A sinistralidade rodoviária e os jovens.

quarta-feira, 2 de maio de 2012 · Temas: , ,

 
- Salete Sousa, Liliana Alves e Margarida Cardoso.
 
A propósito de um subtema de Geografia A, que enfoca os problemas decorrentes dos transportes em geral, e dos transportes rodoviários em particular, lançou-se um desafio a alunos prestes a poder conduzir legalmente: investigar um pouco mais sobre a sinistralidade rodoviária nacional e, tanto quanto possível, estabelecer relações com os jovens recém-encartados. Ao desafio, surgiram vários trabalhos de qualidade mas, na impossibilidade de os publicar na totalidade, ficam três bem representativos.
 

Jovens na estrada.


Quando alguém diz “mulheres ao volante, perigo constante” está a fazer um juízo de valor bastante errado. A verdade é que os jovens são, em pleno século XXI, o verdadeiro “perigo” das estradas portuguesas. Como jovens, entenda-se em geral os recém-cartados com idades entre os 18 e os 24 anos.
 
Apesar do número de acidentes ter vindo a registar uma significativa diminuição, assim como o número de vítimas mortais e os feridos graves, os dados mostram que aquela faixa etária se encontra cada vez mais ligada aos acidentes rodoviários. Segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviário referentes ao ano de 2011, a faixa etária dos 20 aos 24 anos é a que regista um maior número de vítimas mortais, deixando uma larga margem de diferença para os restantes escalões etários.
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Estes recém-cartados envolvem-se em mais acidentes rodoviários que os restantes membros da população e os valores mais elevados são registados em acidentes com veículos ligeiros, seguindo-se os que envolvem motociclos. É também nestes setores que se regista um maior número de vítimas mortais e de feridos graves. A maior incidência de acidentes graves acontece aos fins de semana e termina com um resultado trágico: a morte de 45% dos condutores envolvidos.
 
Deste modo assiste-se a um problema na própria condução ou talvez um défice de formação nesta faixa etária. Os valores registados ilustram a imprudência, a irresponsabilidade e os excessos dos mais jovens. A liberdade excessiva, os impulsos do momento, o álcool, as drogas ou uma simples distração, podem facilmente pôr fim a uma ou mais vidas e os mais novos são tendencialmente os mais influenciados. O excesso de velocidade é uma das causas de grande parte dos acidentes, no entanto a maioria dos envolvidos recusa-se a confessar que conduzia fora dos limites de velocidade.
 
No entanto nem tudo são más notícias: verifica-se uma diminuição de 2010 para 2011 quer do número de acidentes, quer de vítimas (mortais, graves e ligeiros) nos escalões em causa. Esta tendência, que se tem vindo a registar desde o início do milénio, é reflexo das inúmeras campanhas de sensibilização e das incessantes fiscalizações e operações nas estradas portuguesas.
 
De facto, a mudança de hábitos e a alteração da mentalidade jovem, é essencial para uma mais eficaz redução da sinistralidade rodoviário que ceifa milhares de vidas jovens todos os anos. Os comportamentos devem ser alterados no que diz respeito à velocidade, utilização do telemóvel, influência da fadiga e da sonolência e da não colocação do cinto de segurança no banco de trás. O uso de campanhas de choque e a melhoria na educação rodoviária, devem ser duas prioridades do governo e instituições relacionadas, de modo a travar este drama.
 
«Sabemos quais são os problemas e as características da sinistralidade, agora gostávamos de saber, em conjunto com os jovens, como encontrar a melhor maneira de a eles chegar com eficiência para alterar as suas atitudes e comportamentos». Frase de José Miguel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP).
 
- Margarida Cardoso.

 
Sinistralidade rodoviária.
 
A sinistralidade rodoviária em Portugal apresenta uma das taxas mais elevadas de acidentes da Europa. Este fenómeno poderá ter várias causas: a má construção das estradas e a deficiente sinalização das mesmas, a velocidade excessiva e inadequada e a elevada taxa de alcoolemia.
 
Ora, ao analisar a tabela das causas de sinistralidade rodoviária em 2011 e ao focar alguns aspetos, podemos verificar que o número de atropelamentos foi relativamente inferior ao ano anterior, no entanto observa-se que o número de feridos leves é considerável.
 

Tabela SinRodo2011
Os dados relativos ao número de colisões revelam que a “colisão lateral com outro veículo em movimento” e “colisão frontal” se destacam pela negativa em relação aos outros tipos de colisão. Quanto aos despistes, os dados relativos ao “despiste simples” e “despiste com capotamento” destacam-se relativamente aos outros (como por exemplo comparando com o “Despiste com transposição do dispositivo de retenção lateral” com valores consideravelmente inferiores).
 

Assim, ao observar estas 3 vertentes observamos uma diminuição, geral, da sinistralidade rodoviária relativamente ao ano anterior.
 
Não obstante, os acidentes de viação são a principal causa de morte não natural mundial e, estudos revelam que, só no ano de 2008, a sinistralidade rodoviária foi a responsável direta pela perda de 39000 vidas, sendo que os custos socioeconómicos a ela associados ascenderam aos 180 biliões de Euros.
 
