Mea culpa? Nem tanto...

domingo, 30 de maio de 2010 · Temas:

Os bodes “respiratórios” são dos animais favoritos dos portugueses. Constituem uma espécie da fauna mitológica nacional, têm um prazo de vida mais ou menos efémero e estão sempre associados a um imprevisto. São também uns bichos óptimos para carpir, acreditem porque já o fiz! Experimentem, por exemplo, diluir a frustração num desses bodes… com isso alivia-se um pouco do peso da responsabilidade e, no turbilhão, arranja-se um tema de conversa bem popular que às vezes dura bem mais e sabe melhor do que um belo prato de Posta à Mirandesa.

O mitológico bode "respiratório" nacional.
Eu confesso: eu sou um bode “respiratório”! É adorável… insuflámos à medida que nos vão sendo impostas responsabilidades e culpas. Ontem, a certa altura, estava tão inchado que quase que já não cabia num autocarro de dois andares que até baloiçava como um carrossel foleiro e meio desaparafusado, de uma festarola provinciana qualquer. Mas, isto de ser bode “respiratório” não é para qualquer um, há que ter capacidade de absorção… para dar o exemplo comecei a insuflar logo pela manhã e absorvi:

• cerca de 40 minutos de atraso com que partimos;

• o fantástico motorista acompanhado de uma simulação de microfone;

• os cerca 20 minutos de atraso devido aos infelizes WC`S do IP4 (numa pausa de 40 minutos onde se petiscou um pouco);

• a estrada que tinha curvas a mais e cuja paisagem era "hedionda" (o Vale do Sabor, imagine-se!);

• o facto de termos feito mais 100 metros do que o que estava “previsto” na demanda do restaurante S. Pedro que afinal fica na rua mais central (!) de Miranda;

• o facto da companhia de cruzeiros estar irredutível em marcar nova viagem durante a tarde, por termos falhado a hora prevista de embarque (12H) e por não terem vagas suficientes para toda a gente nas outras partidas;

• a feira medieval ser “pequena” (…aquela que ocorre todos os anos na Lixa é enorme…!);

• termos esperado cerca de 50 minutos por um grupo de alunos que embarcou no Cruzeiro;

• a viagem de regresso ter sido longa (ai os conhecimentos geográficos… eu quando viajo tento ter uma mínima noção dquilo que me espera, certo? ou errado?);

• os WC´S novamente (40 minutos);

• o autocarro ter ficado sem bateria (mais 10 minutos);

• os “restos”, por não se poder servir toda a gente ao mesmo tempo, de um dos vários tabuleiros do delicioso bolo de chocolate que a Mariana preparou de véspera e com afinco, para 50 pessoas que também foram brindadas com vinho do porto e bebidas;

• uma das portas traseiras do autocarro não fechar e ter ficado presa com um arame (mais 5 minutos).

Com podem calcular, insuflei imenso com isto tudo! Mas já passou e agora é hora do balanço (menor do que aquele verificado no 1º andar do autocarro, espero!). Pessoalmente, e se tivesse tido a possibilidade de despir a pele do bode “respiratório”, ficaria frustrado com o facto de não ter feito o cruzeiro é certo, mas reconhecia que havia sido uma jornada divertida!

A decisão de colocar os miúdos no cruzeiro e possibilitar-lhe a oportunidade de desfrutar daquela oportunidade era simplesmente irrecusável e, embora nos tenha atrasado em cerca de 1.30H, constituiu, sem falsos moralismos, um exemplo.

É muito fácil falar quando nada se faz e não se tomam decisões assim, no limite!

Evocando uma passagem milenar, quantos de vocês, por muito experientes que sejam, podem dizer que já organizaram uma série de Sábados Diferentes, ou jornadas do género, que em menos de meio ano tenham passado pelo Gerês, Parque de Avintes, Porto à Noite, Jugueiros, etc., envolvendo centenas de alunos, professores e pais, conciliando imensas variáveis em jogo, e sem recorrer a uma daquelas companhias externas de organização de “tudo”? Pois, foi o que me pareceu…

Sabem, eu também dou aulas, tenho testes para corrigir, aulas para preparar, não lucro nada com isto (perco dinheiro "à séria") e perigo a vida pessoal que fica ali, por um fio… contudo não desisto porque acredito!

- Um agradecimento pessoal ao meu Grupo Disciplinar;
- À minha “canalhinha” que afinal de contas é o motivo disto tudo;
- À mãe e à irmã da Joana (pelo sorriso permanente apesar de tudo).
- Aos familiares que, embora descontentes, aguentaram;
- À imensa boa disposição das meninas do fundo do autocarro (valeu);
- Ao estoicismo da Ângela, Maria João, Jorge, Xico e Rui;
- Á elegância do Faria e Natalino.

Os "grandes" aparecem assim.

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7 respostas a “Mea culpa? Nem tanto...”

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