O Dia da Árvore.

domingo, 21 de março de 2010 · Temas: , ,

As comemorações do dia da Árvore e da Floresta têm raízes em manifestações longínquas tais como o ancestral culto das árvores e das florestas que existiu em muitas culturas primitivas. Efectivamente, culturas pré-helénicas e pré-celtas consagravam árvores aos deuses, concebiam-nas como uns símbolos de família, de uma cidade, de um rei ou de um país (visível na folha de plátano no Canadá ou de um cedro, no Líbano).

Dia da Árvore, ESL - 21 de Março de 2006.
Segundo o investigador Engº José Vieira: «os Gregos e os Romanos tinham o culto de várias divindades que associaram às árvores: a oliveira era a árvore de Minerva, o choupo de Hércules, o pinheiro de Cibele, o loureiro de Apolo, o freixo de Marte e o carvalho de Júpiter, por exemplo. Os Celtas acreditavam na magia das árvores e que cada uma possuía o seu próprio poder. Dividiram o ano em 21 partes e atribuíram a cada uma delas uma árvore sagrada».

A origem das datas comemorativas do dia da Árvore.

As plantações comemorativas com forte carga simbólica, como manifestações que antecederam as actuais, eram já referenciadas na antiga Grécia e Roma. Contudo, só assumem uma expressão mais celebrizada, em França, como símbolo do novo regime que sucedeu à Revolução Francesa: "Árvores da Liberdade". Fruto do entusiasmo popular e do fervor republicano a sua prática foi desigual em termos geográficos e o estado francês só institucionalizou e generalizou este movimento em face do sucesso dessas iniciativas locais (J. Vieira).

Cerca de um século mais tarde, em 1872, no Nebraska (E.U.A.), Julius Morton instituiu o «Arbor Day». Este jornalista, que desenvolvia técnicas de cultivo agrícola, achava que a economia de um estado beneficiaria de uma plantação de árvores em larga escala. Esta sua tese levou-o, enquanto membro da Secretaria de Agricultura do Nebraska, a promover o primeiro dia da Árvore que se traduziu num enorme sucesso. Mais de um milhão de árvores foram plantadas e o Estado passou a adoptar aquele dia como feriado estadual (inicialmente o dia 22 de Abril, coincidente com o aniversário de Morton).

Julius Morton.
A ideia rapidamente se alastrou a outros estados norte-americanos e hoje, esta celebração é comemorada nos outros 50 que constituem aquele país. Esta data foi também adoptada noutros países: no Japão, a «Semana Verde», na Índia, o «Festival Nacional de Plantação de Árvores» ou, em Portugal, o dia da Árvore e da Floresta em 21 de Março.

Assim, e apesar das raízes profundas, podemos afirmar que as actuais comemorações do dia Mundial da Floresta e da Árvore, iniciadas no início do século XX, têm claramente a sua raiz nesta iniciativa americana do «Arbor Day».

Mais recentemente, a Food and Agriculture Organization (F.A.O.), na década de 50, e com o intuito de promover o dia da Árvore, lançou um inquérito aos seus países membros. Constatou-se que em muitos, não havia qualquer iniciativa do género e noutros só esporadicamente as comemorações tinham lugar, e em diferentes épocas do ano em resultado da diversidade de condições climáticas.

Em 1971, por proposta da Confederação Europeia de Agricultura, a F.A.O. concretizou a instituição do Dia Mundial da Árvore. A data escolhida foi o dia 21 de Março, primeiro dia de Primavera no Hemisfério Norte, associando a árvore e a floresta à estação do ano em que o clima é mais ameno e a Natureza se encontra mais bela, mais colorida e mais viva (J. Vieira).

As comemorações em Portugal.

As comemorações dedicadas à Árvore e à Floresta iniciaram-se em Portugal apenas neste século, com a realização de Festas da Árvore de 1907 a 1917, as quais foram interrompidas pela instabilidade política e pela cultura política do Estado Novo, sendo retomadas em 1970, no âmbito do Ano Europeu da Conservação da Natureza, tendo continuado sem interrupção até aos dias de hoje.

Ainda segundo J. Vieira, a «implantação da República em 1910 criou um quadro político propício às grandes campanhas cívicas e de esclarecimento dos cidadãos, como é tradicional, quando há mudanças drásticas de regime. E a Festa da Árvore enquadrava-se nesse espírito. Daí o grande entusiasmo dos vultos republicanos à volta destas iniciativas mas também a reserva, se não hostilidade, de forças conservadoras que viam nestas comemorações uma forma hábil de penetração dos novos ideários em meios, nomeadamente rurais, onde não tinham tradicional implantação.»


Assim, e visto que o panorama florestal do país era propício a este movimento, dada a significativa desarborização em que se encontrava, em 1908 a Direcção Geral de Instrução chamou a si a responsabilidade de promover a generalização da Festa da Árvore a todas as escolas do país. Foi a Liga Nacional de Instrução, de que era Presidente Bernardino Machado, a grande dinamizadora das Festas, até 1912.

Estava assim iniciado um movimento cultural e cívico de celebração dos benefícios da Árvore e da Floresta, constando essencialmente da plantação de árvores, de um ambiente festivo e de discursos de propaganda a favor da árvore (J. Vieira).

A árvore: um ser mágico e cheio de significados.

As florestas actuais resultam de um longo processo evolutivo de milhões de anos, marcadas por alterações climáticas e genéticas. Diferentes árvores têm diferentes simbologias associadas: o carvalho representa solidez; o castanheiro, previdência; a cerejeira, pureza e felicidade; a nogueira o dom da profecia. Mas independentemente da concepção e simbologia que cada cultura possa ter sobre uma determinada árvore, há um único e universal sentimento comum de respeito e admiração por este ser magnífico.

Fontes:
 
- The Arbor Day Foundation.
- http://www.fao.org/
- Wikipédia
- http://revistaantigaportuguesa.blogspot.com/
- http://dias-com-arvores.blogspot.com/
-  Árvores, Florestas e Homens - Engº José Neiva Vieira, Direcção-Geral dos Recursos Florestais.

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