Adoramos os nossos barbeiros!

sábado, 21 de outubro de 2017 · Temas: ,

Se resta alguém genuinamente portuense, sem sequer lá ter nascido, definitivamente teremos de incluir os nossos barbeiros, o Sr. António e o Sr. Fernando, dois irmãos, o primeiro, benfiquista, daqueles que assina a BTV e vai ver a bola para o café, e o segundo, portista doente, que nem no café consegue ver a bola.

OsMeusBarbeiros_Geopalavras2017

Na verdade, não faltam barbeiros! Há, como os cafés do mata-bicho, um em qualquer ajuntamento de casas que se preze. Trata-se de uma questão de brio paroquial, saber que podemos contar com o barbeiro da terra. Afinal, é ali que tudo se sabe e conta, da bola às eleições, dos desaguisados familiares ao preço da “gasópia”.


Não obstante a abundância, não abdicamos de fazer quilómetros, quando não estamos no Porto, para cortar o cabelo na Barbearia S. António, situada na Rua de 31 de Janeiro, há quase “90 anos”. Ou seja, mais um do que a idade do irmão mais velho, o Sr. António, que hoje nos cortou o cabelo, e ali trabalha há “mais de 60 anos”.

Ao mesmo tempo, e duas cadeiras, muito cobiçadas por antiquários, ao lado, o Sr. Fernando contava que pela manhã tinha “aviado” um alemão e um casal de holandeses. Dizia isto, enquanto cortava o “pisco” a um norte-americano de Los Angeles, acompanhado da filha, que decidiu, pela experiência, pôr fim à barba de meses. Aliás, os maiores clientes da barbearia são, por estes dias, turistas de todo o mundo, que comunicam por gestos universais, barba e cabelo, são tratados por “tu” (“senta-te aqui e diz lá o que queres”), e devolvem as fotografias tiradas aos dois irmãos em ação, pela via postal,  que decoram parte do espelho, junto a um quadro elétrico, de botões proeminentes, tirados de um filme de ficção científica dos anos 50.

Não é qualquer um que se pode gabar de ter uns barbeiros assim: ranzinzas, divertidos sem querer, completamente autênticos e com sotaque “à Porto, de Contumil e Fontaínhas”, respetivamente. Sentimos muito carinho por aqueles dois que nos cortam o cabelo desde miúdos. E, acreditem, que quando descemos a 31 de Janeiro, seguimos inquietos, com medo de encontrar a porta fechada.

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