Mindelo diferente.

terça-feira, 19 de novembro de 2013 · Temas:

Os Sábados Diferentes têm mais horas do que um sábado normal. Esta anomalia cronológica, que multiplica o número de minutos disponíveis e faz esticar o tempo, é fenómeno de rara ocorrência, extremamente localizado, mas muito útil aos que acreditam que os sábados podem ser preenchidos de formas indiferentes ao conforto psicológico da cama.

Ora, foi com a indiferença conquistada, que um bando de aves raras bem grasnantes, zarpou no amarelo de destino ao Porto e, num ápice e à hora certa, mergulhou na Baixa portuense que ao sábado de manhã adquire um bulício muito próprio.

SB mindelo panorama PQN

Volta aqui, volta acolá, quando demos por ela descíamos os gastos degraus da escadaria do Bolhão, decorada por dois painéis de azulejos que publicitam o vinho Menagem, quase tão velho como o mercado que definha à espera de rumo.

Após a pausa para almoço, carregamos os cartões azuis do metropolitano portuense numa máquina “faz-tudo” que, com jeitinho, até serve refeições e tira cafés, e logo de seguida tomamos metro com destino à Póvoa de Varzim. A viagem de aproximadamente 30 minutos, é uma experiência antropologicamente deliciosa. No corrupio das entradas e saídas, é possível observar como a “fauna urbana” é igual, mas diversa. Características diferentes, raças e até nacionalidades, despertam a nossa curiosidade e apuram uma espécie de raio-x interno, que tenta satisfazer aquele impulso humano. Na verdade, e no silêncio da viagem, quase toda a gente parece fazer o mesmo, num cruzar de olhares de soslaio, até à próxima paragem e um novo olhar.

Duna Primária Mindelo

Saídos no Mindelo, terra de desembarque de Liberais, caminhamos até à Reserva Ornitológica que nos surgiu ao fim de uma rua sem saída. Esta localização, metafórica, mimetiza o estado de conservação da reserva, onde o abandono parece reinar, empilhado um pouco por todo o lado. Todavia, lá seguimos em frente, procuramos a primeira cache, observamos uma belíssima duna primária e todo um complexo dunar sobrevivente.

Por do Sol Outonal Mindelo

Dali, seguimos para as duas caches seguintes e repousamos no Meia Laranja, um verdadeiro café de praia, onde saboreamos um magnífico pôr-do-sol outonal. Mas o tempo urgia, havia horas a cumprir, e seguimos novamente de metro para o Porto. Chegados à Baixa, comemos e partilhamos castanhas assadas, deliciosas por sinal, tiramos fotos, lanchamos fast-food e pouco depois estávamos de regresso a casa, depois de uma viagem hilariante, feita de com gente hilariante de risos hilariantes.

Share to Facebook Share to Twitter Email This Pin This

Deixa um comentário