A via-férrea da Lixa.

sábado, 10 de abril de 2010 · Temas: ,

Uma curiosidade histórica da actual Cidade da Lixa é o facto de esta já ter sido servida por uma linha férrea de bitola métrica (quando a parte interior dos carris distam entre si um metro) que partia de Entre-os-Rios (Penafiel), passava por Penafiel, Lousada, Felgueiras e terminava na então Vila da Lixa.

A linha férrea possuia carris de gola  semelhantes aos
 carris existente na linha de eléctrico do Porto.
Segundo a wikipédia, a «história desta via-férrea inicia-se em 1908 quando, não sendo contemplado pelo governo com uma linha ferroviária que tirasse do isolamento os concelhos durienses, o Dr. Cerqueira Mago lança a ideia do caminho-de-ferro de Penafiel à Lixa, passando por Lousada e Felgueiras […] a ideia foi abraçada por toda a população, uma vez que representava uma grande melhoria para o comércio, indústria e população dos concelhos por onde se projectou passar». Contudo, só em 1914 é que a Lixa veria finalmente chegar o comboio, numa viagem total de 30 quilómetros entre as duas localidades terminais.

Segundo o Guia de Portugal da Gulbenkian «o comboiozinho, com grande dificuldade, fazia a subida até Penafiel, arfando e gemendo, quase sempre sobre a própria estrada. Depois, seguindo por Bustelo, ia até Vila Cova da Lixa. O trânsito, porém, não correspondeu ao que se esperava. Por isso, em 1930, a circulação cessou e algum tempo depois fez-se o levantamento dos enferrujados carris».

O comboio na estação de Penafiel.
Antes da construção da linha férrea do Douro, a ligação das terras fazia-se pelas diligências das afamadas alquilarias, ou seja, casas de aluguer de transporte a cavalo. Existiam várias na região tais como a do Cosme, em Guimarães, ou do Galiza, no Porto. A diligência da Cabanelas (actual Rodonorte) vinha da Invicta, por Valongo, saía do Porto ao romper do dia e entrava na Lixa cerca da meia-noite. «Nessa altura, os serviços de transporte de passageiros eram efectuados por uma diligência puxada a cavalos. Já em 1892, o poeta António Nobre, referenciava no seu poema "Só" os serviços da Cabanelas ».

Era «o tempo em que o Zé do Telhado, casado nesta terra, se fazia respeitar em todas as estalagens de Entre Douro e Minho, desde a Falperra ao desfiladeiro da Ovelhinha, no Marão, como uma espécie de romanesco fora-da-Lei».

Fontes:

- Guia de Portugal - 4º Volume - Entre Douro e Minho - I. Douro Litoral, Fund. Calouste Gulbenkian, 1994.
-  «O Caminho de Ferro de Penafiel à Lixa e Entre-os-Rios», José Ferreira, 1993.
- wikipédia
- rodonorte.pt
- historian.blogs.sapo.pt

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4 respostas a: “A via-férrea da Lixa.”

  1. O meu tema de Área de Projecto do 6º ano foi o Comboio da Lixa. Aliás até tenho um livro acerca da via férrea da Lixa.
    Ainda existem pontos marcantes embora já um pouco destruídos e abandonados.

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  2. Nas investigações que fizemos, encontramos uma ligação interessante, entre a popularmente denominda: "Casa do Diabo" e a construção da via-férrea (aquela teria sido local de habitação de alguns operários durante a construção da linha). Contudo não conseguimos fontes que comprovassem tal, com o devido rigor.

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  3. Isso desconhecia. Mas aqui bem perto, Na Escalheira, existe a Estação.
    Ao comboio de Penafiel à Lixa chamavam-lhe o "Joaninha".

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    Respostas
    1. Tenho investigado acerca desta obra de arte, mas há muito pouca informação disponível, não há vestígios no terreno, quase não há referências, e isto de tal maneira que grande parte dos habitantes da zona nem sequer têm informação que alguma vez passou uma via férrea pelo centro da cidade de Felgueiras, ou Lousada. Parece que foi propositado o seu esquecimento.

      Gostaria de ter mais informações acerca desta linha, por exemplo, o mapa do seu percurso... Esta estação na Escalheira que a Helena refere, pode-me falar mais acerca dela, onde fica, o estado em que se encontra... Uma foto seria muito bom.

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