Felizmente, há roupa a secar à janela!

terça-feira, 28 de julho de 2015

Há cerca de três semanas, foi anunciada a inclusão do - Porto, Património Mundial - na plataforma Google Cultural Institute, mais um enorme projeto do gigante informático, que pretende dar a conhecer coleções de arte e ou preservar e aspetos da história comum da humanidade, sejam eles pinturas, monumentos ou acontecimentos.

A inclusão da cidade naquela plataforma esteve ao cargo dos alunos de mestrado de História de Arte da FLUP, que retrataram basicamente o centro histórico ao longo de 60 fotografias, que inclusivamente nos motivaram na edição deste artigo. Se as percorrermos, não veremos postais, pelo contrário, vemos o Douro, o Atlântico, o granito, a bela arquitetura secular portuense e roupa a secar, e é muito importante que vejamos amiúde pelas janelas da cidade, este sinal de vida e alma. Quando as cidades perdem esta essência, tornam-se em coisas amorfas e plásticas, numa palavra, gentrificadas e iguais a tantas outras.

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Este é um tema que devia preocupar e muito os decisores políticos, pois o contexto de fulgor turístico, sem paralelo, tem fechado seculares mercearias, retrosarias e antiquários, para no seu lugar surgir pizzarias e lojas de comida gourmet de nome sofisticado. Não é um fenómeno exclusivo do Porto, muito pelo contrário; a nível nacional, Lisboa assiste ao mesmo problema e o Algarve, numa sintonia mais ambiental,  é um enorme erro urbanístico construído e autorizado ao longo de décadas. Lá fora, em Barcelona por exemplo, o caso é tão grave que a própria população não quer mais turistas. A cidade perdeu 13 mil habitantes em oito anos e transformou-se numa enorme Disneylândia turística.

Estes erros devem ser foco da nossa atenção, já aqui trouxemos exemplos (o caso da papelaria Araújo & Sobrinho), mas infelizmente assistimos todos os dias, e apenas num breve périplo pela baixa e centro histórico do Porto, a sinais preocupantes. Valha-nos a resiliente roupa a secar nas janelas e varandas da cidade.


Fontes: The Guardian // Público // Google Cultural Institute

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