Todos os dias acontecem acidentes por todo o país, uns por distração, outros por excesso de álcool, por excesso de velocidade, manobras perigosas e outros pelas más condições das estradas, mas, o que é certo, é que são vidas que estão em risco e, instituições como a “Autoridade Nacional Segurança Rodoviária” se preocupam, estudam todos os dados e fazem o possível para diminuir todos os acidentes.
 
Contudo, apesar do esforço não é possível extingui-los, há sim que alterar o pensamento dos portugueses pois na verdade, todos temos conhecimento do número de acidentes diários e, ao acompanhar as notícias, assistimos quase diariamente a um elevado número de mortes jovens.
 
Ao pesquisar sobre o assunto tive conhecimento de uma campanha bastante eficiente – campanha “Guerra aos Polegares”. A campanha “Guerra aos Polegares” pretende alertar para os riscos da utilização do telemóvel, em especial no envio de SMS, durante a condução, para mobilizar jovens de uma forma lúdica e pedagógica para a prevenção rodoviária.
 
Concluindo, todos nós devemos ser responsáveis pelos nossos atos e zelar pela nossa segurança e a dos outros, começando por seguir todas as normas preventivas, para que tenhamos uma estrada mais segura.
 
- Salete Sousa.


A sinistralidade rodoviária e os jovens.
 
A segurança rodoviária tem sido alvo de preocupações por parte da Autoridade Nacional Segurança Rodoviária Portuguesa (ANSRP) e da Prevenção Rodoviária Portuguesa, uma vez que em Portugal os acidentes rodoviários têm sido a principal causa de mortalidade infantil e jovem. O caso merece a nossa atenção se tivermos em consideração que o nosso país, comparativamente aos restantes membros da Europa, apresenta uma taxa de sinistralidade muito elevada.
 
Apesar deste panorama negativo, a tabela que nos é apresentada e que aponta os dados relativos à causa de sinistralidade nos anos de 2010 e 2011, mostra claramente que há um ligeiro decréscimo de acidentes por atropelamentos no que diz respeito a acidentes com vítimas e feridos leves. Acrescento que os dados fornecidos pelo sítio de ANSRP indicam que as vítimas por atropelamento são maioritariamente do sexo masculino e com mais de 75 anos. Contudo, devo referir que é em 2011 que se verifica um maior número de fugas nas duas variáveis apresentadas. Já no que diz respeito ao atropelamento com vítimas mortais e feridos graves é o ano de 2011 que apresenta o total superior.
 
A diminuição dos valores em 2011 continua a verificar-se nas colisões, assim como os despistes em todas as variáveis existentes na tabela. Será importante frisar que a descida atinge os -8,1% no que diz respeito a acidentes com vítimas, -7% em vítimas mortais, -7,6% quanto aos feridos graves e, finalmente -9,6% nos acidentes que resultam em feridos leves.
 
Estes valores, apesar de ainda não serem suficientes, são extremamente encorajadores uma vez que refletem uma evolução positiva.
 
As causas para os acidentes são múltiplas sendo, maioritariamente apontado, o comportamento inadequado dos condutores, nomeadamente a velocidade excessiva, manobras irregulares, ultrapassagens perigosas e desrespeito pela sinalização vertical e marcas rodoviárias. Ainda de acordo com a minha pesquisa, são os condutores entre os 20-29 anos que se encontram mais envolvidos em acidentes com e sem vítimas. É por isso que a maioria das campanhas de sensibilização rodoviárias é dirigida com mais afinco à população jovem. Nestas campanhas induzem os jovens a não conduzirem embriagados ou sobre efeito de drogas, evitarem o excesso de velocidade apontando igualmente às diversas consequências nefastas que podem trazer às suas vidas e às suas vítimas.
 
Verifiquei igualmente que o número de acidentes é superior ao fim de semana, nos meses de Agosto e Outubro, e que o número de vítimas femininas aumentou de 2010 para 2011, o que poderá ser justificado pelo grau de liberdade conseguido pelas mulheres mas também da falta de consciência destas nas consequências que os seus atos inadequados podem ter.
 
Além destas campanhas de prevenção, outras medidas foram tomadas desde 2003 até aos dias de hoje. Estas englobam a alteração do código da estrada, o agravamento das sanções e das coimas, o uso obrigatório de colete refletor e aplicação de estratégias nacionais e municipais.
 
Tendo em consideração os valores analisados, tal como disse anteriormente, verifiquei que as medidas referidas têm atingido os objetivos pretendidos. No entanto há ainda muito a fazer. É necessário continuar a definir estratégias que levem à alteração do comportamento dos condutores mas também “uma estratégia de intervenção corretiva e qualificativa das infraestruturas rodoviárias” (Manual do Planeamento de Acessibilidade e Transportes, página 5, 2008) uma vez que as condições da via são uma das causas verificadas nas estradas de Portugal. Considero ainda que a sensibilidade rodoviária, ao nível da publicidade/imagem, devem ser ainda mais reais ao ponto de impressionar e alterar severamente para os vários desfechos possíveis resultantes do comportamento desprezível do condutor irresponsável.
 
- Liliana Alves.


Fontes:

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