Sábado Diferente: clichés e tipicidade.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016 · Temas: ,

O turismo é feito de clichés, ninguém o pode negar. Desde as fotografias tiradas ao pôr-do-sol, passando pelos postais de atrativos turísticos, até às t-shirts com o disseminado “i love…”, os clichés são parte integrante do ritual turístico e, em certa medida, fundamentais à sua existência. Afinal, não nos esqueçamos que esta atividade, eminentemente económica, se gere por regras e praticas comerciais que também criam empregos e desenvolvem regiões,  onde os clichés têm o seu lugar e um papel, no mínimo, de divulgação. Até aqui tudo bem, o problema está quando estas práticas asfixiam e ultrapassam o endógeno do país, cidade ou região, num palco turístico altamente competitivo e cada vez mais visível e escrutinado. Em Portugal há bons e maus exemplos.

SB-Clichés e tipicidade

Por isso, e enquanto há tempo, é importante separar o “trigo do joio”, e não sacrificar aquilo que temos genuinamente nosso, sem fundamentalismos, pois afinal vivemos num mundo globalizado, mas com sensibilidade e olhar preocupado perante aquilo que nos torna diferentes e atrativos.

Ora, de tudo isto, resulta o enorme percurso que vamos fazer neste próximo Sábado Diferente, no dia 20 de fevereiro, que nos permitirá observar estes dois mundos: clichés e também muita tipicidade.

De Espinho até à Ribeira de Vila Nova de Gaia, há a percorrer cerca de 20 quilómetros. O percurso parte da cidade de planta ortogonal e segue para norte paralelamente à costa de Vila Nova de Gaia, cujos passadiços protetores da flora dunar, são um ótimo exemplo de reabilitação ambiental das praias, outrora poluídas, perpetrada em poucos anos com a resolução focalizada a montante das ribeiras, antes poluentes. A par desta melhoria ambiental, o paulatino ordenamento urbano que esta área litoral de cerca de 15 quilómetros verificou, transformou-a na praia de excelência da toda AMP.

Com cerca de um quarto da caminhada realizada, encontraremos um dos nossos pontos de interesse, a Vila piscatória da Aguda (Freguesia de Arcozelo, VNG), onde “O Mar é a nossa alma” e as gaivotas “preguiçam” no extenso areal. A pesca e a pacatez do núcleo central da vila, é talvez um do segredos mais bem guardados da região, longe da massa turística, e a escassa distância da grande cidade.

 

Mais a norte, passaremos pela fotogénica capela de Miramar, pela paisagem rochosa das praias de Salgueiros e Lavadores, onde «não é possível deixar de dar conta da maneira como aquela rocha imprime à paisagem um cunho inconfundível (Assunção, 1973)».

Já depois da belíssima Foz do Douro vista de sul, subiremos para montante e faremos uma nova paragem na Vila da Afurada, cujas gentes, vividas da pesca, possuem uma das mais belas vistas do país: a Cantareira e o pôr do sol a ocidente do estuário do Douro.

Já depois da Ponte da Arrábida, de traço simples e belo, como são todas as obras de Edgar Cardoso, serpentearemos com o rio a paisagem e o casario de Miragaia e, depois da curva, a Ribeira, o morro da Sé e as Fontainhas. Junto à Ponte de D. Luís, veremos o belo e o horrível: a praga dos «tuk tuk», um teleférico saído dos Alpes suíços ou os “caçadores” de turistas  para os “cruzeiros” do douro, cuja abordagem elefântica afugenta mais do que atrai.

É todo esta matéria-prima que vamos observar e sentir, sobre a qual faremos uma reflexão assente na seguinte questão: que tipo de turismo queremos para a nossa região? Teremos respostas depois deste Sábado Diferente, cuja inscrição online poderás realizar aqui e obter a consequente autorização de participação aqui.

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