S. Torcato e os seus moinhos.

sexta-feira, 20 de maio de 2016 · Temas: ,

Neste ano de chuva pródiga, toda a envolvente ao santuário de S. Torcato, ex-líbris da freguesia homónima de Guimarães, surgiu-nos sulcada por ribeiros, riachos e pequenos regos bem vivos, que alimentavam hortas, vinhas e moinhos, num cenário surpreendente e não distante, onde os alunos do curso de turismo da ESL realizaram um percurso pedestre e sinalizado, de responsabilidade camarária.

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O percurso começa na imponente igreja que domina todo o santuário. É um projeto começado em 1868, cujo desenho alemão foi orientado pelo arquiteto portuense Marques da Silva, numa fusão entre o gótico e o manuelino. Considera-se que a obra ainda não está acabada, e a prova está no espartano interior, que não coincide a magnitude das duas torres que compõem a igreja.

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O seu maior tesouro é o “corpo do santo”, uma relíquia que permanece dentro de uma de vidro, e alimenta um interessante culto em torno deste padroeiro da dor de cabeça. Reza a lenda que o corpo deste evangelizador, morto por mouros, foi encontrado intacto num bosque, e por entre a vegetação e as pedras, brotou uma fonte caudalosa que ainda hoje se conserva, conhecida como Fonte de São Torcato. O santo, pré-românico, não é oficialmente reconhecido pela igreja, nunca foi canonizado, mas faz parte da identidade das pessoas da região.

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Ligeiramente a sul, numa enorme várzea, onde se reúnem as águas que drenam todo aquele couto de S. Torcato, encontramos o campo da ataca, localização aproximada do local onde o nosso fundador iniciou a Batalha de São Mamede e iniciou o processo da independência de Portugal rumo ao sul.

O percurso, circular, atravessa também vários moinhos, alguns ainda no ativo, outros em ruina, entremeado por bouças de carvalhos assentes em terra húmida, onde a natureza nos surgiu  muito bela, frágil, mas senhora de si mesma.

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E que aprendemos com esta jornada de 8 quilómetros, que culminou, já depois do almoço no alto da Penha? Muita história, imensa geografia, sensibilidade ambiental, e uma perceção da função iminentemente turística, e potenciadora, de um percurso turístico.


Fontes: Jornal Público (Julho de 2010) // Wikipédia // Antepassados em Guimarães

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