ou souberes da sua aproximação, esquece as “selfies” e pisga-te para dentro de um edifício bem protetor: uma escola, por exemplo…
Fonte: Geografia Horrível – Apanhados do Clima, Anita Ganeri, Publicações Europa América.
Uns vídeos perdidos.
No principio era o verbo, o Clique e o ZapCanal, depois veio o Geopalavras. O Encontro Verde do passado fim de semana, em conversas, fez-nos recordar vídeos que publicamos há anos, em dois canais do Youtube, repositórios que havíamos perdido o rasto há anos. Desde que usamos o Vimeo, por maior versatilidade e liberdade de editorial, deixamos de publicar no naqueles canais, onde permanecem dezenas de vídeos realizados entre 2009 e 2013. Vamos recordar?
Há muitas atividades que aqui nasceram: o Támal, saudosa atividade que versava a indagação de problemas sociais e ambientais locais ou distantes; a ficção pura, que nos leva ao teatro, à sátira e ironia. É também nestes canais que estão arquivados os vídeos de demolição do antigo edifício da ESL e da construção da mesma. Inevitavelmente, não poderíamos contornar os Sábados Diferentes e as várias visitas de estudo que fizemos ao longo de anos. É um boa redescoberta; disfrutem.
Encontro Verde 2018.
Pedras e calhaus, horsts e grabens, diamantes e turmalinas, o Encontro Verde deste ano versou o importante papel da geologia na sociedade moderna. E vendo bem, estamos rodeados dela, que se imbui na panóplia moderna que nos dá, por exemplo, o conforto ocidental. Repare-se: um único telemóvel é hoje impossível de conceber sem uma enormidade de minerais que o constituem, e que são obtidos longe da Europa e ou América do Norte, onde os custos ambiental e humano são cinicamente tragados de uma forma indescritível.
Deste modo, mais do que a mera geologia, muitas das vezes abordada com um inegável sentido de humor gemológico, este encontro fez também refletir uma plateia repleta sobre as modernas formas de energias intangíveis, como é a eólica, ou a perigosa novidade dos ecológicos automóveis elétricos.
Uma nota final: o Encontro Verde é confortável. Respira um tom intimista por via do espaço onde se desenvolve, a sua temática e oradores, a audiência que que nos fez reviver com saudade um certo passado (encontramos ex-alunas, agora professoras no exercício de Geografia, e até colegas de outros tempos), mas sobretudo pela simplicidade da sua Organização. A ela, parabéns! Prometemos repetir.
Um novo ano letivo, um novo ciclo.
Embora o sol ainda circule alto e verdadeiramente o verão não tenha acabado, o fim das férias fecha um ciclo social, económico e psicológico, mas também traz um novo. É hora de retornar às rotinas que ocupam a maior parte do tempo da nossa vida, é hora de reencontros, de relatar histórias, conhecer novas pessoas e reencontrar outras. Se há balanços de vida a fazer, decisões a tomar e projetos a desenvolver, esta é a altura. É nestes momentos que se perfilam os caminhos possíveis que, uma vez trilhados e adensados na floresta letiva, torna o caminho inverso não impossível, mas sempre em esforço.
Daí a importância destes momentos que se avizinham para alunos, professores, dirigentes, e milhões de pessoas que retornam aos seus empregos e negócios, onde o novo ciclo se impõe e pauta decisões. Pessoalmente, gostamos muito deste retornar, deste renascer, desta azáfama esperançosa perante um futuro sempre enorme e cheio de oportunidades. Se soubermos lidar com as mesmas, há que palpitar. Costumámos dizer que o futuro não nos assusta, por vezes assombra-nos o passado.
